Começou pelo início. «O método foi criado por Wiel Coerver e começou por ser implementado no PSV. Hoje é a filosofia de jogo de todo o futebol holandês, é também utilizado em quase todas as universidades americanas e em grandes clubes europeus como o Barcelona», diz Hugo Vicente. «É baseado numa pirâmide de desenvolvimento dos jogadores, a qual tem seis níveis, com centenas de exercícios cada. Cada nível é ultrapassado quando o jogador tiver assimiladas as capacidades técnicas desse nível».

Os cinco níveis de treino, com centenas de exercícios

Os seis níveis são, começando pela base, «relação com a bola», «recepção e passe», «movimentos de um contra um», «velocidade», «finalização» e «ataque colectivo». A passagem ao nível seguinte está dependente da total assimilação das capacidades relativas ao nível anterior. «Nas escolinhas e nos juvenis, por exemplo, os jogadores não passam do primeiro nível. Durante esse tempo fazem todo o tipo de exercícios para que a bola passe a ser vista pelo jogador como um complemento do corpo». Para isso, adianta, os jovens passam anos sem aprender um único princípio de jogo, limitando-se a dar saltos por cima da bola, a tocar-lhe, a pisá-la com a planta do pé, a andar com ela.

O aperfeiçoamento técnico como forma de tornar o jogador mais confiante

Este nível, porém, é sobretudo utilizado nos escalões mais jovens. Por isso interessa saber como é utilizado o método numa equipa sénior como o F.C. Porto. «No Ajax, por exemplo, costumam utilizar o método para colmatar falhas que o jogador possa ter. São aplicados durante os repousos activos, nos intervalos do trabalho táctico. Até porque há muitos jogadores seniores com princípios básicos, como passe e recepção da bola, péssimos. O método prevê, e bem, que está sempre a aprender-se». Uma opinião partilhada por João Carlos Pereira. «Os holandeses acreditam que se melhorarem a qualidade técnica dos jogadores vão torná-los mais confiantes e com isso melhorar a equipa».

A mecanização do gesto técnico para enfrentar situações de pressão

Esse é um dos maiores méritos de Coerver. «É um método formativo, sistematizado e que procura atingir o aperfeiçoamento técnico individual para que o jogador se possa tornar uma mais-valia para a equipa. O objectivo é dotar os jogadores de capacidades técnicas melhores, porque melhorando esses aspectos eles tornam-se mais confiantes para arriscar dentro do jogo», garante João Carlos Pereira. «O método baseia-se na sistematização e em repetições constantes do mesmo exercício. O jogador repete tantas vezes o mesmo gesto técnico que acaba por o fazer de uma forma mecanizada. Dessa forma, e quando chega a uma situação de pressão, acaba por o fazer como que se não houvesse pressão».