Não há rumo que se veja no Dragão. E o clássico foi apenas mais um tom abaixo na desgarrada e desafinada sinfonia dos portistas até ao final da época.

Julen Lopetegui está longe de ser o único responsável no tempo em que esteve no FC Porto, e ainda menos o será desde que saiu.

Não era o treinador perfeito, se é que isso existe, teve falhas e um discurso intragável, sempre a desculpar-se com arbitragens – algo que continua agora, com outro ator –, mas faltaram-lhe soluções, sobretudo a nível defensivo. O plantel sempre pareceu incompleto, e o espanhol foi incapaz de inventar soluções.

A culpa também não é exclusiva de José Peseiro, mas falhou. Na imagem que passou, no discurso, no futebol apresentado, nos resultados. Teve poucos ovos para as omeletas que precisava, mas foi o desafio que aceitou.

Foi ainda pior que Lopetegui. Basta olhar para as derrotas. Os números castigam-no.

A estrutura teima em demorar a acertar nas escolhas, e parece não conseguir grandes meios para colocar-lhes à disposição. E a visão para o futuro ainda se apresenta turva.

A estrutura falhou mais do que todos os outros.

O falhanço está longe de poder ser explicado com arbitragens. Nem sequer em parte.

Os próximos tempos, conquiste-se ou não a Taça de Portugal, vai obrigar a um desafio que tem de ser ganho por Pinto da Costa e companhia: reforçar o plantel a ponto de poder lutar de igual para igual com os rivais – e não só em qualidade, mas também em capacidade de influenciar positivamente os que ficarem e em quantidade (todos os setores precisarão de algum sangue novo) – ou, não havendo capacidade para tal e achando-se que o atual não reúne essas características, encontrar um treinador capaz de fazer muito com pouco. E esses não abundam.

Quanto mais tempo passa, mais sai reforçada a imagem. Onde está o rumo do Dragão?

 

LUÍS MATEUS é subdiretor do Maisfutebol e pode segui-lo no TWITTER. Além do espaço «Sobe e Desce», é ainda responsável pelas crónicas «Era Capaz de Viver na Bombonera» e «Não crucifiquem mais o Barbosa» e pela rubrica «Anatomia de um Jogo».