Depois do Adeus é uma rubrica do Maisfutebol dedicada à vida de ex-jogadores após o final das suas carreiras. O que acontece quando penduram as chuteiras? Como passam os seus dias? Confira os testemunhos, de forma regular, no Maisfutebol.







«Não sou pessoa de andar a pedir favores e acabei por me afastar do futebol. Comecei por trabalhar como funcionário da empresa de representação de uma marca desportiva mas senti que precisava de um rendimento fixo e surgiu esta oportunidade como segurança no Almada Fórum.»



«São muitas horas, é certo, mas tenho duas mãos e duas pernas para trabalhar e é isso que faço, sem problemas. Claro que ao início tinha pessoas que olhavam para mim e pensavam no que estava a fazer ali, como segurança num centro comercial, depois de ter sido jogador. Mas precisava de estabilidade, tenho família e há sempre contas por pagar, portanto há cinco anos que tenho este emprego e não me arrependo.»





«Fui treinador-adjunto no Olivais e Moscavide mas as coisas não correram da melhor forma e percebi entretanto que não podia ficar à espera de outra oportunidade. Tive de cair na real. Pode ser que no futuro volte, claro que gostava, mas para já a minha realidade é esta.»



«Passa pela venda de equipamentos e já temos algumas equipas da Liga: V. Guimarães, Académica e, na próxima época, o Marítimo. Gosto dessa atividade, cheguei a exercê-la a tempo inteiro mas tive de procurar algo mais entretanto. E quando se abdica dos estudos para se dedicar ao futebol, como me dediquei em 16 anos como profissional, há poucas alternativas. Temos de nos agarrar ao que aparece.»



«É um trabalho por turnos, ainda hoje por exemplo vou entrar à meia-noite. E não dá para dormir ali! Há sempre coisas a acontecer. Estamos capacitados para primeiros-socorros, para usar desfibrilhadores, para lidar com incêndios e somos sempre os primeiros a agir.»

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«Já tivemos vários carros a incendiar-se no parque de estacionamento e felizmente resolvemos sempre a situação, nunca tivemos de chamar os bombeiros. Para além disso, o mais habitual é lidar com roubos e também com os grupos que vão aparecendo, de 30 ou 40 jovens, para arranjar problemas.»



«Arrependo-me de não ter continuado em Inglaterra»







«Tínhamos um acordo assinado com o Belenenses, estava tudo tratado, mas houve eleições entretanto e gerou-se ali uma confusão, a transferência caiu por terra. O Estoril pediu 90 mil contos pelos dois, não sei se foi por isso. Foi pena porque na altura o Belenenses estava bem na Liga.»







«O primeiro ano no Stockport County foi muito bom, só que entretanto fiquei marcado uma lesão grave. Fraturei a tíbia e o perónio, tinha 25 anos e estive quase dois sem jogar, numa altura decisiva da carreira.»



«Arrependo-me de não ter continuado em Inglaterra. O segundo ano no clube foi difícil por causa da lesão e acabei por regressar a Portugal, mas penso que a minha carreira teria sido diferente se tivesse continuado lá, onde fui mais reconhecido.»





«Só comecei a ser utilizado com maior frequência na segunda volta da primeira temporada e até como lateral direito. Aliás, começaram a olhar para mim como um jogador polivalente e não como o avançado que sempre fui. Passei a extremo, a médio, a lateral, enfim, de tudo um pouco.»



«Esperava mais da minha carreira, sobretudo depois daquele ano no Estoril e a passagem pelo Stockport. Mas enfim, não foi possível e sou pouco de me agarrar ao passado. Ficam as memórias e a certeza de que tenho de olhar em frente, sabendo que ainda tenho objetivos para cumprir.»