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Inglaterra: o guia

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Seleção feminina de Inglaterra (AP)

ANÁLISE

A Inglaterra qualificou-se automaticamente, como anfitriã do Euro 2022, mas não restem dúvidas sobre as suas credenciais. Depois de terem chegado às meias-finais das três últimas grandes competições, sob o comando de Mark Sampson e Phil Neville, as Lionesses parecem ter alcançado novo patamar, levando o seu jogo a um outro nível sob a orientação de Sarina Wiegman, antiga selecionadora dos Países Baixos. Como resume Karen Carney, antiga avançada da seleção inglesa e colunista do Guardian: «Agora, há algo de diferente nesta equipa. Elas têm classe. É um período tão promissor para a Inglaterra. A selecionadora é realmente de primeira linha.»

Como Neville, Wiegman gosta de um futebol de pé para pé. Mas, menos dogmática, ela não tem receio de baralhar os adversários variando a abordagem tática, e acrescentou precisão no ataque e disciplina defensiva a um onze titular agora mais globalmente implacável. Com algumas jogadoras-chave a aproximarem-se do final das suas carreiras, houve uma injeção de sangue novo, e foi nomeada uma nova capitã: Leah Williamson, do Arsenal.

Com Williamson, cuja posição natural é defesa central, a ser destacada provavelmente para o meio-campo, o eixo defensivo central de Wiegman com Mille Bright e Alex Greenwood parece fundamental. Mesmo assim, a Inglaterra continuará a depender muito dos golos de Ellen White, e dava-lhe jeito que Lauren Hemp e Fran Kirby estivessem ao seu melhor nível num torneio com algumas adversárias notáveis.

Sem receio da ameaça de França, Alemanha, Espanha e Suécia, entre outras, Wiegman continua otimista. «Mostrámos que podemos vencer adversárias diferentes e difíceis», diz a treinadora, que ainda terá de tomar uma decisão definitiva entre Mary Earps e Ellie Roebuck para guarda-redes titular. «Acho que crescemos muito depressa como equipa.»

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SARINA WIEGMAN COM O PRÍNCIPE WILLIAM (AP)

A SELECIONADORA: SARINA WIEGMAN

A neerlandesa de 52 anos, natural de Haia, liderou os Países Baixos na inesperada conquista do Euro 2017 em casa, vencendo a Dinamarca na final. Em 2019, a Oranje atingiu a final do Mundial em França, perdendo para os Estados Unidos. Dois anos mais tarde, ela assumiu a Inglaterra.

Antiga médio defensivo, a treinadora formada na Universidade de South Carolina somou 104 internacionalizações pela seleção dos Países Baixos. Depois de decidir terminar a carreira para criar as duas filhas, Wiegman, que é casada com o também experiente treinador de futebol Marten Glotzbach, começou por conciliar o trabalho como professora de Educação Física com o treino de equipas femininas.

Depois de concluir a formação de treinadora com a licença UEFA Pro, Sarina trabalhou como treinadora-adjunta da equipa masculina do Sparta Roterdão, tornando-se a primeira mulher neerlandesa a treinar num clube profissional masculino. Diz que essa foi a preparação perfeita para o seu cargo seguinte, selecionadora feminina dos Países Baixos. Descrita normalmente pelas antigas companheiras como sendo «obcecada pelo controlo», Wiegman acredita firmemente que o diabo está mesmo nos detalhes.

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Lauren Hemp (GETTY)

A FIGURA: LAUREN HEMP

Com apenas 21 anos, a extremo do Manchester City já é um elemento-chave do tridente ofensivo de Sarina Wiegman, e absolutamente fundamental nas ambições da selecionadora para a Inglaterra.

Jogadora capaz de mudar o jogo, que encanta os adeptos e desconcerta as defesas adversárias em doses iguais, ganhou o troféu de jovem jogadora do ano do Sindicato de jogadores inglês (PFA) em 2018, 2019 e 2020, sendo há muito vista como um dos mais brilhantes talentos europeus. Kelly Smith, antiga avançada de referência inglesa, diz sobre ela: «Não há muitas jogadoras que me façam levantar da cadeira, mas Lauren Hemp é uma delas. Quando ela pega na bola faz as coisas acontecerem. É tão rápida a driblar, é letal.»

Nascida e criada no norte de Norfolk, onde foi uma excelente jogadora de críquete na escola, Hemp tornou-se jogadora do Bristol City aos 16 anos e mudou-se para o Manchester City há quatro anos. As companheiras do City elogiam consistentemente a sua humildade refrescante e contam que ela continua igual, apesar da fama crescente.

Especialista em tirar adversárias do caminho, nas alas, Hemp marcou 20 golos em 36 jogos pelo City na época passada, contribuindo com mais 10 assistências. Não admira que Ellen White, ponta de lança do City e da Inglaterra, adore jogar ao lado dela.

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Chloe Kelly  (GETTY)

ATENÇÃO A: CHLOE KELLY

A extremo do Manchester City rompeu o ligamento cruzado anterior em maio de 2021 e só voltou à primeira equipa em abril deste ano. Desde então, no entanto, a jogadora de 24 anos predominantemente destra, que pode jogar em qualquer lado na frente, impressionou com dois golos marcados em sete jogos pelo City. Dribladora inteligente, com muito ritmo e faro de golo, o invejável controlo de bola de Kelly foi aperfeiçoado a jogar com os seus cinco irmãos mais velhos em "ringues" da zona ocidental de Londres, onde cresceu.

Não surpreenderá ver Kelly, que garante sentir-se «fresca e apta», brilhar no trio da frente da seleção. Se ela parece ter planeado perfeitamente o seu muito aguardado regresso, também ajuda o facto de ter um entendimento quase telepático com Lauren Hemp e Ellen White, companheiras de ataque no City e na seleção. Kelly diz que sonha com o Euro 2022 praticamente desde que lesionou o joelho; pode estar à vista o seu há muito aguardado lugar ao sol.

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Genéricas Maisfutebol

ONZE PROVÁVEL

4x3x3

Earps; 

Bronze, Bright, Greenwood, Carter; 

Williamson, Stanway, Walsh; 

Mead, White, Hemp

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Kelly Smith (AP)

REFERÊNCIA HISTÓRICA: KELLY SMITH

A sublime avançada somou 117 internacionalizações e marcou 46 golos durante uma carreira com as Lionesses que se estendeu de 1995 a 2014. Apesar de ter sido prejudicada tanto por algumas lesões graves, como por uma adição ao álcool, Smith, agora com 43 anos, inspirou uma geração inteira de jogadoras, elevando o jogo feminino para novos patamares. A antiga selecionadora Hope Powell diz sobre ela: «A Kelly era uma daquelas jogadoras que só aparecem uma ou duas vezes na vida. No futebol masculino são os Maradonas e os Messis, jogadores com um talento único. É isso que Kelly tem.»

Smith destacou-se no Arsenal, mas também brilhou em várias passagens por clubes nos Estados Unidos. A muito dotada antiga avançada norte-americana Mia Hamm resumiu assim a sumptuosa combinação de precisão e improviso de Smith: «A Kelly é incrivelmente técnica, com enorme velocidade de pensamento e execução. O toque dela é de outro nível. Tudo o que ela faz é limpo e com uma finalidade. O ritmo dos passes é perfeito e ela ainda tem facilidade em marcar golos.»

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Futebol Feminino: Inglaterra-França (Lusa)

HISTÓRICO EM EUROPEUS

Não é brilhante. A Inglaterra nunca venceu a competição, embora tenha chegado a duas finais. Na primeira edição, em 1984, num torneio a quatro equipas em quatro países diferentes, perdeu na final a duas mãos com a Suécia, nos penáltis (4-3). Depois esperou até 2009, na Finlândia, para chegar a nova final. Nessa altura, a Inglaterra de Hope Powell foi esmagada por 6-2 por uma omnipotente Alemanha. O consulado de Powell terminou depois de uma enorme desilusão quatro anos mais tarde, na Suécia, onde a Inglaterra ficou rapidamente pelo caminho depois de terminar em último lugar no grupo. Embora a equipa tenha melhorado radicalmente sob o comando do seu sucessor, Mark Sampson, e fosse amplamente vista como favorita para vencer o Euro 2017 nos Países Baixos, as Lionesses sofreram uma castigadora derrota surpresa na meia-final, por 2-0, frente à futura vencedora, a seleção dos Países Baixos orientada por Sarina Wiegman.

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Seleção inglesa (Getty)

OBJETIVO REALISTA

Campeãs. Bom, talvez. A Inglaterra joga em casa, afinal de contas, chegou às meias-finais das três últimas grandes competições e parece ter melhorado muito sob o comando de Sarina Wiegman. Mesmo assim. Muito pode depender de um cruzamento algo estranho nos quartos de final. Quer saia do Grupo A como primeira ou segunda classificada, a Inglaterra deverá ter pela frente um teste de fogo frente a Alemanha ou Espanha (os prováveis dois primeiros do Grupo B). Conseguir vir mesmo a levantar o troféu implicará superar outros candidatos, muito possivelmente incluindo uma França que se afigura formidável.

 

Texto original de Louise Taylor, do Guardian

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