Depois do Adeus é uma rubrica do Maisfutebol dedicada à vida de ex-jogadores após o final das suas carreiras. O que acontece quando penduram as chuteiras? Como passam os seus dias? Confira os testemunhos, de forma regular.













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«Tenho família no ramo da aviação e naquela altura fui pela cabeça, não pelo coração. Estava num ponto mediano, no Esmoriz, e pensei que já não voltaria ao mais alto nível. Como o limite de idade na maior parte das companhias aéreas são os 25 anos, tive de decidir nesse momento.»



«Até o meu treinador no Esmoriz, Caetano, deu-me os parabéns por isso, sabe que foi difícil. As pessoas vivem com a ilusão de que o futebol é para sempre mas eu sabia que não. Talvez ainda pudesse chegar a outro nível, quem sabe, embora não me arrependa.»



«Um dos meus erros foi sair de Inglaterra após o primeiro ano no Chelsea. Lá valoriza-se mais o jogador, ao contrário de aqui. Queriam emprestar-me ao Queens Park Rangers, continuaria ligado ao Chelsea, mas o ano tinha sido difícil, estava sozinho em Londres, com um clima escuro, e optei por regressar ao futebol português.»



«Estive muito tempo no FC Porto, estava habituado a jogar e a ser capitão de equipa, mas chegando aos juniores, sendo júnior de primeiro ano, percebi que João Pinto preferia os jogadores mais velhos. No final dessa época, sabendo que ele ia continuar, optei por encontrar outro rumo. Saí por opção.»



«Amadeu Paixão tinha boas ligações em Inglaterra e queria-me no Fulham, mas falei com ele e quis ir treinar ao Chelsea, onde estava outro português, o Filipe Oliveira. Gostaram de mim e acabei por assinar contrato.»





«Mesmo assim, tinha uma grande força e pude treinar com jogadores como Terry ou Lampard. O Lampard é calado, mas o Terry falava muito, apoiava bastante os jovens. Depois havia ainda o Jimmy, que tinha jogado em Portugal, o Zenden, Zola e um treinador consagrado: Ranieri.»



«Depois do Penafiel, Jorge Regadas falou comigo e disse-me para ir para o Paredes e que depois ele me iria levar para o FC Marco, novamente na II Liga. E assim foi. Tínhamos grande equipa, mas começaram os problemas financeiros e tudo desmoronou. Seguiram-se duas épocas no Esmoriz, na II Divisão B, e a tal decisão que mudou a minha vida.»



«Nos voos de e para a Madeira costumo apanhar muitos jogadores que estão na II Liga, ou no Campeonato Nacional de Seniores, e percebo que têm dificuldades por salários em atraso. Nesse sentido, posso dizer que a estabilidade que tenho me dá um grande conforto.»



«Ainda recentemente apanhei o Hugo Almeida, que jogou comigo, o Yannick Djaló e o Manuel Fernandes a vir da Rússia e falei bastante com eles. Noutra viagem foi o João Moutinho. Dá para matar saudades. O futebol completou-me naquela altura, mas posso dizer que hoje em dia venho sempre trabalhar com um sorriso.»





«Comecei com viagens de médio curso mas agora faço médio e longo curso. É esse o passo seguinte, onde me encontro, depois vêm as viagens apenas de longo curso e as posições de chefia. Curiosamente, nas viagens longas também somos onze: dois pilotos e nove assistentes. E temos muitos treinos para estarmos afinados.»

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«Já conheci muitos países graças a isso, seja na Europa, em África, no continente americano….Falta-me apenas a parte da Ásia, veremos se com a privatização da TAP teremos viagens para lá. Gosto muito do que faço, adoro o convívio com pessoas e o encontro de culturas. Sou feliz.»