Há 24 anos, o Boavista parecia tocar o céu: o título de campeão nacional interrompia a longa ditadura dos três grandes e parecia ser o culminar de um processo de crescimento sustentado, depois das «ameaças» de anos anteriores, das conquistas na Taça de Portugal das décadas de 1970 e 90 e de algumas boas campanhas europeias – incluindo a estreia na Liga dos Campeões.
Nos anos seguintes, o Boavista chegou mesmo a brilhar na UEFA, o que reforçava a ideia de um caminho seguro rumo ao topo do futebol português.
Nessas décadas, brilharam jogadores e treinadores, sonharam dirigentes e adeptos. Acima de tudo, criou-se a imagem de um clube sólido e estável. Responsável.
A queda, no entanto, foi grande e abrupta. Desde a meia-final da Taça UEFA de 2003 que o Boavista não voltou à Europa; a construção do novo estádio – um dos palcos do Euro 2004 – parece ter sido um passo maior do que a perna; há quem marque aí o início do processo de declínio financeiro do clube e da SAD. A dívida à empresa construtora é, ainda hoje, maior do que o custo que foi anunciado há 20 anos!
Os processos na justiça desportiva (a despromoção e posterior reintegração no escalão principal) e o acumular de dívidas acabaram por criar um poço sem fundo.
O Boavista tem vivido, apesar do esforço de algumas pessoas que acreditavam poder recuperar o clube, numa espiral de destruição, numa longa agonia financeira que acabaria, mais cedo ou mais tarde, por ter um desfecho triste.
Não é o primeiro histórico a cair. Não será, provavelmente, o último. Não será também a última parceria com «investidores» que acaba por correr mal. Mas é penoso ver o ponto a que chegou a instituição, agora também envolvida em suspeitas de crimes financeiros.
A publicação de Rui Casaca (tantos anos no Bessa…) nas redes sociais dá voz ao sentimento de imensos boavisteiros de verdade que nunca imaginaram assistir ao que se passa por estes dias. Esses, os que dignificaram o emblema de xadrez, dentro ou fora de campo, não mereciam isto.