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Dez jogos do ano: de Portugal aos grandes palcos mundiais

1
FC Porto-Benfica (Manuel Fernando Araújo/Lusa)

FC Porto-Benfica, 5-0 – 24.ª JORNADA DA LIGA (03/03/2024)

POR DAVID MARQUES

A nove pontos dos encarnados e a dez do líder Sporting, ao FC Porto pouco mais restava do que terminar a Liga com a dignidade possível. E isso passaria sempre por derrotar o maior rival no clássico do Dragão e – já agora – deixá-lo mais longe do título.

A equipa de Sérgio Conceição não só cumpriu esses dois objetivos como conseguiu vergar o conjunto de Roger Schmidt a uma goleada por números embaraçosos.

Um, dois, três, quatro, cinco! Um triunfo de mão-cheia que, para o treinador do FC Porto, não foi suficiente: assim que João Pinheiro apitou para o final do jogo, Conceição reclamou por querer mais tempo de descontos numa noite que permanecerá por muito tempo na memória coletiva de portistas e benfiquistas. Por diferentes motivos.

2
Sporting-Benfica (LUSA)

Sporting-Benfica, 2-1 – 28.ª JORNADA DA LIGA (06/04/2024)

Leões e águias chegaram ao dérbi separados por um ponto, com vantagem para a equipa de Ruben Amorim, que ainda tinha o jogo de Famalicão em atraso.

O dérbi eterno era, por isso, muito mais decisivo para o Benfica do que para o Sporting, que, acontecesse o que acontecesse, continuaria a depender de si próprio para chegar ao título. Ainda assim, poderia deixar marcas no plano emocional para qualquer um dos emblemas.

O jogo em Alvalade começou com um golo de Geny Catamo aos 45 (!) segundos, o que obrigou a águia a abrir as asas e a reclamar ascendente em território alheio. Chegou ao empate nos derradeiros instantes da primeira parte e esteve perto da reviravolta, mas este dérbi espelhou o estado de alma de um leão que foi hiperconfiante na grande maioria dos jogos que realizou. E este encontro acabou como muitos outros: uma vitória do Sporting, selada pelo bis de Geny Catamo em tempo de compensação.

Matematicamente, a Liga não ficou decidida aí, mas o Benfica, ferido, nunca mais foi o mesmo depois disso. E o Sporting voaria até ao Marquês.

3
Bernardo Silva no Real Madrid-Man. City (AP)

Real Madrid-Manchester City, 3-3 – QUARTOS DE FINAL DA CHAMPIONS, 1.ª MÃO (09/04/2024)

Na noite em que Carlo Ancelotti chegou aos 200 jogos na Champions, Real Madrid e Manchester City, provavelmente as duas equipas mais poderosas do velho continente, protagonizaram um dos mais emotivos jogos de 2024.

Foram seis golos – um de Bernardo Silva logo a abrir – cambalhotas no marcador e uma viagem de 90 minutos numa vertiginosa montanha-russa.

Frente a frente estiveram duas equipas com ideologias diferentes, mas duas fórmulas de sucesso inegável. A espontaneidade misturada com aparente anarquia tática VS a disciplina do guardiolismo que poucos conseguem (ou conseguiam) descodificar. Só que os melhores do Mundo veem à frente dos comuns mortais e nesse capítulo o Real Madrid está à frente de todas as outras equipas.

O jogo que nenhum verdadeiro amante de futebol queria que terminasse ao fim de 90 minutos terminou empatado a três e uma semana depois, em Manchester, num jogo menos esquizofrénico, o Real fez o City cair do mais alto pedestal do futebol europeu.

Rei morto, rei posto.

4
Champions: Real Madrid-Bayern (AP Photo/Manu Fernandez)

Real Madrid-Bayern Munique, 2-1 – MEIAS-FINAIS DA CHAMPIONS, 2.ª MÃO (08/05/2024)

Real Madrid e remontadas estão para o futebol como aquele clássico do «outra vez arroz?!» Dois anos depois da campanha épica marcada por resultados virados do avesso quando os guiões dos jogos e das eliminatórias pendiam – e não era pouco! – para o lado do adversário (PSG, Chelsea e Manchester City), a campanha da equipa de Carlo Ancelotti na prova que lhe pertence quase por decreto voltou a ter momentos inesquecíveis.

Depois de terem deixado pelo caminho o campeão em título Manchester City nos quartos de final, os merengues estavam eliminados, em pleno Bernabéu, pelo Bayern Munique aos 87 minutos.

Joselu, que saltara do banco minutos antes, bisou com golos aos 88 e aos 90+1 e deu ao Real a possibilidade de juntar ao palmarés o 15.º troféu da Champions, o que aconteceria semanas depois em Wembley após novo triunfo sobre uma equipa alemã em Wembley: o Borussia Dortmund.

5
Portugal-Eslovénia (UEFA via Getty Images)

Portugal-Eslovénia, 0-0, 3-0 gp – OITAVOS DE FINAL DO EURO 2024 (01/01/2024)

Vítor Maia, enviado especial do Maisfutebol à Alemanha, chamou-lhe a «noite de São Diogo». Em Frankfurt, Portugal foi estatisticamente superior ao adversário, mas foi incapaz de traduzir esse domínio em golos e, já agora, numa exibição convincente perante um adversário mais frágil.

No prolongamento, Cristiano Ronaldo perdeu o frente a frente com Jan Oblak da marca dos onze metros e, já depois disso, Diogo Costa elevou-se até ao patamar dos imortais. Ao minuto 115, Pepe perdeu a bola em zona proibida e foi salvo pelo guardião e companheiro do FC Porto, que, com o pé esquerdo, sacudiu a bola para longe da baliza e o jogo para o desempate por penáltis. E Diogo Costa voltou a ser soberano: travou todas as tentativas eslovenas e tornou-se no primeiro guarda-redes da história de Europeus a defender três pontapés em desempates da marca dos 11 metros.

Mais houvesse!

Quatro dias depois, a história foi diferente. Depois do terceiro jogo seguido no Euro a zeros, Portugal voltou aos 11 metros, mas capitulou diante de França.

6
Euro 2024: Espanha-Alemanha (AP Photo/Michael Probst)

Espanha-Alemanha, 2-1 – QUARTOS DE FINAL DO EURO 2024 (05/07/2024)

Foi uma espécie de final antecipada do Europeu e só lhe faltou ser em Berlim, porque de resto teve quase tudo o que têm os grandes jogos: grandes jogadores, golo(s) ao cair do(s) pano(s), despedidas e drama até dizer basta.

A primeira parte da «batalha de Estugarda», escreveu o Maisfutebol, esteve longe de ser vistosa, mas a etapa complementar trouxe com ela mais animação. Dani Olmo abriu as hostilidades para os espanhóis, mas Wirtz forçou o prolongamento aos 89 quando o Europeu estava prestes a ficar órfão do seu anfitrião.

E ficaria mesmo: aos 119 minutos, ali tão perto do início da lotaria dos penáltis, Mikel Merino aplicou a sentença à Mannschaft e antecipou o fim da carreira de Toni Kroos, que semanas antes tinha vencido a Liga dos Campeões pelo Real Madrid.

7
Euro 2024: Espanha-Inglaterra (EPA)

Espanha-Inglaterra, 2-1 – FINAL DO EURO 2024 (14/07/2024)

Três anos depois da derrota na final do Euro 2020 (realizada em 2021 devido à pandemia), a seleção de Gareth Southgate tinha a oportunidade de pôr fim a um drama crónico que se arrastava desde o Mundial 66: nunca mais, desde aí, o futebol voltou a casa.

O percurso dos ingleses na Alemanha esteve longe de ser imaculado, mas ainda assim foi suficiente para chegar ao jogo decisivo em Berlim.

Depois de uma primeira parte em que os «três leões» conseguiram anular os pontos fortes daquela que estava a ser, consensualmente, a melhor seleção do Euro 2024, a roja adiantou-se no marcador aos 47 minutos por Nico Williams. Cole Palmer ainda empatou a final aos 73m, mas depois disso os espanhóis voltaram a ser iguais a eles próprios: dominadores.

Aos 87 minutos, quando se desenhava o prolongamento, Mikel Oyarzabal (depois de Merino nos quartos de final, mais um jogador decisivo da Real Sociedad) fez o 2-1 final, deu a glória (e a justiça) a Espanha e, aos ingleses, mais um desfecho trágico.

«Is it ever coming home?»

8
Supertaça: Sporting-FC Porto (LUSA/ESTELA SILVA)

Sporting-FC Porto, 3-4 - SUPERTAÇA CÂNDIDO DE OLIVEIRA (03/08/2024)

Os leões não só perderam jogadores-chave no verão, como ainda fizeram algumas afinações cirúrgicas que tornaram a máquina de Ruben Amorim ainda mais poderosa. O treinador dos leões, que dois meses depois – a escassos dias da confirmação da saída para Inglaterra – diria sentir-se invejado pela estabilidade no Sporting, navegava em mares bem mais tranquilos do que Vítor Bruno, que ainda esperava a chegada de reforços e tinha limitações evidentes no plantel.

Aos 24 minutos, o campeão nacional já vencia por 3-0 e a pergunta que se fazia era: «Onde é que isto vai parar?!»

No Municipal de Aveiro assistiu-se a um «plot twist» altamente imprevisível. Não só o Sporting não goleou, como também não venceu e acabou inclusive por perder a Supertaça. Por incompetência própria, dirão uns; porque, dirão outros, o FC Porto (quase) nunca se rende mesmo nas situações de maior aperto.

9
Sp. Braga-Sporting (AP Photo/Luis Vieira)

Sp. Braga-Sporting, 2-4 – O FIM DA ERA AMORIM (10/11/2024)

Depois da oficialização da saída de Ruben Amorim para o Manchester United seguiram-se ainda três jogos até ao adeus definitivo: Estrela da Amadora, Manchester City e Sp. Braga. O primeiro terminou com uma goleada por 5-1 e o segundo como novo resultado expressivo (4-1), numa altura em que a equipa de Guardiola começava a dar sinais de uma crise ainda não resolvida às portas do novo ano.

O jogo com o Sp. Braga, a equipa à qual Frederico Varandas o fora buscar quatro anos e meio antes, era o último da trilogia do adeus. E Amorim tinha ainda a cereja para colocar no topo do bolo: fazer 11 vitórias em 11 jogos e igualar o melhor arranque de Liga da história dos leões.

Ao intervalo, o Sporting perdia por 2-0, mas quatro golos na segunda parte – três para lá dos 80 minutos – deram-lhe Amorim a despedida perfeita. E, depois disso, iniciou-se a «era depois de Amorim (D.A.). No Sporting e no futebol português ou não estivesse hoje a Liga mais relançada do que nunca em 2024/25.

10
Artur Jorge (Photo by MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

Atlético Mineiro-Botafogo, 1-3 – FINAL DA LIBERTADORES (30/11/2024)

O jogo decisivo da Libertadores 2024 não podia ter começado de pior forma para a equipa de Artur Jorge, que ficou reduzida a dez elementos logo aos 30 segundos após entrada duríssima de Gregore sobre Fausto Vera.

Só que o Fogão cerrou os dentes e continuou a fazer pela vida. Contrariou a lógica, fez o 1-0 aos 35 minutos e o 2-0 pouco antes do intervalo. O Atlético Mineiro reduziu a abrir a segunda parte e submeteu o conjunto carioca a momento de aperto, mas o golo de Júnior Santos no último minuto de compensação desfez todas as dúvidas e coroou Artur, depois de Jorge Jesus e de Abel Ferreira (duas vezes), rei da América do Sul.

De forma épica!

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