Diogo Valente é o convidado semanal da entrevista Maisfutebol/Rádio Clube. O extremo do Leixões fala do momento da carreira, do Leixões e de José Mota. Admite que o treinador tem muito mau perder, mas diz que até nisso é bom.

Podemos dizer que esta é a sua melhor época? É o ponto alto da carreira?

Sim, estou a voltar ao estatuto a que habituei as pessoas. Quando surgi no Boavista, apareci muito bem, comecei a ser falado e cobiçado por vários clubes portugueses e estrangeiros. A mudança para o F.C. Porto foi a realização de um sonho.

Aí nem tudo correu bem...

Fui contratação de Co Adriaanse, mas depois chegou Jesualdo Ferreira e não fui opção. Respeitei, como profissional que sou. Fui emprestado ao Marítimo, onde tive uma lesão de oito meses. No primeiro ano de Leixões não consegui atingir um bom nível físico, mas esta época estou ainda melhor do que no Boavista. Estou no ponto mais alto e a relançar a carreira.

Já o Leixões começou muito bem, mas tem caído nos últimos tempos e já não ganha há mês e meio. O que é que aconteceu?

Temos falado muito. Nos últimos jogos temos sofrido muitos golos, antes éramos considerados a melhor defesa do campeonato. Esse é um factor que estamos a melhorar. Outra explicação é o cansaço físico, vários jogadores vinham de duas épocas sempre a jogar. Não queremos que as pessoas pensem que foi mero acaso o Leixões ter sido líder. Sabemos do nosso valor e sabemos que vamos dar a volta a esta situação.

Sente que o plantel não estava preparado para a luta dos primeiros lugares?

Sem dúvida. O objectivo estipulado era apenas a manutenção, mas fizemos um início de época muito bom e as pessoas começaram a querer que o Leixões andasse nos primeiros lugares. Sabíamos do nosso valor mas sabíamos também que isso era difícil. Estamos no sexto lugar, os objectivos foram revistos e vamos lutar pelas competições europeias. O que queremos é dar continuidade ao bom campeonato e no final fazemos as contas.

José Mota chegou e conseguiu logo bons resultados. Já em P. Ferreira tinha feito bons trabalhos. Afinal de contas, o que é que ele tem de especial?

É uma excelente pessoa, é muito brincalhão e é espectacular no relacionamento com os jogadores. Mas dentro de campo é muito exigente e não facilita nada. Isso faz com que os jogadores estejam sempre concentrados e a trabalhar nos limites. Quem trabalha nos limites consegue melhores resultados. O segredo dele é esse: durante a semana, nos treinos, tem a equipa a trabalhar nos limites e isso reflecte-se no resultado nos jogos.

E confirma-se que ele tem muito mau perder?

Sim, sim, isso tem. Tem muito mau perder. Por vezes é difícil, porque ele tem um feitio complicado quando perde. Mas nós gostamos disso. É sinal que tem uma atitude vencedora, que quer subir cada vez mais e que é ambicioso. Passa essa ambição aos jogadores e melhora a equipa mentalmente. Eu falo por mim, com ele melhorei muito nesse aspecto. Pensamos que tudo é possível e que com trabalho alcançamos voos altos.