A resposta é complexa.

O mau comportamento dos adeptos no futebol é, infelizmente, um fenómeno global. Estudado, mas longe de estar resolvido.

Os actos de poucos têm, nestes momentos, um impacto brutal. Mas convém não esquecer que a esmagadora maioria das pessoas que gostam de futebol sabem comportar-se e vão aos estádios apenas à procura de emoção e divertimento.

Esta constatação não deve, porém, afastar-nos do essencial: imagens como as do Algarve afectam a noção de segurança do cidadão e passam a ideia de que as autoridades têm dificuldade em lidar com a violência organizada. Sobretudo em eventos desportivos.

E na verdade têm, embora seja justo reconhecer que muito trabalho foi feito nos últimos anos. Hoje as forças policiais conhecem as claques e existe um diálogo e conhecimento que permitem evitar alguns problemas, provavelmente mais graves.

Mas passa também a ideia que isso é feito à custa de meios que já impressionam (mais de mil agentes no Algarve, por exemplo) e de muito dinheiro (mais de 100 mil euros, segundo a Liga). E sem resultados completamente satisfatórios.

No imediato, o que parece faltar, na minha opinião, é aplicar a lei. Ou seja, impedir que adeptos identificados como problemáticos continuem a poder ir ao futebol. As regras são simples: quem não sabe comportar-se deve ser levado perante os juízes e obrigado a apresentar-se às autoridades em dia de jogo. Ou punido com penas efectivas de prisão, como pode ler-se na lei 39/2009, de 30 de Julho.

Claro que isto não resolve o problema maior: as pessoas de violência fácil estão mal enquadradas na sociedade e o facto de estarem longe dos estádios não as impedirá de ser violentas e cometer ilegalidades, em outros contextos. Mas pelo menos afasta-as dos estádios, onde famílias menos protegidas procuram, legitimamente, diversão.

Seria importante, por exemplo, estudar o enquadramento social e económico dos que provocam desacatos. Trabalhar com eles durante a semana, procurar, de forma empenhada e real, dar-lhes uma verdadeira oportunidade e enquadrá-los.

No caso específico da final da Taça da Liga, parece-me evidente que a Liga teve os cuidados necessários com a segurança: entregou-a nas mãos das autoridades. Pelo que se viu e sabe, já não se pode dizer que a GNR tenha sido competente em todos os instantes.

No caso do Sporting-Atlético Madrid também impressiona a organização de quem combina locais para lutar. E a leveza de quem deveria saber o que se passa e é apanhado desprevenido. E o pânico de quem simplesmente queria apanhar o metro e ir para casa e de repente vê chover pedras e tochas.

Tão importante como elaborar planos de segurança seria a promoção do bom ambiente e do desportivismo. Isso passaria, em primeiro lugar, pelo comportamento dos dirigentes. Infelizmente, não me lembro de algum que trabalhe para melhorar a relação entre adeptos. Pelo contrário.