Álvaro Braga Júnior, presidente do emblema portuense, considera precipitada a intenção do elenco presidido por Hermínio Loureiro. O líder axadrezado defende haver «muito mais a fazer» antes da exclusão dos clubes com salários em atraso e anuncia um desfecho triste: «O futebol português prepara-se para dar um tiro nos pés.»

«Durante a reunião de ontem da direcção da Liga sugeri a Hermínio Loureiro uma reunião com o Governo. Defendemos todos os passos de rigor, mas num momento de crise excepcional, não entendemos que não sejam dados passos claros rumo a um tratamento excepcional no futebol. Como acontece noutras áreas de actividade, de resto.»

Braga Júnior não esconde o seu pessimismo, caso a AG da Liga aprove o conjunto de regras que estão em cima da mesa. «Se a Comissão Executiva da Liga levar estas ideias à AG, teremos 12 clubes em condições de competir na primeira divisão e todos os outros escalões terão um número de participantes reduzido.»

Uma realidade inconveniente

No encontro mantido com os jornalistas, o presidente do Boavista admitiu que, «em caso de descida», os problemas dos axadrezados serão agudizados. Álvaro Braga Júnior, porém, continua a acreditar na equipa treinada por Rui Bento e confidenciou ter recusado a saída do técnico no último domingo.

«Após a derrota na Oliveirense, o Rui Bento colocou o seu lugar à disposição, mas recusei de pronto o seu abandono. Acreditamos nesta equipa e no nosso futuro. Temos feito milagres diariamente. Recebemos várias promessas de apoio e as que já foram cumpridas permitem a nossa sobrevivência», exclama Braga Júnior.

As reacções dos clubes

Os novos pressupostos financeiros estão a mexer com o futebol português. No day after do comunicado da Liga de Clubes, vários emblemas reagiram em declarações reproduzidas pela Agência Lusa. O Maisfutebol mostra-lhe as opiniões de alguns desses clubes sobre os critérios defendidos por Hermínio Loureiro e restante elenco:

Trofense: «Partilhamos as ideias do Dr. Hermínio Loureiro e estamos perfeitamente identificados com estas medidas.» (Manuel Carvalho, vice-presidente)

Académica: «Estamos perfeitamente de acordo com essas medidas. Ou estão todos os clubes ou não estão nenhuns.» (Jorge Alexandre, vice-presidente)

P. Ferreira: «Estas medidas vão ajudar a credibilizar o futebol. Tem de haver correcção e lisura de processos.» (Fernando Sequeira, presidente)

E. Amadora: «Queremos a medida que seja mais acertada para os clubes. É preciso uma tomada de posição dos clubes, mas também das instituições.» (António Oliveira, presidente)

Vizela: «Estamos de acordo mas é preciso sensibilidade face a dificuldades pontuais.» (Paulo Pinheiro, presidente)

Portimonense: «Concordo, mas é um assunto que tem que ser debatido com todos para que se encontrem soluções que possam dignificar o futebol, sem penalizar os clubes.» (Fernando Rocha, presidente)

Oliveirense: «Esta é a única forma de não criar falsas expectativas.» (Eduardo Costa, presidente)

Gil Vicente: «Tem de haver bom senso. Não faz sentido que um clube que tenha um ou dois meses de salários em atraso seja impedido de participar nas competições.» (António Fiúza, presidente)

Estoril: «Consideramos que é uma medida necessária, justa e exigível.» (Rui Amaro, director-geral da SAD)

Olhanense: «Considero que é uma medida acertada, para combater uma situação que se vem arrastando há muito tempo.» (Isidoro Sousa, presidente)