Para identificar um registo pior do que este é necessário regredir até 1988/89: a última campanha dos dragões sem a conquista de qualquer troféu.

No epílogo desse percurso, a direção de Pinto da Costa e o treinador Artur Jorge procederam ao que ficou etiquetado por «limpeza de balneário». Aí sim, encerrou-se um ciclo triunfal e nem os nomes consagrados foram poupados.

Dos 30 elementos do plantel, 17 não transitaram para a época seguinte. Desses, dez ostentavam no currículo a conquista da Taça dos Campeões Europeus de 1987. Duro, sim, cruel em alguns casos, mas eficaz: em 1989/90, o FC Porto voltou a ser campeão nacional.

Nem Fernando Gomes escapou à guilhotina:

«Um treinador novo e a querer mudar o que está bem»

Uma das vítimas da revolução no Estádio das Antas foi Eduardo Luís. O defesa, titular na final de Viena contra o Bayern Munique, recorda ao Maisfutebol um dos piores momentos da carreira.

«Foi tudo mau: não ganhámos nada, eu lesionei-me gravemente e o meu contrato acabava nesse ano. Fui na leva, aquilo é que foi mesmo uma limpeza de balneário», conta o antigo defesa, agora integrado na equipa técnica do Académico Viseu.

O processo, acrescenta, foi corrosivo. «Muitos de nós choraram ao ser informados da dispensa ou, noutros casos, na não renovação de contrato. Tínhamos ganho tudo anteriormente e essa época foi um choque difícil de explicar. Como o deste ano, aliás».

Difícil de explicar, sim, mas não impossível. Eduardo Luís encontra vários pontos em comum. E destaca um. «A entrada de um treinador novo - com ideias novas e a querer mudar o que está bem -, foi prejudicial. Em 88/89 e no presente», refere.

«O processo de dispensas foi muito frio»

O PREC do verão de 1989 nas Antas não foi doce. Eduardo Luís trava nos adjetivos e recorre a um eufemismo: «foi tudo muito frio».

«Eu estava há sete temporadas no FC Porto. Sentia-me bem, apesar de ter 32 anos. Tinha condições para continuar, mas nestas coisas prevalece o pragmatismo. Nós saímos e o clube voltou a ganhar. Justa ou injusta, a tal revolução foi feita e resultou».

O FC Porto concluiu o campeonato a sete pontos do Benfica (dois pontos por vitória); na Taça dos Campeões Europeus caiu às mãos do PSV na II Eliminatória (5-0 na Holanda e 2-0 nas Antas); na Taça de Portugal, o Belenenses derrotou os dragões por 1-0 nos oitavos-de-final; a Supertaça foi para o Vitória Guimarães, com golos de Décio António e Basaúla.

Pior do que em 2013/14? Afinal, parece que sim, é possível.

Campeões de 87 que saíram do FC Porto:

. Mlynarczyk: encerrou a carreira

. Inácio: encerrou a carreira

. Eduardo Luís: mudou-se para o Rio Ave

. Lima Pereira: mudou-se para o FC Maia

. Quim: mudou-se para o Tirsense

. Sousa: mudou-se para o Beira-Mar

. Frasco: encerrou a carreira

. Jaime Pacheco: mudou-se para o V. Setúbal

. Vermelhinho: mudou-se para o D. Chaves

. Fernando Gomes: mudou-se para o Sporting

Outras dispensas:

. N´Kongolo: voltou ao Sp. Espinho

. Dito: mudou-se para o V. Setúbal

. Carvalhal: mudou-se para o Beira-Mar

. Everton: voltou ao Atlético Mineiro

. Rui Manuel: mudou-se para o Penafiel

. Edvaldo: mudou-se para o Freamunde

. Raudnei: mudou-se para o Deportivo Corunha