Campeão de Inverno, líder da surpresa, rei mago no Natal do futebol português. O Sp. Braga ostenta e merece todos estes epítetos. Com mais ou menos sorte, mais ou menos mérito, em quebra ou não. A equipa de Domingos Paciência completou em Paços de Ferreira uma primeira fase fantástica neste campeonato e voltou às vitórias, depois de duas jornadas a empatar.
Domingos: «O Natal em Braga vai ser melhor»Um golo de Meyong no escurecer do primeiro tempo endossou os três pontos aos minhotos. O camaronês já não marcava desde a quarta jornada e cabeceou com categoria a desconfiança para longe. Criteriosa, inteligente, competitiva e suficientemente cínica. A formação do Sp. Braga voltou a ser aquilo que tem sido ao longo desta liga.
Este ano, a quadra natalícia na Cidade dos Arcebispos vai ser mais vermelha do que nunca. Coloquem-se umas barbas brancas no emblema do Sp. Braga e está encontrado o Pai Natal perfeito.
Um cabeceamento que fez toda a diferença
Sofrer, sofrer e, já agora, sofrer mais um pouco. Três condições sine qua non para qualquer conjunto conquistar a Mata Real. Tal como havíamos escrito na antevisão a este encontro, o Sp. Braga teria de passar pela provação, pela agrura, pela via sacra do futebol pragmático e objectivo.
Os destaques na Mata RealFoi isso que sucedeu. Não houve espaço nem tempo para lances de encantar ou histórias para adormecer. Sentidos sempre alertas, sinal de alarme constantemente accionado e luta, luta do princípio ao fim entre contendores dignos e ambiciosos.
Valha a verdade, a vitória podia ter caído para qualquer lado. O Paços não foi inferior ao Sp. Braga. Igualou o líder em quase todos os items do jogo e pecou somente na ânsia excessiva sempre que pôde rematar à baliza.
Numa peleja sem grandes oportunidades de golo, o desvelo de Meyong naquele cabeceamento em cima do tempo de descanso fez toda a diferença.
Tragam um sofá e já agora as pantufas
Basta de sofrimento, venha o doce relaxamento. O Sp. Braga fica agora de pantufas no sofá a ver o que fazem Benfica e Porto no domingo. O trabalho dos homens de Domingos está feito. Agora é saborear este título simbólico.
Quanto ao Paços, é justo referenciar os sintomas de crescimento que vem apresentado. Não venceu, mas deu luta até ao último suspiro da partida. Os castores vão de férias numa posição relativamente tranquila e com matéria-prima suficiente para uma segunda metade de época tranquila.
Em Paços, acabou por vencer o líder. Num pormenor, numa concretização primorosa de Meyong. Nos restantes 99,9% do tempo de jogo os conjuntos equivaleram-se.