Depois do Adeus é uma rubrica do Maisfutebol dedicada à vida de ex-jogadores após o final das suas carreiras. O que acontece quando penduram as chuteiras? Como passam os seus dias? Confira os testemunhos, de forma regular.

Maisfutebolque relatou a história de uma promessa do Futebol e da Engenharia

«Já viste, podias ser o senhor engenheiro, andar de fato e gravata. Em vez disso andas no futebol a ser insultado.»



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«Formei-me em Engenharia Eletrotécnica, optando pelo ramo da Energia, mas atualmente trabalho na área das Telecomunicações. Estive numa empresa de auditorias energéticas, fiz um estágio na Galp, depois tirei dois/três meses para refletir e decidi apostar na área de sistemas de informação e telecomunicações.»



«A empresa onde estou, Celfocus, trabalha com Vodafones de vários países e neste momento estou na área de suporte da Vodafone Gana, como CRM. No fundo, estou dedicado à resolução de problemas comunicados por clientes. Sinto-me plenamente realizado.»



«O primeiro emprego custou-me mesmo muito, foi uma chapada. Um jogador trabalha duas horas por dias, durante a semana, a fazer o que gosta. Entretanto, passei a trabalhar das 9h00 às 19h00, com muito mais responsabilidades do que dar uns toques numa bola. Mas não me queixo. O que custou mesmo foi já ter sido aconselhado a tirar do currículo o facto de ter sido jogador profissional de futebol, já que estes vão vistos como preguiçosos.»



Um par de centímetros nas pernas a arruinar uma carreira



«Descobri que tenho uma diferença de cerca de 2 centímetros nos membros inferiores e essa deverá ser a causa de todos os problemas físicos que tive.»



«Voltei a jogar no Padroense, enquanto fazia o curso na FEUP, até que surgiu a possibilidade de regressar ao Leixões, em 2009. Nessa altura voltou o sonho do futebol profissional. Defrontei os grandes, a época correu-me muito bem, fui bastante elogiado e senti que podia ter futuro.»



«No primeiro jogo da época seguinte, na Trofa, na estreia como capitão da equipa, voltei a lesionar-me e acabei por fazer apenas três jogos durante toda a temporada. Sentia dores na anca, nos adutores, no púbis, enfim, era horrível. Decidi fazer um tratamento de seis meses com Rodolfo Moura, mas a verdade é que quando voltei continuava a sentir dores.»



A criança a quem deram e tiraram a guloseima



«Fiz tudo o que podia mas sentia que já não era o mesmo. Não queria andar a enganar ninguém. Ainda me propuseram renovar pelo Leixões, tive igualmente uma proposta do Trofense mas tinha chegado a hora. A hora de parar.»



«Os médicos disseram-me que se continuasse a jogar futebol, como profissional, nem conseguiria andar direito quando chegasse aos 30 anos. Foi como uma criança a quem dão uma guloseima e lha tiram logo a seguir. Durante esse processo, nunca procurei um psicólogo ou tive apoio do clube, mas tomei a decisão necessária.»



«Na época passada ainda fui desafiado pelas pessoas do Padroense a voltar, como amador, já que a equipa estava nos Distritais. Mas durou pouco, fiz alguns jogos, lesionei-me de novo e nessa altura surgiu o convite da empresa atual, que implicava ir alguns meses para Lisboa. Assim fiz. Atualmente trabalho nas instalações do Porto e vivo como uma pessoa 'normal'.»







«A minha saída é esta, a área profissional em que me encontro tem muito futuro, mas continuo a ter paixão pelo futebol e gostava muito de vir a lidar com uma equipa, quer na parte desportiva, quer na vertente empresarial, nas horas vagas.»