«Com o fracasso na Taça das Nações Africanas (CAN) no Gana e em Angola, não se pode dizer que a Costa do Marfim seja mais forte hoje do que era em 2006. Antes lutávamos bem mais, e juntos. É preciso recuperar essas ideias de solidariedade e combatividade, que são essenciais no futebol de alto nível», argumentou o jovem avançado do Lille, de 22 anos, em entrevista ao FIFA.com.

Eliminados nos quartos-de-final da CAN, os «elefantes» foram decepcionantes e nem estrelas como Drogba (Chelsea), Kalou (Chelsea) ou Touré (Barcelona) evitaram a eliminação da prova frente à Argélia (2-3). O saldo foi ainda pior para o técnico Vahid Halilhodzic, contratado em Maio de 2008 e recentemente despedido.

«Um trabalho de dois anos foi arruinado. Falei com o treinador por telefone e ele está tendo dificuldades em aceitar a demissão. Foi a escolha da federação. Mas se ele não conseguiu mudar as coisas em dois anos, está provado que a tarefa cabe-nos a nós, jogadores. Sabemos o que devemos fazer e precisamos facilitar o trabalho do próximo treinador», defendeu. «Estou convencido que o fracasso fortalece e vai ajudar-nos a retomar o caminho certo. A chegada de um novo técnico vai obrigar todos a lutar pela titularidade ou para conquistar uma vaga no Mundial», perspectivou.

Uns dias depois do afastamento de Halilhodzic, a Costa do Marfim perdeu 2-0 com a Coreia do Sul em jogo de preparação para o Campeonato do Mundo, mas Gervinho não falou em crise e sim em talento... em demasia. «Não vamos partir do zero, mas o novo treinador chegará com ideias e todos terão de se esforçar para ficar no grupo ou entrar. Não há problemas no plantel. Os mais experientes auxiliam os mais jovens como eu e mantemos todos o mesmo discurso. O problema é que temos tantos talentos que às vezes a gente se perde em campo.»

A defesa é um dos sectores mais criticados, mas para o jogador do Lille a culpa não é exclusiva dos elementos que ali alinham. «Defensivamente, precisamos jogar mais em grupo. Todos são responsáveis pela defesa, de Didier [Drogba] a Kolo [Touré], e devemos fazê-lo juntos. Às vezes ficamos a olhar para um companheiro em dificuldade», analisou Gervinho, que se estreou pela Costa do Marfim em Novembro de 2007 (está lesionado desde o fim de Fevereiro e vai estar ainda mais um mês parado).

Com pouco tempo para preparar a participação dos «elefantes» no Mundial, primeiro adversário de Portugal no Grupo G, o novo timoneiro terá um trabalho essencialmente psicológico e no qual Drogba terá um papel decisivo.

«Ele é o nosso capitão e isso não vai mudar. Ele sempre se colocou na pele de todos, sem se fazer valer da fama. Ele pagou por todos nós, depois da derrota para a Argélia. Ele sempre teve coisas a dizer e vai falar, seja lá quem for o próximo técnico», considerou Gervinho, que já capitaneou a equipa de sub-21 da Costa do Marfim.