Com cerca de 120 sócios, o clube lacobrigense é presidido por Rui Mateus, quase consecutivamente desde 2001, sendo a exceção entre 2008 e 2011, em que foi tesoureiro. O Roller foi formado depois da saída da secção de patinagem do Grupo Desportivo Amador de Lagos.

«O Amador de Lagos foi criado a seguir ao 25 de abril de 1975 imbuído do espírito de desporto para todos. Mais tarde, fundiu-se com o Centro de Educação Desportiva de Lagos. Estes clubes formaram muito jogadores de futebol, como o Barrocal, Diogo Amado (Estoril) e Diogo Viana (Gil Vicente) e o Helinho – que foi capitão da seleção de sub-16 – e depois deram origem ao Clube União Desportiva de Lagos. Além do futebol, todas as outras modalidades estavam no Amador: andebol, ciclismo, atletismo, patinagem, entre outras. Era difícil ter uma direção para tantas atividades e aos poucos algumas modalidades foram saindo. Foi assim que nasceu o Roller, que é dos poucos clubes em Portugal que tem as três disciplinas dos patins», recorda Rui Mateus, que foi guarda-redes de hóquei em patins no Amador.

«Jogávamos ao ar livre, à chuva e ao vento. Treinávamos em condições adversas e quando íamos jogar a pavilhões parecia que nem sabíamos patinar. Só a partir dos anos 80 é que começou a despertar o interesse da velocidade, no clube», continua.

Atualmente, Lagos já tem todas as condições físicas para se fazer um bom trabalho na patinagem. «Já foi pior. Tivemos muitas dificuldades em fazer compreender à autarquia a necessidade de termos espaços adequados para a modalidade. Só em 2013 é que atingimos o pleno com a construção do patinódromo. Até aí houve muitas dificuldades, por causa dos pisos.

Lutámos depois por um recinto adequado e com a construção do atual pavilhão municipal já se pratica hóquei com todas as condições. A maior dificuldade sempre foi a patinagem de velocidade, em que somos um clube de nível europeu ou mundial e com muitos êxitos desportivos», refere.

A construção do patinódromo na Escola Júlio Dantas veio dotar a modalidade rainha do clube de condições ímpares para a sua prática. «É um velódromo mais pequeno. É oval, tem curvas em relevê e uma linha de corda de 200 metros, com seis metros de largura, podendo partir quatro ou cinco atletas em simultâneo», explica Rui Mateus ao Maisfutebol.

O Roller de Lagos difere dos tradicionais clubes de bairro em que a sede social é o principal local de convívio dos seus sócios e habitantes. «A nossa atenção está concentrada na atividade. Não somos um clube oriundo de algo que nos possa pôr com outra relação, que não seja assim. Para nós, a sede é um espaço de trabalho, onde nos organizamos e temos o nosso registo. Os eventos que organizamos fazem a nossa ligação ao exterior», vinca o dirigente.

Entre outros, os passeios de patins que o clube organiza pela cidade fazem essa aproximação. «O nosso lema é competir, vencer, mas também somos escola. Sempre trocámos uma enorme projeção pela formação. É a nossa base desde o início: todas as nossas disciplinas têm uma escola de patinagem em que se aprende a patinar e depois se aprende a jogar. Esses passeios servem para divulgar a modalidade e captar», observou.

Esse trabalho de base também é efetuado nas escolas primárias, através do programa de atividades extra curriculares (AEC) estabelecido com a autarquia. «Um dos nossos professores, o Paulo Batista, elaborou um manual da escola da patinagem. A patinagem é muito técnica; se não soubermos patinar bem, não podemos fazer o que queremos. Fazemos esta ligação com as escolas do 1º ciclo, que faz com que os miúdos se sintam interessados e venham treinar connosco.» Esse interese já está refletido em resultados e objetivos: nomeadamente, com a equipa sub-13 de hóquei do Roller que já joga com os olhos postos na subida aos campeonatos nacionais.

Longe vão os tempos em que as autarquias tinham mais disponibilidade financeira para ajudar os clubes havendo, assim, uma necessidade de adaptação. A sobrevivência do Roller de Lagos passou por uma reorganização, nem que isso tenha implicado a extinção de projetos ganhadores. «Tivemos um período com grande apoio financeiro da autarquia. Agora, e desde 2010, não recebemos nada. A autarquia passou de 100 para zero. Tivemos de eliminar o que não podíamos suportar - daí a extinção da equipa que participava na taça do mundo de maratonas - e apostámos na formação. Sobrevivemos com voluntariado dos dirigentes, pais e técnicos, que têm muita boa vontade e não têm uma contrapartida financeira forte. O dinheiro que recebemos do protocolo com as AEC é para os nossos técnicos», conta Rui Mateus.

Essa reorganização fez com que a equipa Roller Lagos dos Descobrimentos, que por duas vezes foi terceira classificada na taça do mundo de maratonas, fosse sacrificada: «Não continuámos com a equipa porque consumia muitos recursos financeiros, e optámos por canalizar o dinheiro para a formação», reforça o presidente do clube algarvio.

É na patinagem de velocidade que o Roller de Lagos conquistou projeção mundial. O Torneio Terras do Infante integra o calendário internacional da CERS e, em março de 2015, vai realizar-se a 12ª edição. «É um torneio muito importante porque permite aos nossos atletas terem contato internacional», frisa Rui Mateus.

Dois atletas do Roller estiveram em novembro em Rosário, na Argentina, em representação da seleção nacional no campeonato do mundo. Diogo Marreiros foi 10º nos 10 km pontos/eliminar, 14º nos 15 km eliminar e 13º nos 1000 metros, chegando às meias-finais. Martyn Dias foi desclassificado nos 15 km e ficou em 19º nos 10 Km pontos/eliminar. Na estafeta americana, com Ricardo Esteves (do Canelas), ajudaram Portugal a conquistar a medalha de bronze. Diogo Marreiros também venceu a Taça da Europa de velocidade (prova disputada por etapas), e Martyn Dias foi 2º classificado. A seção tem 48 atletas, com praticantes dos 9 aos 25 anos.

«Na patinagem de velocidade somos campeões nacionais sucessivamente em quase todas as categorias e faixas etárias e a equipa que apresenta sempre mais atletas. Desde 2005 - podendo falhar um ou dois anos - todos os nossos atletas foram convocados para a seleção nacional e conseguiram sempre conquistar medalhas nos campeonatos europeus. O Martyn Dias e o Diogo Marreiros foram campeões europeus de juniores. Temos 12 atletas medalhados nos campeonatos da europa e do mundo e com várias medalhas cada. Isso dá-nos visibilidade e dá alento aos atletas mais novos», refere orgulhoso o presidente do Roller de Lagos.

Nesta temporada, a secção de hóquei em patins conta com a reativação da equipa de seniores femininos, que participa no campeonato nacional. As atletas lacobrigenses vão medir forças com o Benfica, equipa que já esteve em Lagos no dia 26 de outubro, tendo vencido por 10-0, em jogo para o torneio de abertura. «O Hóquei foi retomado há dez anos. Criámos condições de formação para que houvesse evolução dos atletas. Estivemos vários anos a captar miúdos para termos todos os escalões de formação preenchidos. Houve um intercâmbio com o Hóquei Clube de Portimão e, quando não tínhamos um determinado escalão, iam jogar para lá. Foi o que se passou com as miúdas dos seniores femininos, que estavam lá e neste ano regressaram. Se a oportunidade surgir, queremos passar à fase final do campeonato nacional», assume.

Frente ao Benfica, estiveram mais de uma centena de pessoas nas bancadas, numa festa em que foram homenageados Diogo Marreiros e Martyn Dias pelas conquistas na patinagem de velocidade. Rui Mateus tem especial carinho pela equipa de hóquei em patins de seniores femininos e até costuma treinar-se com elas. «Vou apanhar boladas!», diz o presidente, porque o gosto pela baliza ainda se mantém.

No hóquei em patins o Roller de Lagos movimenta 80 atletas e tem quatro equipas em atividade. Na patinagem artística está ser feito um trabalho de base com 25 atletas femininas, dos 6 aos 17 anos. «É uma modalidade mais complicada. Estamos agora numa fase de progressão, com um trabalho sequencial feito pela nossa técnica, Ana Relvinhas. Estamos a conseguir ter cada vez mais atletas qualificadas para os campeonatos nacionais», conta Rui Mateus.