É seguro dizer que o ciclismo português vive um dos seus melhores momentos na história, com as exibições de João Almeida em Grandes Voltas, o «ouro» de Iúri Leitão a solo e em pares com Rui Oliveira nos últimos Jogos Olímpicos e agora… a fantástica prestação de Afonso Eulálio na Volta a Itália em bicicleta.
Nasceu em Canosa, uma pequena aldeia da freguesia de Ferreira-a-Nova, na Figueira da Foz, e deu as primeiras pedaladas no BTT, ao serviço do São João de Ver, antes de se tornar profissional pela equipa do Feirense (2020), no ciclismo de estrada. Desde cedo deu nas vistas e, nas palavras de Joaquim Andrade, numa entrevista ao site TopCycling, tratava-se de um «gajo com fibra de ciclista».
«O que mais me fascinou é que ele não era o mais forte, havia miúdos muito acima, e ele passou sempre em sofrimento. Na parte final vejo-o ao fundo da reta, isolado com uns metros. Aproveitou que se estavam a marcar, arrancou de trás e passou direto», referiu. Certo é que saltou para os holofotes dois anos depois, quando se sagrou campeão nacional de estrada, após bater Afonso Silva nos 132 quilómetros que começaram e terminaram em Mogadouro.
Nessa mesma temporada, Afonso Eulálio estreou-se na Volta a Portugal, mas os resultados só se consolidaram nos dois anos seguintes. Vestiu a camisola amarela durante sete dias e terminou dentro do «top-10», numa edição ganha pelo russo Artem Nych. Estas exibições fizeram com que a proposta para correr no World Tour não demorasse a chegar e em 2025 mudou-se para a Bahrain-Victorious.
A época de estreia ao mais alto nível ficou marcada por diversos bons resultados, um décimo lugar na 17.ª etapa do Giro, um pódio na Volta a Burgos e o «top-10» nos Mundiais de estrada que se realizaram no Ruanda. Dito isto, o crescimento de Eulálio aconteceu de forma gradual e esta época conseguiu o primeiro grande resultado, com o quinto lugar na geral do AlUla Tour, apenas atrás de nomes como Jan Christen (UAE Team Emirates) e Sergio Higuita (XDS Astana Team).
Ainda assim, nada fazia prever que uma fuga bem conseguida à quinta etapa da Volta a Itália fosse histórica para a carreira de Eulálio. É o terceiro ciclista português a andar de «rosa» nesta Grande Volta, depois de João Almeida e Acácio da Silva, mas não fica por aqui. Segurou-a durante nove dias e após entrega-la a Vingegaard, focou-se em manter a liderança na classificação da juventude… e fê-lo com sucesso.
Assista aqui à chegada de Eulálio na penúltima etapa do Giro:
Está assim confirmado o primeiro «top-10» da carreira de Afonso Eulálio numa Grande Volta, mais concretamente um sexto lugar, no meio de grandes nomes do ciclismo internacional e a menos de dez minutos de Jonas Vingegaard, um dos grandes ciclistas do século.