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As respostas dos candidatos...

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Benfica: as imagens do dia de eleições

... às perguntas do Maisfutebol

* Por Nuno Travassos e David Marques

FINANÇAS

1) A SAD apresentava um passivo de 326 milhões de euros no final do exercício 2019/20. Qual é a meta a atingir no final do próximo mandato, e quais as estratégias previstas para tal? É possível abater o passivo de forma mais rápida, conciliando isso com um forte investimento no futebol?

2) Na perspetiva destes próximos quatro anos, admite uma mudança da posição do Benfica relativamente à centralização dos direitos televisivos, ou entende que o Benfica manterá a visão singular? E relativamente ao naming do estádio, é um projeto a concretizar neste mandato?

FUTEBOL

3) Como se concilia a aposta na formação com a exigência desportiva de um clube como o Benfica? Será possível ter os principais talentos na equipa principal durante vários anos, apesar das circunstâncias do mercado?

4) A ambição europeia é um tema recorrente no quotidiano do Benfica, e ainda mais em período eleitoral. Qual é a perspetiva realista para o Benfica nesse plano, hoje em dia, e sustentada em que alicerces?

MODALIDADES

5) As denominadas modalidades são o elo mais fraco dos clubes, no contexto das consequências económicas da pandemia de covid-19, nomeadamente tendo em conta as medidas impostas às modalidades de pavilhão. Que garantias pode deixar relativamente às mesmas, tanto relativamente ao número de modalidades/equipas, tanto quanto à competitividade da mesma? E relativamente ao ciclismo, modalidade umbilicalmente ligada às raízes do clube: há algum projeto com vista à criação de uma equipa profissional?

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Luís Filipe Vieira na TVI

Lista A: Luís Filipe Vieira

1) A SAD apresenta um passivo de 326 milhões de euros e um ativo de 487 milhões de euros. Nunca uma SAD portuguesa teve um valor tão alto quer no ativo, quer de capitais próprios, ultrapassando a barreira dos 160 milhões de euros.

A redução do passivo será feita em linha com a trajetória do último mandato, salvaguardando os constrangimentos que possam ocorrer em função da crise pandémica que vivemos. As metas de 300 milhões de euros de passivo e 500 milhões de ativo são objetivos que podem e devem ser alcançados, sem comprometer o investimento no futebol.

É sabido que Domingos Soares de Oliveira me tem acompanhado ao longo dos últimos 17 anos e assim deverá acontecer se os sócios renovarem a sua confiança em mim na próxima quarta-feira.

2) Nos próximos quatro anos, a questão da centralização de direitos televisivos não será alterada, dada a existência de contratos em quase todas as SAD's até 2026 ou 2028. O Benfica está totalmente aberto a apoiar uma proposta de centralização de direitos televisivos em moldes idênticos aos praticados em Espanha em 2018, ou seja, que em qualquer cenário de venda centralizada, os clubes e SAD consigam garantir um incremento de receitas relativamente aos contratos existentes.

Existem hoje algumas propostas relativas ao naming, mas a situação económica que hoje se vive veio complicar o cenário negocial. Quero, no entanto, acreditar que apesar das dificuldades será possível concretizar a venda do naming num futuro próximo.

3) A formação será sempre um eixo fundamental do desenvolvimento estratégico do Benfica, pelo menos na minha visão. Ao longo dos últimos anos, o Benfica introduziu novos patamares de desenvolvimento dos jovens atletas, quer através da dinamização das equipas B e sub-23, quer através de uma política mais forte de empréstimos, sobretudo num contexto europeu. O objetivo é que a evolução dos atletas oriundos do Benfica Campus seja cada vez maior, permitindo com isso uma chegada mais segura ao plantel principal.

Acreditamos que, dependendo da qualidade dos vários escalões da formação, será possível ter plantéis equilibrados, juntando jogadores com elevada experiência e jovens atletas formados no Benfica Campus.

4) Fruto da excelência dos resultados alcançados ao longo dos últimos sete anos, o Benfica tem hoje condições excecionais para poder investir numa equipa capaz de atacar um título europeu.

Como já referi, entendendo que, conjugando estas condições e a ambição interna, tanto de dirigentes como da equipa técnica, será possível alcançar um título europeu durante o próximo mandato.

5) Relativamente às Modalidades, o investimento estruturante feito nos últimos anos irá manter-se, o que significa que não haverá qualquer redução ao nível de equipas ou escalões, tanto masculinas como femininas, assim como no projeto olímpico.

O projeto do Ciclismo poderá avançar quando for encontrado um patrocinador que permita suportar esse investimento sem comprometer as restantes modalidades.

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João Noronha Lopes

Lista B: João Noronha Lopes

1) O fundamental é focarmo-nos no crescimento das receitas e na expansão internacional da marca Benfica. A questão é sermos sustentáveis e garantir que a relação entre receitas e dívida não se deteriora.

A sustentabilidade financeira que vamos garantir refere-se a termos um nível de receitas e resultados que permita satisfazer os compromissos, sem limitar a capacidade de investimento do clube. Com mais vitórias desportivas e presenças na Liga dos Campeões, vamos ter mais receitas e depender muito menos da venda de jogadores.

Para isso é preciso fontes de receitas adicionais e permitir que o Benfica reforce a sua capacidade de investimento, para se modernizar e criar uma experiência melhor para quem vem aos jogos e para quem segue e se relaciona com o clube em todos os meios digitais, nomeadamente no estrangeiro.

Comigo na Presidência, criaremos condições para temos uma estratégia financeira equilibrada e saudável no longo prazo.

2) A negociação de um novo contrato de cedência de direitos televisivos só se coloca em 2026, já depois do horizonte do próximo mandato. Isto não impede a discussão do tema. Mas antes de qualquer discussão, é fundamental valorizar as competições da Liga, de modo a fazer aumentar o bolo global da competição. É a única forma de termos uma discussão sobre repartição de recursos. A forma como as competições são geridas e reguladas, a tolerância face ao comportamento de alguns protagonistas e a ausência de transparência nalgumas tomadas de decisão têm sido fatores de empobrecimento da Liga. Enquanto se mantiver este quadro de empobrecimento, está fora de questão o Benfica abdicar da sua posição.

[Naming] É uma questão sensível e deve ser muito bem avaliada relativamente ao retorno que nos pode trazer. Não afasto essa hipótese, mas tem de ser bem explicada aos sócios e, principalmente, com um parceiro estratégico que tenha a reputação e o prestígio digno do Benfica.

3) Com equilíbrio e estabilidade. Sem passar do 8 – toda a aposta na contratação de jogadores em fim de carreira – para o 80 – toda a aposta na formação. Se tivéssemos combinado jogadores maduros e jovens talentos do Seixal, estes tinham crescido e maturado e os resultados desportivos teriam sido outros. Mas para isso era preciso que existisse estabilidade na estratégia adotada e não inversões radicais ao sabor do vento.

É possível ter os principais talentos na equipa principal se tivermos estabilidade nas orientações estratégicas, pois assim estaremos sempre mais próximos das vitórias. Se estivermos mais próximos das vitórias, seremos sempre mais capazes de reter talentos. Clubes com os nossos recursos têm planteis bem mais estáveis do que os nossos. A lógica do carrossel e o desejo não escondido de vender, mal um jogador desponta, não ajuda. Ainda esta semana foi pré-anunciada a venda de Darwin.

4) A perspetiva realista só pode passar por fazer muitíssimo melhor. Os 17 anos de Vieira no poder são os piores da história do clube na Liga dos Campeões. Da última vez que disputámos uma final europeia, cinco dos onze titulares saíram. O nosso adversário, o Sevilha, manteve oito dos onze titulares dessa equipa. Entretanto, já venceu mais três competições europeias. A perspetiva realista para o Benfica nesta época é vencer a Liga Europa. Esse tem de ser o objetivo europeu, depois de falhado o objetivo principal, que era a entrada na Liga dos Campeões.

A perspetiva realista para o Benfica tem de ser a presença todos os anos na Liga dos Campeões, com a ambição de ultrapassar sempre, pelo menos, a fase de grupos. Os alicerces para uma ambição europeia à altura do clube são uma gestão eficaz do plantel, a contratação de jogadores criteriosa e cirúrgica e a adaptação inteligente dos jogadores formados no Seixal.

5) O Benfica Eclético faz parte do nosso código genético. A competitividade das modalidades passa por três critérios: organização, rigor e disciplina.

O meu modelo de organização contempla somente um vice-presidente para o ecletismo, ao qual reportará um diretor-geral, que terá funções amplas, também ao nível da gestão, e ao qual reportarão os «team managers», que serão os responsáveis por cada uma das modalidades.

As modalidades terão tanto mais adeptos e patrocínios mais efetivos quanto mais organizadas estiverem. Tem de se criar mais visibilidade para as modalidades e é preciso também aumentar a capacidade de gestão, decisões em função da qualidade de cada modalidade, da capacidade de crescimento e da evolução do projeto em termos de resultados desportivos.

Outro ponto que pretendo melhorar é a comunicação das modalidades, a dois níveis: jogos e atletas. Quando vamos ao Estádio da Luz, não temos informação dos jogos que estão a decorrer. Podíamos ter placares à volta do recinto com essa informação. Temos também que criar ídolos nas modalidades, comunicar de forma a que as pessoas saibam quem eles são e, deste modo, trazer mais adeptos aos pavilhões.

Quanto aos orçamentos de cada modalidade, estes devem ser discriminados e passíveis de ser consultados pelos sócios. Logicamente, o orçamento não é igual em todas as modalidades.

Quanto ao ciclismo, é uma modalidade de que gosto muito. A minha equipa esteve a analisar nos últimos meses as condições necessárias para a criação de uma equipa competitiva e que honre os pergaminhos do Benfica. Face à situação que vivemos atualmente, não é viável financeiramente, para já, a criação de uma equipa de ciclismo de raiz. Mas é uma reflexão que quero reatar quando ultrapassarmos este período pós-pandemia.

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Rui Gomes da Silva (foto: candidatura RGS)

Lista D: Rui Gomes da Silva

1) Os tempos que se seguem serão de grandes dificuldades. E só um projeto agregador, com uma grande cultura de vitória, muito exigente em termos desportivos, será capaz de nos levar aos títulos que ambicionamos. E isso não poderá ser feito com quem só agora chegou nem por quem só vê negócio onde deve haver ambição.

E se os tempos não estão para aventuras, muito menos estarão para metas que não sendo realistas, serão, por certo, se forem perseguidas, o primeiro passo para o desligar da primeira divisão do futebol europeu – veja-se, por exemplo, o objetivo de ser campeão europeu apenas com a formação, o que não passa de uma forma de enganar os sócios.

2) O Benfica tem de liderar o processo de centralização dos direitos desportivos. Vários países já enveredaram por esse processo. Alguns de forma voluntária, outros – como Espanha e Itália – por decisão governamental. Sendo inevitável, até mais rápido do que possamos admitir, devia ser o Benfica a ser o elemento agregador dessa discussão, com a fixação dos critérios de atribuição de valores que não nos venham a prejudicar.

Quanto ao naming do Estádio, será uma decisão que poderá ser tomada, mas sempre depois de confirmada pelos Sócios, em Assembleia Geral convocada para o efeito. Uma decisão que para além de tudo o mais terá que ser por valores que valham a pena … que valham muito a pena!

3) Claro que sim.

Só quem não acredita num título europeu não se dá ao trabalho de ter um projeto que tenha esse objetivo como a base de todo o mandato. Apostar na formação terá que voltar a ser um dos nossos objetivos. Mas isso não pode significar vender na primeira oportunidade, vender depois de poucos jogos. Se quisermos ter um projeto europeu consistente, temos de enquadrar uma equipa com um compromisso a vários anos, sem admitir qualquer cedência. Para isso, jogadores de nível europeu, com vencimentos de nível europeu, com um projeto para vencer na Europa até ao fim do mandato. Esse será o meu compromisso, essa será a minha aposta, essa será a minha meta!

4) Os alicerces são os da grandeza do Benfica.

Os pressupostos o da cultura de vitória.

A aposta será a de conseguir um compromisso entre jogadores, equipa técnica e Sócios que consiga fazer do Benfica campeão europeu.

Difícil? Muito. Impossível. Não!

Para o Benfica, para a sua massa associativa … ímpar no dizer de Béla Guttman … não há impossíveis!

5) Competitividade assumida e prometida em relação a todas as modalidades. No futsal e no hóquei em patins, lutar todos os anos para sermos campeões europeus. No andebol, recuperar da enorme desvantagem face aos rivais, que não nos deixa atingir um título nacional há 13 anos. No voleibol e basquetebol investir para sermos relevantes na Europa.

A isto, acrescento o projeto do ciclismo, imperioso para respeitar a História do Benfica. Bem sei que um vice-presidente que estava para sair, mas afinal fica, não sabia que a roda no símbolo era de uma bicicleta, mas o ciclismo é uma das raízes do Sport Lisboa e Benfica. E por isso procuraremos uma parceria com gestão externa ao Benfica, desonerando o clube, mas dando-lhe a relevância que já teve nas estradas portuguesas.