Depois do Adeus é uma rubrica do Maisfutebol dedicada à vida de ex-jogadores após o final das suas carreiras. O que acontece quando penduram as chuteiras? Confira os testemunhos, de forma regular, no Maisfutebol.









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«De facto, não tenho conhecimento de mais antigos jogadores de futebol que sejam médicos, embora saiba de vários casos de outros desportos. Felizmente, tive pais que sempre frisaram a importância de uma alternativa e, quando saí do Benfica, apostei no curso, continuando a jogar futebol mas como amador.»





«Faltavam-me quatro décimas para entrar em Medicina e compensou-me o facto de ter o estatuto de atleta de alta competição, já que era internacional. Consegui entrar mas, estando no Benfica, nessa altura era muito difícil conciliar, porque às vezes tínhamos treinos bidiários. Nunca deixei de pagar as propinas, fui às aulas e fiz algumas cadeiras.»



«Tive a possibilidade de continuar como profissional, em Chipre e Espanha, mas não se concretizou e nessa altura decidi apostar mais no curso. Percebi que se calhar já não ia chegar ao nível mais alto e tinha de pensar no meu futuro. Aos 22 anos, escolhi esse caminho, acelerei o curso de Medicina e passei a jogar como amador.»



«Terminei o curso em 2012 e estou a trabalhar há três anos. Não foi fácil, porque nos primeiros anos perdi ritmos de estudo, mas consegui e isso é um motivo de orgulho, para mim e os meus pais. Atualmente, estou no Centro Hospital Barreiro-Montijo como interno de Pneumologia, uma área que me foi cativando.»



«Vou jogando com amigos e, se voltar um dia ao futebol, será como médico. Adoro o que faço, embora a crise também tenha chegado ao Serviço Nacional de Saúde, com um número cada vez mais reduzido de profissionais em comparação com o número de doentes, significando um decréscimo de qualidade nos cuidados.»

Os golos e o único título do Benfica nas divisões inferiores



«Sou benfiquista e acompanho sempre os jogos, vou ao estádio quando posso, foi um orgulho vestir aquela camisola mas não esqueço os outros clubes que representei, sobretudo aquele que mais que marcou, o Barreirense. Estou orgulhoso do que consegui. Fui internacional, tive contrato profissional com o Benfica, trabalhei com a equipa principal e estive em duas convocatórias, embora tenha acabado por ficar na bancada.»







«Foi pena, mas convivi com jogadores de topo. Infelizmente, nesse ano perdemos o Miki Fehér, uma situação trágica e que muito me marcou. Ainda por cima, tínhamos perdido pouco tempo antes outro jogador que conhecia bem: o Bruno Baião.»



«O meu melhor registo foram 20 golos numa época em que não joguei sempre. E não esqueço o ano em que fomos campeões da III Divisão, com a equipa B. A verdade é que é o único título do Benfica nas divisões inferiores.»



«Por um lado, eu era avançado, uma posição ingrata no futebol português. E o Benfica desses anos estava numa fase difícil, em que pouco aproveitou os seus valores. Aliás, nessa fase surgiram apenas dois jogadores a fazer o percurso até à equipa principal: João Pereira e Manuel Fernandes. Mas fui feliz naquela casa e as recordações ficarão para sempre.»