... o Sp. Braga era quase invencível. Na romântica cidade de Budapeste, o romântico futebol de Carlos Vicens soçobrou perante o pragmatismo do Ferencváros. Os portugueses tiveram 67 por cento de posse de bola, mas acabaram com menos remates e muito menos perigo criado do que os húngaros.

Dois golos, um na primeira parte e outro na segunda, complicam as contas da equipa minhota para a segunda mão. Resta o conforto de jogar em casa, na Pedreira, para a semana. O pequeno Kanichowsky e o veloz Joseph fizeram os golos que puxaram o Sp. Braga para a realidade, na primeira derrota fora de casa na competição.

RECORDE AQUI O FILME DO JOGO.

A primeira parte anunciou um choque de estilos. O Sp. Braga de Vicens é, como sabemos, primoroso na posse de bola. Muito bom na zona de construção, nem sempre na de criação. O Ferencváros de Robbie Keane (sim, esse mesmo) remeteu-se a um comportamento mais expectante, no seu 5-3-2 talhado para o contra-ataque.

O Sp. Braga tremelicava nos lances de bola parada e perdia ocasionalmente a bola junto à sua grande área. Foi assim que o Ferencváros chegou ao golo, aos 32, minutos, recuperando alto a bola e quebrando a linha defensiva dos minhotos. O israelita Kanichowsky surgiu em zona de finalização e escolheu o melhor lado, perante um Hornicek impotente.

Os minhotos ameaçavam normalmente por Rodrigo Zalazar, o mais vertical dos atacantes. Conduzia para dentro da grande área e tentava desequilibrar, mas faltava a definição. Vicens perdia ao intervalo com 63 por cento de posse de bola.

As duas equipas deixaram a imaginação no balneário, ao intervalo. Os primeiros 15 minutos de jogo não trouxeram nem remates, nem entusiasmo. O Sp. Braga esboçou perigo apenas aos 62 minutos, mas foi azarado mais uma vez. Dorgeles rematou contra o colega Grillitsch numa boa ocasião.

Há velhos adágios futebolísticos que nunca deixam de ser atuais. Um deles é o ‘quem não marca, sofre’. Foi isso que aconteceu aos 69 minutos, quando o lateral Makreckis ultrapassou Lelo, cruzou e Joseph surgiu solto de marcação para marcar. 2-0. Vicens ainda mexeu, mas a última meia-hora foi pífia no lado bracarense.

A história diz que o Sp. Braga passa sempre aos quartos de final quando se encontra nesta fase. Numa dessas ocasiões, chegou até à final, caindo apenas perante o FC Porto. Mas para seguir no rumo da história, será preciso mais na segunda mão.

A Figura: Lenny Joseph

Ponta-de-lança móvel e rápido, o francês destacou-se no ataque dos húngaros especialmente na segunda parte. Marcou um bom golo, de primeira, aos 69 minutos, e servia como farol das ofensivas do Ferencváros, apresentando recursos ténicos para manter a bola e fazer com que a equipa subisse. Foi aplaudido ao sair.

O Momento: golo de Joseph, 69m

O 2-0 foi o momento pivotal do jogo, deixando os arsenalistas com uma tarefa ainda mais difícil para a Pedreira. Numa desatenção coletiva dos braguistas, o lateral Makreckis subiu e entregou o golo de bandeja a Joseph, numa jogada vertical.

Negativo: produção ofensiva do Sp. Braga

O adversário jogava em 5-3-2? Sim senhor. Mas o domínio de posse de bola dos arsenalistas tem de traduzir-se em mais perigo. Ricardo Horta baixava bastante, Pau Victor ficava perdido no meio dos centrais e Zalazar tentava irromper à lei da velocidade, mas sempre sem ligação. A conexão parece perder-se no meio-campo.