«Isso é público, mas é óbvio que não vai acontecer porque há sempre ajudas. Os próprios jogadores ajudam-se uns aos outros porque é um grupo muito forte. O próprio Vitória tem ajudado dentro do possível. Não vai sair ninguém de casa, só faltava isso. Os jogadores novos, que chegaram este ano, receberam pela última vez em Julho. Os mais antigos têm ainda ordenados em atraso do ano passado. O clube está a fazer um esforço, reduziu o orçamento, baixou os ordenados dos jogadores que agora sentem ainda mais dificuldades. Se fossem postos fora de casa, a única solução que o Vitória tinha era acabar. Isso é impensável. Agora que há dificuldades, há. Estamos todos prontos para ajudar em termos desportivos o presidente ou, se não puder ser o presidente, outra pessoa», destacou o guarda-redes.

Se a situação dos portugueses é complicada, a dos estrangeiros, sem o apoio directo da família, é ainda mais difícil. «Os franceses, principalmente, não estão habituados. Chegam ao dia 5 ou 7 e recebem certinho. É mais difícil para eles. Cá em Portugal estas situações passam-se na maioria dos clubes, mas costuma ser só em Novembro/Dezembro que as coisas se começam a sentir e não no princípio da época. Quando se chega a este ponto... Não são só os jogadores, esta situação diz respeito à equipa técnica, massagistas, roupeiros e empregados», referiu o segundo capitão do Vitória.

Para Marco Tábuas, o maior problema nem são os salários em atraso, mas sim não haver perspectivas de se encontrar uma solução que o guarda-redes acredita que vai acabar por surgir. «Eu acredito que se vá encontrar uma solução. O Vitória é um clube com história, não tem nada a ver com o Salgueiros, é um clube com património. Este estádio (Bonfim) vale muito dinheiro. Uma parte já foi vendida, mas é património que está aqui. Além disso, Setúbal é uma cidade que está sempre disposta a ajudar o clube porque os setubalenses são do Vitória e só depois é que são dos outros clubes», defendeu.

Além dos evidentes problemas que caiem sobre todos os jogadores, Marco Tábuas, como sadino, está também preocupado com o futuro do clube do seu coração. «Precisamos do cheque, mas não é só isso. É muito importante porque temos famílias, mas como vitoriano, quero que a situação do clube se resolva. A solução não passa por nos pagarem um mês ou dois e daqui a quinze dias ou um mês estarmos na mesma situação. Não queremos apenas adiar o problema por uns dias», acrescentou.