O que aconteceu este sábado entre o seleccionador nacional e um comentador desportivo é grave.

Porque não é suposto o treinador de uma Federação agredir seja quem for e porque exemplifica a forma como Carlos Queiroz lida com a crítica.

De resto, este incidente é sinal dos tempos. Basta pensarmos no comportamento do primeiro-ministro português para entendermos a dificuldade que certas figuras públicas, algumas com elevadas responsabilidades, sentem quando chamadas a conviver com as críticas nos media.

Os exemplos surgem um pouco de todos os campos. Já tivemos banqueiros que cortaram campanhas publicitárias em jornais incómodos, dirigentes desportivos que mandaram bater em jornalistas, clubes que impediram (e impedem) o acesso à informação de órgãos de comunicação social.

Em graus diferentes e em registos também distintos, tudo se resume ao mesmo: a informação é um bem muito valioso e controlá-la é hoje, com a multiplicidade de plataformas e vozes, mais difícil do que nunca.

Se uns convivem de forma mais inteligente com as críticas, outros nem por isso.

Carlos Queiroz está entre os que consideram que discordar das suas opções ou palavras é um ataque pessoal. Está errado, claro. Mas não sabe, assim como não sabe muitas outras coisas.

Aparentemente, eu faço parte desse grupo, o que me valeu há uns meses um episódio desagradável que agora partilho com o leitor para que compreenda a forma de pensar e actuar do seleccionador. E para que entenda que o sucedido com Jorge Baptista este sábado não foi uma excepção, apenas uma face mais garrida da mesma moeda.

Convidado para uma reunião de trabalho sobre Futsal na Federação, aguardava autorização para subir quando o seleccionador passou por mim, voltou atrás e começou a questionar o que tinha escrito sobre ele, mais os comentários a jogos da selecção e outras coisas do género.

Num tom de voz elevado, Queiroz manteve-se de pé, enquanto eu e o colega que me acompanhava permanecemos sentados, espantados com a falta de educação de um funcionário da federação que trata mal um convidado.

O episódio terminou com Carlos Queiroz, acompanhado por Dan Gaspar, a seguir para a garagem da FPF, enquanto Sebastião Lobo, responsável da FPF, nos conduzia à reunião. Não houve agressão física, nem insulto.

Não precisava desse episódio para ter dúvidas quanto à qualificação de Carlos Queiroz para um lugar que exige competência e educação. Nessa tarde espantou-me que uma pessoa tão experiente pudesse perder o controlo com semelhante facilidade.

Confesso que depois do apuramento para o Mundial 2010 pensava que o seleccionador estaria mais calmo e ponderado. Não mais educado ou preparado para aceitar as críticas. Apenas mais tranquilo. Parece que não, pelo contrário.

No actual momento que se vive em Portugal, é provável que Queiroz acabe por receber comentários elogiosos. Afinal, abater jornalistas é o desporto da moda.