As perguntas sucediam-se na cabeça do guarda-redes de 23 anos. «Será que a bola entrou, será que não entrou, será que estou a sonhar, será que não estou? Nem sabia bem o que pensar». Os gritos dos adeptos nas bancadas confirmaram mesmo que a bola entrara na baliza de Palatsi. «Fiquei sem reacção», revela. «Nem sabia como festejar. Nunca tinha marcado um golo e nunca tinha pensado como havia de festejar se marcasse um».

«Engraçado que o Palatsi já tinha marcado um golo assim»

Lá se lembrou então de correr ao encontro dos companheiros. Para trás ficara uma jogada da qual não se vai esquecer tão depressa. «Começou com um atraso do Figueiredo que me deixou pressionado por um avançado do Moreirense», lembra. Bati logo a bola com força para a afastar daquela zona de perigo, apanhei-a bem, ela tomou muita velocidade, ganhou força também por causa do vento forte, bateu no chão, fez um efeito estranho e passou por cima do Palatsi. Ele ainda correu para ver se evitava que ela entrasse na baliza, mas entrou mesmo». Um alívio cheio de felicidade. «Há remates que saem melhor do que outros, este saiu muito bem. Graças a Deus».

Graças a Deus para Ricardo. Para Palatsi, que estava do outro lado do campo na baliza do Moreirense, nem tanto. «Engraçado que ele já tinha marcado um golo assim quando estava no V. Guimarães contra o Moreirense e agora aconteceu-lhe ser ele a sofrer um, também no Moreirense. Espero que não me aconteça agora sofrer eu um golo assim», sorri. «No final cumprimentei-o, falei com ele, disse-lhe que eram coisas que aconteciam, que eram raras mas que faziam parte do futebol». De pouco parece ter servido. «Ele estava muito abatido e percebe-se que estivesse. Para um guarda-redes deve ser a pior coisa que pode acontecer. Tão cedo não vai esquecer isto tudo».

«Havia gente a pedir-me para rematar sempre»

Nem Palatsi nem Ricardo, de resto. Aos 23 anos o guarda-redes vive o momento mais mediático da carreira. «Também ainda sou novo», lembra. Ele que cumpre a terceira época no plantel principal do Varzim, depois de ter sido formado na escolas do clube e de ter estado uma época emprestado aos amadores do Ferradelos. «O ano passado fiz os dois últimos jogos do campeonato e esta época estou a jogar desde a 13ª jornada». Tem uma longa carreira pela frente, portanto, mas duvida que volte a marcar um golo assim. «Estas coisas acontecem uma vez na vida». Os adeptos não pensam o mesmo. «Notei que quando ia bater um pontapé de baliza ou quando estava com a bola na mão gerava-se um enorme burburinho no estádio. Havia gente que me pedia para rematar», sorri.