O início do ano coincide com a abertura do mercado de inverno e, com ele, chegam os rumores e confirmações de transferências. As fontes, umas mais credíveis do que outras, podem estar onde menos se espera, até ao volante de um táxi.
Foi o que aconteceu no Brasil, onde um taxista de serviço no aeroporto de Viracopos, em Campinas, ao perceber que o seu passageiro, com destino ao Estádio Brinco de Ouro da Princesa, acabara de chegar para reforçar o Guarani, resolveu entrar em direto para a Rádio Bandeirantes para dar a notícia em primeira mão.
«Oi, pessoal. Aqui é o Mineiro. Sou taxista no aeroporto. Eu queria saber das contratações do Guarani, mas agora estou levando um para estrear no Paulista: Luiz Miguel. Está vindo diretamente de Portugal e estou levando para o clube», revelou o profissional no volante, com o avançado ex-Alverca ainda dentro do seu carro e pouco confortável por, ainda antes da oficialização, ter de lidar com esta espécie de «Fabrizio Mineiro».
O ano começou em festa em Elvas, com a equipa alentejana fazer o papel de tomba-gigantes na Taça de Portugal.
Lucão foi um dos heróis do triunfo com que a equipa do Campeonato de Portugal afastou o Vitória de Guimarães, nos «oitavos» da Taça, ao marcar um dos golos na eliminatória.
Porém, a tarde foi agridoce para o ponta de lança brasileiro de 29 anos, que deixou o campo de ambulância após um choque aparatoso de cabeças com o vitoriano Borevkovic e já nem chegou a ver o golo da reviravolta no marcador da sua equipa.
Lucão foi transportado para o Hospital Santa Luzia e acabou por não poder celebrar no estádio com o seu público.
A verdade é que a festa acabou por ir ter com Lucão, mais concretamente ao parque de estacionamento do hospital, «invadido» por adeptos do emblema elvense. O avançado não se fez rogado e saiu ainda equipado e com pulseira laranja a saudar os entusiastas, entre buzinas e cânticos.
Lucão ainda teve alta a tempo de regressar ao estádio para se juntar aos companheiros por breves instantes: «Queria ter participado mais, mas, quando cheguei do hospital, a festa já quase tinha acabado. Tomei banho e fui para casa comemorar com a minha família.»
2025 não podia ter começado de forma mais turbulenta para o antigo tratador da águia Vitória.
Tal como aconteceu no Benfica, em 2010, Juan Bernabé acabou despedido pela Lazio, em janeiro, mas desta vez por um motivo absolutamente insólito: o espanhol, que em Roma era o tratador de Olímpia, a águia que é mascote dos «laziale», acabou por ser afastado do clube após, na sequência de uma cirurgia para incorporar um dispositivo no pénis, ter partilhado um vídeo da prótese, destinada a ter melhor desempenho sexual.
«Fiz a cirurgia para aumentar a minha performance sexual, porque sou muito ativo. Com este aparelho, carrego num botão que me permite controlar perfeitamente o “timing” da ereção […] Publiquei o vídeo no meu perfil privado. Se as pessoas o partilham, o que posso fazer? A minha consciência está tranquila. Se me arrependo? Claro que não», disse então Bernabé, de 56 anos, que não aceitou a decisão do clube e acabou por se barricar no alojamento que ocupava dentro do centro de treinos de Formello.
O caso não ficou por aqui e a direção da Lazio acabou por recorrer a tribunal. Após seis meses de braço de ferro, o falcoeiro acabou mesmo por ser despejado das instalações do clube, após ordem judicial.
José Mourinho começou a destacar-se no futebol português como tradutor de Bobby Robson, mas, caso não tivesse tido uma carreira notável como treinador, já provou que tem dotes também como… barbeiro.
Ainda antes de se destacar este ano por ter assumido o comando técnico do Benfica, ainda ao serviço do Fenerbahçe, português foi protagonista de um vídeo viral ao aparecer de pente e tesoura em riste, a cortar o cabelo a um jogador da própria equipa. Tudo isto sob supervisão de um profissional, não fosse a coisa correr mal.
O avançado Burak Kapacak acabou por partilhar o momento nas redes sociais, onde agradeceu ao técnico pelo novo «look»: «Obrigado pelo corte, mister.»
O minuto de silêncio é para ser respeitado, mas… E se o tributo não for a um falecido?
Um erro do tamanho do estádio foi o que aconteceu no jogo entre o Arda Kardzhali e o Levski Sofia, da primeira divisão da Bulgária.
O minuto de silêncio antes do apito inicial do árbitro foi cumprido «em memória» de Petko Ganchev, antigo jogador da equipa da casa.
O problema é que Petko está, afinal, neste mundo. E foi a viva-voz que o próprio desmistificou o sucedido. «Entrei no pátio de casa e a minha mulher abraçou-me em lágrimas e gritou: “Petko, Petko, anunciaram na televisão que estás morto”», disse em declarações citadas pela Sky News o antigo jogador, nascido em 1946, que na sua carreira marcou mais de 120 golos pelo Arda Kardzhali.
O clube tentou redimir-se com uma mensagem de desculpas ao ex-jogador de futebol e à sua família por terem recebido «informações incorretas sobre sua morte» e duas semanas mais tarde a antiga glória aceitou o convite para ver ao vivo o jogo do Arda.
«Desejamos a Petko muitos anos de boa saúde e a aproveitar as vitórias de nossa equipa», desculpou-se o clube, com Petko a mostrar fair-play: «Quando ouvi as notícias da minha morte, bebi um conhaque para aliviar o stress.»
Os árbitros são alvos de pressões, insultos e até agressões, em várias latitudes, mas há casos em que o feitiço se vira contra o feiticeiro.
Foi o que aconteceu no Peru, em março, quando o juiz da partida deu um autêntico golpe de karaté a um membro de uma equipa técnica que invadiu o campo para o atingir com uma garrafa de plástico.
Luis Alegre, que dirigia o jogo entre Sport Huaquilla e Magdalena CEDEC, para a Taça do Peru, encarnou o papel de Bruce Lee e reagiu com um valente pontapé para se defender, acertando em cheio na cara do invasor.
O momento insólito aconteceu aos 82 minutos de um jogo que acabou por ser suspenso, após a invasão de campo. As forças policiais tiveram mesmo de intervir, para controlar o caos que instalou entre jogadores, equipas técnicas e de arbitragem.
Pela eficácia do golpe, fica por saber se Alegre tem ou não algum cinturão em alguma arte marcial.
2025 foi pródigo em golos e celebrações que acabaram em lesão: do divertido Deyverson (ex-Benfica e Belenenses), que lesionou um colega de equipa do Fortaleza ao festejar um golo que acabou por ser anulado, ao avançado Kesley, do Grémio Prudente, que comemorou à Cristiano Ronaldo e acabou por lesionar-se num joelho.
Mas… E lesões que acabaram em golos? É bem mais raro e mais inspirador.
O internacional colombiano Hugo Rodallega marcou o golo que é talvez a maior prova de superação da sua carreira.
Na final do torneio de abertura do campeonato colombiano, frente ao Independiente Medellín, veterano avançado e capitão do Santa Fe, agora com 40 anos (39 em junho passado), lesionou-se aos 78 minutos e não conseguiu conter as lágrimas.
Com o jogo empatado a uma bola, Rodallega, melhor marcador do campeonato, decidiu continuar no relvado, a coxear. Mesmo em visíveis dificuldades, o veterano acabou por aparecer no sítio certo para marcar o golo que decidiu a funal e que valeu o 10.º título nacional ao Santa Fe, nove anos depois da última conquista.
O ciclismo desperta paixões do público e momentos incríveis na estrada, como aquele que aconteceu em junho, na Volta à Colômbia feminina.
Disputava-se a segunda etapa da prova e as ciclistas preparavam-se para começar a dura subida ao Alto de La Línea, quando apareceu um «concorrente» inesperado: nada menos do que um cão, decidido a acompanhar o pelotão.
Mono, ou melhor «Pogacão», chamemos-lhe assim, em homenagem ao campeão Pogacar, entrou em corrida perto de Cajamarca e percorreu 25 km, numa subida que terminou a mais de 3 200 metros de altitude.
A juntar ao incrível feito, o cão ainda «terminou» a prova só com 12 ciclistas à sua frente.
No final, já cansado, recebeu muitos aplausos, o carinho do público e... uma malga cheia de água para hidratar-se.
«Saí às 8h40 de casa e ele estava lá. Às três da tarde comecei a receber chamadas e mensagens de gente a dizer-me que ele estava famoso por correr ao lado das ciclistas», disse o dono do cão, Kevin, esclarecendo: «Resgatei-o da rua há dez meses. Ele tem aqui em casa a sua comida e onde dormir, mas não lhe tiro a liberdade de andar pela rua.»
O beijo não consentido a Jennifer Hermoso tornou Luis Rubiales [que curiosamente tem Béjar no sobrenome de família] numa personagem controversa, sobretudo desde a sua condenação por agressão sexual em fevereiro. Porém, desengane-se que as polémicas em torno do ex-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol [RFEF] acabaram com esse caso.
Já 2025 ia bem adiantado e, em novembro, Rubiales protagonizou a mais conturbada apresentação de um livro dos últimos tempos.
O antigo dirigente apresentava, em Madrid, a sua autobiografia, com o sugestivo título de «Matar Rubiales», quando foi alvo de uma tentativa de agressão.
Da plateia, por entre gritos de «sem-vergonha», o seu próprio tio [irmão mais novo do pai de Rubiales] arremessou três ovos na direção de Rubiales, que se levantou de pronto e avançou para o confrontar.
«Entrou uma pessoa na sala que, mais tarde, percebi ser o meu tio. Ele é irmão do meu pai, é um rapaz com problemas. Como não sabia o que ele tinha nas mãos e vi-o entrar a correr, pensei que estivesse armado!», contou o ex-presidente da RFEF.
O agressor foi, de imediato, manietado pelas forças de segurança e retirado da sala, mas, no dia seguinte, não mostrou qualquer arrependimento pelo episódio.
«O problema do meu sobrinho é ser demasiado fanfarrão. Se me dessem tempo, teria atirado a dúzia de ovos que levei», referiu o tio, Luis Rubén Rubiales, ator de profissão, que acusou o sobrinho e quase homónimo de não se interessar pela condição de saúde do pai e da avó.
Há jogadores que entram em campo com brincos, anéis e outro tipo de adereços… Agora, de tornozeleira eletrónica?
Não é estilo, é mesmo uma medida cautelar.
Aconteceu no Brasil, mais precisamente no quarto escalão do campeonato carioca. Yuri Silva disputou a final da Série B2 do estadual do Rio de Janeiro com um dispositivo de localização semelhante ao usado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, também ele a braços com a justiça.
Depois de cumprir sete anos de detenção pelo crime de tráfico de droga, o jogador do Goytacaz saiu em maio da prisão, mas ficou obrigado à utilização da tornozeleira, que não pode remover até cumprir a totalidade da pena.
Entretanto, com 30 anos e ainda muito futebol nas pernas, Yuri foi anunciado como reforço do clube carioca e, a 1 de dezembro, foi lançado em campo ao minuto 60, na primeira mão da final frente com o Macaé (1-1).
Questionada sobre a legalidade da situação, a própria Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro respondeu em comunicado que precisa de «buscar informações sobre se há proibição legal do exercício da atividade profissional», mas defendeu também que «a inclusão/ressocialização é uma função primordial do desporto».
O melhor acabou por acontecer uma semana depois, a 7 de dezembro, na segunda mão da final. O Goytacaz goleou o Macaé, por 4-1, sagrou-se campeão, subiu de divisão e… Adivinhem lá quem marcou o último golo? Ele, mesmo, Yuri. Sentou o guarda-redes, rematou com o pé mais livre (o direito, já que o dispositivo está no tornozelo esquerdo) e correu para abraçar a «torcida» que celebrava nas bancadas.
Veja o golo (a partir dos 6m35):