Decorria, mais coisa menos coisa, o minuto 63 do último F.C. Porto - Académica, quando, numa jogada mais ríspida, Bruno Alves derrubou Sougou e, com este no chão, acabou por atingir o adversário na cabeça. O lance é digno de várias interpretações, como quase tudo no futebol, ficando no ar a dúvida se o árbitro da partida deveria ter sancionado disciplinarmente o internacional português.
Convidado a recordar o lance, o senegalês da Briosa começa por lembrar que o central portista é um jogador que tem uma forma muito própria se jogar mas sem intenções maldosas. «O Bruno é um jogador muito físico, que dá tudo em cada lance. É a maneira de jogar dele. Trata-se de um profissional e não joga para aleijar os colegas. Agora, se foi uma intervenção irregular ou não, deixo isso, como sempre, para os árbitros», confessa o avançado ao Maisfutebol, sublinhando o facto de não ser do seu feitio «crucificar os juízes».
Bruno Alves e Sougou até tiveram oportunidade de conversar no final da partida. «Eu já o conheço e falámos um pouco quando acabou o jogo. Não sei dizer se houve falta ou não, mas também não sou de vir mais tarde chorar por causa destas coisas. No geral, penso que houve fair-play e as equipas respeitaram-se», acrescentou.
«Estamos no bom caminho»
Apesar da derrota, a Académica deixou indicações positivas, obrigando os campeões nacionais a soar para conseguir os três pontos. «Mostrámos vontade e alegria. Fomos organizados e, ao contrário de outras equipas, não estacionámos o autocarro à frente da baliza, tentámos defender mais à frente, sem medo. Penso que mostrámos maturidade e carácter. Foi uma exibição muito encorajadora para o futuro», garante o extremo africano, que lamenta apenas a desconcentração e o impacto que o primeiro golo teve sobre a equipa.
André Villas Boas chegou a Coimbra há menos de duas semanas e, por isso mesmo, precisa de mais tempo para ter uma equipa à sua imagem. Pouco a pouco, as ideias do novo técnico estão a chegar aos jogadores e, na opinião de Sougou, só há motivos para melhorar: «Estes processos demoram mas já mostrámos que estamos no bom caminho. Estamos a assimilar os novos métodos e acredito que no futuro é que se verá a verdadeira Académica. Por enquanto, precisamos de ganhar jogos, seja em casa ou fora, para sairmos desta situação porque não merecemos estar no último lugar.»