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Austrália: o guia

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Austrália (AP)

O PLANO

Enquanto a maior parte das seleções andavam à procura de hotel e a debater a convocatória final, a Austrália ainda disputava a qualificação. Dizer que a jornada pelos milhares de quilómetros da Ásia foi longa seria um eufemismo. A equipa de Graham Arnold jogou 20 partidas de qualificação em 1008 dias, antes de selar o seu lugar no Qatar pelo play-off intercontinental, frente ao Peru, em junho. Depois de prolongamento e penáltis, claro, apenas para prolongar um pouco a missão.

A quinta presença consecutiva no Mundial é um grande feito num país em que o futebol continua à margem, no mercado doméstico competitivo. É também um feito para estes jogadores, cujas limitações por vezes são demasiado evidentes, mas que no ano passado bateram um recorde mundial de maior número de vitórias consecutivas numa única campanha de qualificação. Esse ciclo rapidamente deu lugar a um momento menos bom, incluindo derrotas frente a Arábia Saudita e Japão (por duas vezes), e perderam pontos frente aos sauditas, China e Omã – que fizeram com que fosse perdido o lugar de qualificação automática, que parecia certo, para ser necessário ultrapassar o play-off.

Em todo o caso chegam ao Qatar com a euforia da vitória frente ao Peru ainda fresca, bem como de duas vitórias frente à Nova Zelândia, nos únicos jogos desde então. Arnold brincou após essas vitórias, dizendo que planeava «entrar em contacto com o Brufen para uma parceria», tais eram as dores de cabeça para fazer a convocatória.

Isso tem sido algo influenciado por lesões, incluindo o médio ofensivo Ajdin Hrustić que pode não jogar antes da partida inaugural frente à França. 

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Austrália (AP)

O SELECIONADOR: GRAHAM ARNOLD

Já teve altos e baixos – sobretudo baixos – desde que assumiu o cargo, após o Mundial 2018. Em março o técnico de 59 anos esteve à beira do despedimento após a implosão da campanha de qualificação. Em junho, após a Austrália vencer dois play-offs 'impossíveis', foi aclamado como um génio tático. A filosofia de Arnold divide opiniões há uma década, sobretudo devido à sua confiança nas bolas paradas e transição. Mas o seu realismo é a sua força, e procura sempre as virtudes de colocar os jogadores em posições semelhantes às que desempenham nos clubes.

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Ajdin Hrustic (AP)

ESTRELA: AJDIN HRUSTIC

Esta Austrália pode não ter uma estrela do calibre de Tim Cahill, Mark Viduka ou Harry Kewell, mas, no seu melhor, Ajdin Hrustic pode ser considerado o melhor australiano de 2022. O médio criativo que ameaça a baliza adversária em jogo corrido ou através das bolas paradas foi parte integral da qualificação, e a chave de qualquer esperança no Qatar estará relacionada com a forma como o jogador do Hellas Verona reage depois de uma lesão nos ligamentos do tornozelo.

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Martin Boyle (AP)

HERÓI DISCRETO: MARTIN BOYLE

É o tipo de jogador que os laterais devem odiar enfrentar. O extremo do Hibernian, nascido na Escócia, explodiu na cena australiana – cortesia do seu pai, nascido em Sydney – com dois golos e uma assistência na sua estreia pelos Socceroos, em 2018. Desde aí a sua velocidade, persistência e habilidade têm provocado muitas dores de cabeça aos adversários, e as suas corridas incansáveis – com e sem bola – são uma qualidade que talvez não receba tanto crédito quanto devia.

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Genéricas Maisfutebol

ONZE PROVÁVEL

4x2x3x1

Ryan - Behich, Souttar, Sainsbury, Atkinson - Mooy, Irvine – Boyle, Hrustić, Leckie – Maclaren.

6
Estádio Lusail

POSIÇÃO SOBRE O QATAR

O médio Jackson Irvine, membro do sindicato dos jogadores, tem falado sobre os problemas do torneio do Qatar, e reuniu-se com vários colegas, incluindo Mat Ryan, para discutir o papel e responsabilidade no Mundial. «Como jogadores, sabemos que temos uma plataforma poderosa para causar um impacto positivo nas vidas dos outros e, no caso do Qatar, dos trabalhadores migrantes e os seus direitos», disse Ryan. Nos últimos tempos aumentou o debate relativamente ao aproveitamento do desporto para lavar a imagem, através de patrocínios, mas o futebol tem estado relativamente silencioso, ainda que se espere uma posição da federação australiana antes do início do Mundial.

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Austrália (AP)

HINO NACIONAL

«Advance Australia Fair» foi publicado em 1878, pelo compositor nascido na Escócia, Peter Dodds McCormick, e substituiu «God Save the Queen» como hino nacional em 1974, depois de ser preferido a «Waltzing Matilda» e «The Song of Australia» numa sondagem nacional. As letras controversas são divisivas e foram finalmente alteradas em 2021, para reconhecer o legado dos australianos indígenas. O segundo verso lê-se agora «somos um e livres», em vez de «jovens e livres».

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John Aloisi (AP)

LENDA DE CULTO: JOHN ALOISI

Desde 16 de novembro de 2005 que o nome de John Aloisi se tornou uma lenda do futebol australiano. «Aqui está Aloisi para um lugar no Mundial… e marcou! Já está, Austrália!». Foi este o comentário quando o grande avançado marcou o penálti decisivo no play-off com o Uruguai, provocou tumulto em Sidney e levou os Socceroos ao Mundial pela primeira vez, em 32 anos. «Ainda me pedem para correr sem a camisola», escreveu Aloisi 17 anos mais tarde, pouco depois de outro dramático desempate via penáltis, que garantiu a qualificação para o Mundial 2022 e produziu um sucessor natural a Aloisi: o guarda-redes Andrew Redmayne.

 

Textos de Mike Hytner e Emma Kemp, que escrevem para o Guardian Austrália.

 

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