Depois do Adeus é uma rubrica do Maisfutebol dedicada à vida de ex-jogadores após o final das suas carreiras. O que acontece quando penduram as chuteiras? Como passam os seus dias? O dinheiro ganho ao longo dos anos chega para subsistir? Confira os testemunhos, de forma regular, no Maisfutebol.



«O sonho transformou-se em pesadelo.»

Maisfutebol

«O Mantorras podia ter evitado aquilo, claramente. Só que ele vivia um momento de grande pressão, esse jogo seguiu-se ao famoso jogo do ‘deixem jogar o Mantorras’, na Póvoa do Varzim, na primeira jornada. Acabei por sair muito prejudicado, não só na carreira como na vida. Não tenho uma vida normal.»

AQUI



«Do acidente, nota-se sobretudo a sonolência, que é o pior. A sonolência, a perda de visão e as mudanças de humor.»



«Depois daquele jogo, quem acompanhava o Ivo já percebia que havia nele um receio inconsciente. Estávamos habituados a um Ivo sem medos. Mas ao longo dos anos foi-se tornando evidente algo mais, problemas sérios que se foram agravando. Segundo os médicos, é normal estes efeitos começarem a aparecer a médio prazo depois de um traumatismo crânio-encefálico.»



«Logicamente que se fosse ao contrário, se eu estivesse no Benfica e ele no Salgueiros, claro que eu teria agora uma pensão vitalícia e se calhar ele não. Sinto-me injustiçado porque sinto efeitos de um traumatismo com 14 anos. Deixei de jogar futebol em 2013 porque já não sou o mesmo, e sinto que isso é por causa dos efeitos da lesão. Infelizmente fui mal acompanhado.»





«No Maia não recebi um único mês, já depois de ter ficado nove meses sem receber no Salgueiros. Foi nessa altura, em 2006, que dei a volta ao texto e decidi terminar a carreira de forma profissional. Tinha 27 anos.»



«Tive de experimentar outras coisas Comecei por trabalhar numa empresa de velas, na parte comercial, durante cerca de três anos. Depois estabeleci-me por conta própria, também com uma loja de velas, mas entretanto surgiu uma oportunidade no CTT Expresso. A conjetura não é favorável a pequenos negócios e estou nesta função há cerca de dois anos.»

Ivo: «Foi uma carreira boa, fora do alcance de muitos»





«Ainda estamos a lutar por isso mas, quanto meti o processo, um tribunal considerou que o caso tinha prescrito, embora saibamos que há outros processos em que não foi assim.»



«Depois da ausência do futebol para por as ideias no sítio, iniciei esta carreira como sempre foi minha ideia. E decidi que teria de ser na freguesia onde dei os primeiros passos. Tive outros convites mas pensei sempre que iria começar em Gondim. E aqui estou, feliz nesta nova etapa.»

Ivo: alegria renovada a treinar guarda-redes em Gondim