O Beira Mar tem agendado para este sábado à tarde a receção ao Olhanense, bem no meio da convulsão que atinge a equipa de Manuel Cajuda e de todas as dúvidas se a equipa irá, sequer, fazer a viagem até Aveiro.

«Todos esses problemas são, infelizmente, maus para futebol, e não só para o Olhanense. Penso que há mais equipas nessa situação. É algo que a nossa Liga e federação deveriam olhar com mais atenção», constata Costinha, na antevisão da partida, evitando falar do que se passará no balneário algarvio.
«O que passo aos meus jogadores é: venham ou não venham os jogadores do Olhanense a Aveiro, temos de estar prontos para às, 16 horas de sábado, iniciar o jogo fortes, e, quando terminarmos, ter a vitória no bolso», asseverou, sem perder de vista o que está em causa, sobretudo se os aurinegros não conseguirem ganhar.
«Para nossa sorte, as equipas envolvidas na manutenção também têm jogos complicados. Temos de contar com o que nós fazemos e não com os outros, mas, em caso de um resultado menos positivo, como um empate, os resultados das outras ainda nos podem dar esperança, mas não vou por ai», sentenciou, expressando o que espera do encontro:
«Vai ser um jogo para homens de barba rija, jogo difícil, contra uma equipa que passa por um momento complicado em todos os aspetos e vem jogar a sua cartada decisiva a Aveiro. Temos de estar muito atentos, conscientes do nosso valor, e da importância deste jogo para o futuro do Beira Mar na I Divisão.»
A receita passa por adotar uma postura à altura do desafio. «Há que jogar o jogo com alegria, ambição, mas também com alguma frieza e pragmatismo, esperando que o nosso público compareça e nos ajude como fez com o Nacional», resumiu, completando de seguida:
«Muitas vezes é preciso jogar com fator psicológico. Há muita gente que vem de divisões inferiores, que é jovem, se calhar não tem ainda a maturidade para arcar com tamanha responsabilidade, mas é assim que se forjam os campeões e as equipas que querem algo na vida.
«Desligar da ficha tem-nos custado muito caro»
Costinha já elegeu um dos maiores males da equipa. Além de sofrer golos em barda, e em todos os encontros, vai ser preciso ter níveis de atenção mais elevados, sob pena de perpetuar um mal até ao fracasso total.

«Há momentos do jogo em que parece que a equipa desliga um bocadinho. Para uma equipa que vai em último lugar, e até está a ganhar, desligar da ficha, custou-nos muito caro. Há momentos do jogo em que temos de estar mais concentrados», observou, dando exemplos:
«Não é à toa que em seis/sete jogos, o Beira Mar esteve até aos 74 minutos a vencer e empatar. Eram 12 pontos que nos dariam 29 neste momento. Podemos trabalhar todos os dias bolas paradas, jogadas combinadas, mas se, naquele dia, àquela hora, não estivermos concentrados, se não formos rigorosos e determinados, todo o trabalho cai por terra.»
«A equipa joga bem, o jogador está em bom momento, aparece nos jornais, é cobiçado, mas o certo é que no final vão ver a classificação e estão em último lugar. Eles têm de saber que é tudo muito bonito, mas têm de sair do último lugar e ter a pressão de saber que há um clube, que tem os salários em dia, que respeita os contratos, mas eles têm de fazer mais alguma coisa para saírem desta situação.»
O técnico apressou-se, todavia, a defender o sentido de responsabilidade dos atletas, que «estão empenhados e com vontade de dar a volta por cima.«É importante treinarmos durante a semana e ver que estão insatisfeitos com o que está a acontecer e querem realmente superar esta fase menos boa», finalizou.