Afonso Eulálio continua a viver o impacto da extraordinária prestação no Giro d'Italia, mas rejeita qualquer comparação com João Almeida, a principal referência portuguesa nas corridas por etapas.
«O João é o João, quem me dera ter as pernas do João, seguramente teria feito bastante melhor. O João é um dos melhores ciclistas de sempre, não só de Portugal. Muitas vezes pode bater-se com o Jonas [Vingegaard] também. Não há comparações», afirmou o corredor da Bahrain Victorious.
Sexto classificado da geral final e vencedor da camisola branca de melhor jovem, Eulálio liderou a corrida durante nove dias e admite que a experiência o fez acreditar ainda mais nas suas capacidades.
«Se as coisas corressem bem, corriam. Acabámos por falar dentro da equipa e decidimos ir correr para a geral e tentar», recordou, depois de a queda de Santiago Buitrago o ter colocado como principal aposta da Bahrain Victorious.
Apesar do resultado histórico, o ciclista de 24 anos afasta, para já, a ideia de se especializar nas classificações gerais das grandes Voltas.
«O que gosto de fazer são as clássicas», assumiu, revelando que «provavelmente» só voltará a preparar uma luta pela geral de uma prova de três semanas «daqui a dois anos».
Eulálio também recordou a rapidez da sua ascensão no ciclismo internacional. Quando vestiu a camisola amarela na Volta a Portugal de 2024, nunca imaginou que pouco tempo depois estaria de rosa no Giro.
«Nem sequer imaginei que podia ir para o WorldTour. Quando me falaram do WorldTour, ao início até pensei: 'como é que é possível?'», confessou.
O português considera que muitos corredores nacionais têm dificuldades em chegar à elite mundial devido à reduzida exposição internacional.
«Acabamos por não correr muito lá fora. Não temos uma montra para demonstrar o nosso valor. Penso que o que não ajuda o nosso pelotão é isso», analisou.
Depois de uma semana de descanso, Eulálio regressará à competição na Volta à Suíça, antes dos Campeonatos Nacionais. Quanto ao futuro, já tem um plano definido.
«Para o ano, penso que vou fazer o Tour. Vou fazer o Tour 100 por cento relaxado, sem correr para a geral. Vou tentar suportar os meus líderes e ir para uma etapa ou outra», afirmou.
O melhor jovem do Giro garante, porém, que não vai alterar a forma como corre, mesmo que a equipa lhe peça mais prudência.
«Já sabem como eu gosto de correr. Já sabem que eu ataco. É a minha forma de correr, isso não vai mudar. Eu quando não ataco é porque não tenho pernas», atirou.