O Sporting foi recebido no regresso de Florença por um pequeno grupo de contestatários, numa situação que Paulo Bento considera não ser «normal». O treinador diz que conhece os «actores», porque os viu, mas diz desconhecer o «realizador» e o «patrocinador» dessa iniciativa. O técnico diz ainda que a pressão é normal, num clube como o Sporting, mas lamenta que os mais atingidos acabem por ser os jogadores.
«Quem está no Sporting deve ter uma exigência muito grande e deve estar preparado para suportar a pressão. Alguma dela faz falta. Não devemos viver sem pressão, muito menos num clube com o Sporting. O que já não acho muito normal, é que após uma eliminatória, onde não fomos brilhantes, possamos ser recebidos de má maneira, nem que fosse por uma pessoa. Não me interessa se são três se são quatro. Depois de alcançar o objectivo de garantir a Liga Europa e continuar a lutar pela Liga dos Campeões, não me parece normal», começou por destacar.
Uma situação que o treinador já esperava, mesmo antes de aterrar em Lisboa. «Quem trabalha comigo e quem está acima de mim, não pode dizer que eu não perspectivava uma situação dessas. O cenário está montado. Sei quem são os actores, porque os vi de alguma maneira, mas não sei quem é o realizador, nem o patrocinador. Também não estou interessado em saber. Vou continuar a orientar a equipa e a vir com a mesma disponibilidade e com a mesma motivação. Não tenho nenhum problema em encarar esse tipo de pressão. Se me disserem que é normal, eu acho que não. Muito menos para um grupo que não tem níveis de maturidade suficiente para encarar essas situações», defendeu.
O técnico diz que ficou «orgulhoso» pela forma como a equipa se bateu em Florença, por isso não entende a contestação à equipa. «Também não me parece normal, depois de sairmos da Liga dos Campeões e da maneira em como saímos. Temos de lutar pelos objectivos, mas nem sempre os alcançamos. Há várias formas de perder e nós fizemo-lo de uma forma que a mim me deixou satisfeito e orgulhoso. Nestes dois meses de trabalho não tenho, em questões de atitude, nada em ternos colectivos a dizer do grupo que oriento. Saberemos dar uma resposta no jogo de amanhã», destacou.
Neste sentido, Paulo Bento pediu aos jogadores para ignorarem a pressão exterior e concentrarem-se apenas nos objectivos dentro de campo. «Temos de colocar uma barreira no interior daquilo que é o exterior para os jogadores se libertarem e trabalharem bem. Essa pressão acaba por atingir mais os jogadores do que o treinador, porque são eles que vão executar dentro de campo», acrescentou.
Depois de cinco empates e uma derrota, Paulo Bento espera colocar um ponto final na crise de resultados já este domingo. «O prazo normal é sempre o próximo jogo. Quando há um mau resultado queremos sempre no próximo jogo rectificá-lo. Numa série de resultados que não é boa, com algumas exibições que também não são boas, a única coisa que temos de fazer é aproveitar as coisas boas que fizemos no último jogo e focalizarmo-nos no objectivo. As coisas retomam muitas vezes o caminho normal com uma vitória, é isso que temos de ir à procura», explicou.
Para isso, é preciso evitar os erros cometidos nos jogos anteriores. «É importante não correr atrás do prejuízo, é importante não ter momentos adversos no início do jogo. Temos de saber que temos tido capacidade para rectificar os resultados. O único jogo em que não o conseguimos foi frente a Braga. Acredito que amanhã a nossa postura será melhor em Coimbra do que foi frente ao Braga», acrescentou.