Leia a primeira parte da biografia

O Real não era ainda a grande potência destinada a dominar o universo do futebol, mas o presidente Santiago Barnabéu teve a perspicácia de contratar «la saeta rubia». Para a estreia, o adversário não poderia ser melhor: vitória por 5-0 sobre o Barcelona, que curiosamente também o tinha tentado contratar. Os quatro primeiros golos foram do argentino.

Confirmando a sua vocação de pé quente, Di Stéfano chegou e ganhou logo o campeonato de 1953/54. Juntamente com Hector Rial e o jovem Paco Gento, Di Stéfano ganhou o primeiro título de campeão espanhol.

1955/56 marca o início da Taça dos Campeões Europeus e a lenda de Di Stéfano. O Real Madrid ganhou a primeira, batendo o Reims de França por 4-3. No ano seguinte, Di Stéfano ganha o campeonato, a Taça do Campeões (vitória sobre a Fiorentina por 2-0) e consegue ser o melhor marcador de Espanha, conquistando também o troféu de Futebolista Espanhol e Europeu do Ano.

Depois de nova conquista da Taça dos Campeões frente ao Milan (3-2), o Real contrata o brasileiro Didi e o húngaro Puskas. Forma-se assim a frente de ataque mais temida da época. Mais um campeonato, mais um título de malhor marcador, mais uma Taça dos Campeões, a quarta, de novo frente ao Reims por 2-0 e o quarto título consecutivo de melhor marcador de Espanha.

O quinto título europeu consecutivo veio na época de 59/60, batendo o Eintracht de Frankfurt por um impressionante 7-3 que marca, talvez, a melhor exibição de uma equipa em toda a história da Taça dos Campeões. Di Stéfano já contava 34 anos, e os três golos apontados nessa final, realizada no Hampden Park, de Glasgow, eternizaram o seu estatuto de maior jogador mundial do momento.

1960 foi também o primeiro ano da Taça Intercontinental, com vista a apurar um campeão mundial. Seria jogado entre o campeão europeu e o sul-americano. O adversário do Real foi o Penãrol do Uruguai. Um empate a zero fora e uma vitória convincente em Madrid por 5-1, fizeram com que o título ficasse em Espanha. Esse foi o apogeu e, simultaneamente, o princípio do declínio. Na época seguinte, sensacionalmente eliminado pelo Barcelona nos oitavos-de-final, o Real perdia o título europeu para o Benfica.

A época seguinte (1961/62) confirmou a viragem: o Real voltou a chegar à final, mas encontrou o... Benfica. Os portugueses comandados por Bela Guttmann no banco e Eusébio no relvado, venceram por 5-3. Com 36 anos, Di Stéfano era já um veterano, que compensava com visão de jogo e experiência a progressiva diminuição de velocidade. A marcação de Cavém, nesse jogo, mostrou que a sua eficácia já não era a mesma.

A grandeza de Di Stéfano, entre 1952 e 1961 foi tal que lhe permitiu passar ao lado do facto de nunca ter obtido consagração pelas Seleções que representou. Apesar de ter conquistado tudo a nível de clubes, Di Stéfano nunca jogou na fase final de um campeonato do mundo, mesmo com a particularidade rara de ter alinhado por selecções de três países, Argentina, a Colômbia e a Espanha. Com 36 anos, ainda foi escalado para representar a Espanha no Chile-62. Uma lesão mesmo antes do torneio afastou-o desse sonho.

Di Stéfano geriu mal o fim da carreira e saiu do Real no ano seguinte, incompatibilizado com quase toda a gente. Os anos finais, no Espanhol de Barcelona pouco acrescentaram à sua glória. Retirou-se aos 40 anos, em 1966, com uma lesão nas costas. Jogou uma última partida, de despedida, em Chamartín, contra o Celtic.

Foi treinador primeiro na Argentina e depois em Espanha. Em 1969/1970 ganhou o título argentino com o Boca Juniors, treinou o Sporting durante a época de 1974/75 e em 1981 voltou ao River Plate para mais um título. Ainda conseguiu o primeiro campeonato em 24 anos para o Valência no ano seguinte (bem como a Taça das Taças) e orientou o «seu» Real em 82/83 e 90/91.