Neste Euro-2012 há um jogador que está a irritar-me, e nem sequer foi inscrito.
Chama-se Messi.
A culpa não é dele, claro.
É de quem o leva para todos os treinos, todas as conferências, todos os estádios onde está Portugal, onde aparece Cristiano Ronaldo.
Estou farto de Messi, de ouvir falar em Messi, de ver Messi chamado por tudo e por nada.
Eu sou jornalista e por definição acho que todas as perguntas podem e devem ser feitas. Não percebo é a relevância do tema. Por que estamos sempre a pensar em Messi quando olhamos para Ronaldo?
Isto é um Campeonato da Europa, a eleição do melhor do mundo será em janeiro de 2013 e, tenho uma novidade, é uma coisa que interessa no máximo a duas pessoas. Adivinharam, Ronaldo e Messi.
É evidente que Ronaldo tem responsabilidade.
Se o mundo percebesse o meu ponto fraco (quer dizer, tenho vários...) e aproveitasse cada oportunidade para o exibir, ficaria no mínimo aborrecido. E no máximo sem vontade de sair de casa.
Eu sei que é isso que acontece com Ronaldo. Quando querem irritá-lo, todos (sim, todos, da Ucrânia à Dinamarca; haverá algum país onde num café não se liguem os dois nomes?), dizia eu todos, sabem que basta soletrar Messi e ficar à espera. A reação aparecerá. E com ela mais uma legião de tipos que gritam «Estão a ver como ele é?». E nova reação, por aí fora.
Foi isso que sucedeu depois do Dinamarca-Portugal. E foi pena que mais uma vez Ronaldo não tivesse conseguido ser mais forte do que o seu ponto fraco. E tenha dito o que disse, provocando mais uma onda de comentários jocosos e contribuindo para que no próximo estádio pelo menos um tipo se levante e grite Messi!, num sotaque levemente holandês.
Na verdade, não tenho grande coisa a ver com o assunto. No limite é um problema de Ronaldo. Mas irrita-me que ele, tão bom em tanta coisa, não consiga lidar com o tema. Até porque isto, como os lances de bola parada, é algo que se treina. Alguém se importa de o ajudar? É que já não se aguenta tanto Messi no Euro-2012.