O Sporting está esta quinta-feira em Poltava, nas margens do Rio Vorskla, que dá nome ao clube da cidade, para mais um duelo europeu, a contar para a Liga Europa, frente ao 3.º classificado do último campeonato ucraniano.

O Vorskla Poltava não é uma equipa de topo nem sequer no futebol do seu país, mas o trajeto fantástico na última época permitiu aos Zeleno-Bili (verdes e brancos) estar na fase de grupos de uma prova europeia pela segunda vez na história.

Mas o Vorskla não é um desconhecido do futebol português e o Sporting será o terceiro adversário luso.

A equipa ucraniana já enfrentou Boavista, na longínqua época de 2000/2001 para a Taça UEFA (dupla vitória portuguesa na 1.ª ronda) e Benfica, em 2009/10 no playoff de acesso à Liga Europa.

As águias, de Jorge Jesus, seguiram em frente, mas não se livraram do susto, já que na visita ao Oleksiy Butovsky, na 1.ª mão, perderam por 2-1.

E quem marcou o primeiro golo da eliminatória? Vasyl Sachko.

Vasyl Sachko é o atual treinador do Vorskla Poltava, a cumprir a quinta época no clube como técnico principal, depois de ter terminado a carreira de jogador ao serviço dos Zeleno-Bili.

O atual plantel manteve quase todas as peças principais da última época, que foi de sucesso, e no onze há, normalmente, apenas uma cara nova: o lateral esquerdo Artur, que estava no Criciúma.

Onze-base: para o duelo de amanhã Kobakhidze está lesionado e deverá ser substituído por Sergiychuk 

Sachko opta por um 4-4-1-1, com Kulach, o homem que joga no apoio ao avançado, a ser um nome a ter em conta.

COMO ATACA O VORSKLA

O Vorskla é de longe a equipa mais limitada deste grupo, que tem também Arsenal e Qarabag.

No seu campeonato, os homens de Vasyl Sachko tentam assumir a posse da bola e ditar os ritmos da partida, excetuando nas partidas com Dínamo de Kiev e Shakhtar Donetsk. Nesses jogos a ideia passa mesmo por defender e tentar o contra-golpe, tal como acontecerá na Liga Europa, como ficou demonstrado com o Arsenal.

Mas é preciso ter cuidado.

Os ucranianos são bons na transição e têm duas formas de a executar bem definidas.

A mais usada é o jogo direto em Kolomoets, o ponta de lança, que é fortíssimo no jogo aéreo.

Muitas vezes, a bola vai diretamente dos defesas para ele, que combina muito bem com Kulach, o homem que joga nas suas costas e que aproveita os espaços que este deixa. E a bola entrando em Kulach, o mais provável é que venha dali um remate à baliza, já que o homem não pede licença para atirar.

Kolomoets ganhou nas alturas ao defesa do Arsenal e a bola ficou para Kulach que aproximou-se da área e rematou, embora sem sucesso.

Depois há a outra saída que o Vorskla explora e está relacionada com os corredores. Rebenok e Kobakhidze são extremos velozes e contam com as ajudas de dois laterais também acutilantes ofensivamente, Perduta e Artur. São várias as vezes que vão no 1x1 ou no 2x2 em zonas laterais do campo e conseguem cruzar com sucesso.

Será principalmente neste tipo de saídas que o Sporting terá que ter cuidado.

Em caso do Sporting não assumir o jogo e os ucranianos assumirem as rédeas do mesmo, será preciso estancar Sharpar, médio-centro que constrói bem e que organizará o jogo, procurando quase sempre Kulach entre linhas ou os dois extremos para o cruzamento.

Aliás, o cruzamento é recorrente no jogo do Poltava e aqui a equipa ucraniana é perigosa e tem posições bem definidas.

O avançado Kolomoets ataca o primeiro poste, o extremo contrário ao lado do ataque ataca o segundo poste e Kulach ocupa a entrada da área.

Kulach baixa para o cruzamento atrasado, o extremo Rebenok ataca o 2.º poste e já marcou assim esta temporada. Nota ainda para Perduta, o lateral direito que é muito ofensivo e que cruza bem.
Sempre o mesmo posicionamento. Ataque do extremo contrário ao segundo poste (Rebenok), Kulach na entrada da área e o avançado a ocupar os terrenos do 1.º poste, ainda que aqui esteja atrasado

Kulach, e recordando a sua facilidade de finalização, já fez um dos golos da época frente ao Mariupol.

Normalmente, há também um dos médios do duplo-pivot a aparecer para o remate, tal como Sharpar fez no segundo golo com o Arsenal. Tem dois de meia distância esta época.

Sharpar é o médio que aparece para finalizar o cruzamento recuado, numa zona em que está também o segundo avançado a aparecer. O avançado atacou o primeiro poste e o extremo-direito posiciona-se no sentido de atacar o segundo, embora um pouco atrasado neste lance

Detalhe importante que o Sporting tem de ter em conta é a meia distância. Muitas vezes, o Vorskla não tem arte nem engenho para entrar no último reduto dos adversários e recorre a remates de longe. Sharpar, Artur, Kobakhidze e sobretudo Kulach são os homens a ter em conta.

COMO DEFENDE O VORSKLA

O Vorskla defende com todos, mas com muitas limitações.

Tal como em posição de ataque, os homens de Sackho posicionam-se em 4-4-1-1, mas tendo em conta a valia dos oponentes, como foram já esta época Shakhtar e Arsenal, os extremos passam a laterais e defendem praticamente num 6-3-1 (com Kulach junto aos médios). Mas já lá vamos.

A equipa ucraniana tem várias imperfeições, que o Sporting pode e deve explorar. A principal será a pouca largura defensiva do Poltava, um afunilamento dos quatro defesas, que com variações rápidas de jogo, os leões podem explorar o espaço nas faixas e criar situações vantajosas para finalizar. Aliás, vários dos 15 golos sofridos do Poltava esta época estão relacionados com situações dessas, em que a bola consegue facilmente entrar nos corredores.

Preocupação com o meio, quatro defesas muito juntos. Muito espaço para alas e laterais adversários

Com a bola nos corredores, há o normal abrir dos laterais para a marcação, mas aí criam-se enormes buracos entre central e lateral. Se o Sporting conseguir arrastar os jogadores do Poltava para a largura, terá espaço também para entrar em zonas mais centrais.

Mas há mais. Antes mesmo de chegar à fase de aproveitar a largura, o Sporting pode explorar o espaço entre linhas.

Há um mundo para explorar, sobretudo se os jogadores dos leões deambularem entre posições, por exemplo com recuos de Bruno Fernandes ou dos extremos.

No início da construção do rival e, antes de encolher, o Vorskla dá muito espaço entre as duas linhas. Se o Sporting tiver este espaço, será muito fácil criar perigo.
Se o rival se for aproximando da baliza, o Vorskla encolhe bastante e não tem problemas em ter nove ou 10 jogadores dentro da sua área. No caso tem nove, incluindo o guarda-redes. São uma equipa que compensa erros táticos com vontade, entrega e sacrifício dentro de campo

No meio, o Vorskla usa e abusa de marcações individuais, algo que desorganiza a equipa e dá ao adversário espaço para jogar e decidir com tempo e bem.

Basta ver este exemplo, em que os dois médios do duplo-pivot saem a pressionar em simultâneo. E quem ficou para ocupar o espaço central? Ninguém.

Os dois saem na pressão em simultâneo, o avançado não se "ocupa" de ninguém e fica o espaço nas costas

Depois há as marcações individuais que os laterais fazem aos extremos. Quer Perduta à direita, quer sobretudo Artur à esquerda abusam desta marcação e com isso deixam muito espaço nas costas para ser explorado. Bruno Fernandes e Montero, se continuarem como titulares, podem aproveitar muito bem esta situação.

Extremo rival baixa e mesmo estando por perto do médio interior e o extremo, o lateral resolve acompanhar.

Há ainda a salientar a situação em que os extremos se juntam aos laterais para a linha de seis atrás, para evitar que os laterais basculem muito e criem espaço central, mas é algo que não melhora muito a qualidade defensiva do Poltava.

E neste contexto, o Sporting pode aproveitar os erros do extremo Rebenok, que muitas vezes se esquece da linha de fora de jogo.

A tal defesa a seis, com o extremo Rebenok a esquecer-se da linha. Por pouco não deu golo.

Artur, o lateral-esquerdo, é o principal alvo a explorar na vertente defensiva, já que taticamente é muito limitado, seja em posse seja na marcação na área a cruzamentos que partem da direita. Esquece-se facilmente dos terrenos a ocupar e do adversário a ter em conta.

Por isso, o Sporting deve aproveitar para tentar rasgar a defesa do Vorskla por aquele lado, já que o central do lado esquerdo, Chesnakov (que também pode ser médio), também comete vários erros.

Central Chesnakov sai na pressão erradamente, cria o espaço nas costas. A bola vai entrar em Aubamayeng, que fica isolado e faz golo

Outra forma do Sporting ferir o Vorskla será através da pressão à saída de bola dos ucranianos. São vários os erros de passe e controlo de bola que cometem, em especial o guarda-redes Shust. Veja como sofreram o golo com o Dínamo.

AS BOLAS PARADAS

As bolas paradas são um aspeto que o Sporting terá de ter muito em conta para bater o Vorskla, quer no ataque quer na defesa.

Ofensivamente, os homens de Sackho são fortes e têm em Kolomoets e no central Dallku dois perigos à solta. As bolas dos ucranianos são preferencialmente batidas ao segundo poste, onde os homens mais fortes se tentam impor.

Já esta época, o Vorskla ensaiou por diversas vezes um canto para a entrada da área, pedindo um remate de Kulach. Peseiro terá isso em conta.

Defensivamente, o Vorskla defende homem a homem, com apenas um jogador a ficar a marcar a zona do primeiro poste.

Marcação homem a homem, com marcação zonal ao 1.º poste

O que é que o Sporting pode explorar? Cantos ao 2.º poste.

O guarda-redes Shust tem nos cantos uma fragilidade e basta ver os jogos desta época, onde por várias vezes falhou na bola em pontapés de canto para aquela zona. Um deles já deu golo, outros deram situações de perigo.

Por fim fica uma nota interessante: o Vorskla falhou as duas grandes penalidades que dispôs nesta temporada.

Dados estatísticos do 4.º classificado da liga ucraniana

O Vorskla está numa série positiva e vem de quatro vitórias consecutivas no campeonato.

Em 11 jogos esta época (10 para a Liga e um para a Liga Europa) venceu seis e perdeu cinco, sendo que as derrotas foram todas fora de casa, três delas com Dínamo de Kiev, Shakthar Donetsk e Arsenal.

Ou seja, o Sporting tentará ser a primeira equipa a vencer no Butovsky esta temporada.

Quanto a golos, o Vorskla marcou 13 e sofreu já 15, números influenciados pelas goleadas sofridas com o Arsenal (4-2) e o Shakthar Donetsk (4-1).

Os melhores marcadores da equipa são Kulach e Sharpar com três golos cada, tendo o Vorskla já beneficiado de três autogolos. Rebenok, Chesnakov, Dallku e Careca (normalmente o substituto de Kolomoets) têm um golo cada um.

No capítulo das assistências o destaque é para o extremo-esquerdo Rebenok, que já tem três. Kulach, Perduta e Gabelyuk somam uma cada um.

Dos 13 golos marcados, apenas três são de bola parada, todos de canto. Salientar ainda que dos 13 golos, 11 foram apontados dentro de área.

Nos 15 golos sofridos, cinco foram encaixados de bola parada. Registo para apenas dois golos sofridos fora de área contra 13 dentro.