Maisfutebol

Oito momentos do AC Milan em Portugal

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CUF

1. A Europa abre a boca de espanto com a CUF

CUF-AC Milan, 2-0

A 1 de dezembro de 1965, o AC Milan visita pela primeira vez Portugal para fazer um jogo oficial. Na já extinta Taça das Cidades com Feira, a surpreendente CUF deixa toda a Europa boquiaberta. O gigante italiano, campeão da Europa em 1963, não resiste ao futebol dos homens treinados por Anselmo Fernández. 2-0 para a equipa do Barreiro no Estádio do Lavradio, golos de Fernando Oliveira e Abalroado.

«O estádio estava cheio, a abarrotar. Vencemos o Milan com todo o mérito e só fomos eliminados no jogo de desempate, o terceiro jogo», conta ao Maisfutebol um dos históricos da CUF, Conhé, o homem que nasce literalmente dentro dos balneários do Lavradio. Cesare Maldini, Giovani Trapattoni, Gianni Rivera e Amarildo, um Milan de luxo e sem argumentos para ganhar na casa dos portugueses.

ONZE DO MILAN: Balzarini; Maldini, Trebbi, Schnellinger, Maldera, Santin, Benigni, Maddè, Angelillo, Amarildo e Sormani.

VÍDEO: imagens RTP

2

2. Avalanche do FC Porto morre nas luvas de Albertosi

FC Porto-AC Milan, 0-0

É 19 de setembro de 1979, início de época, e o FC Porto já se vai acostumando à atmosfera da UEFA. Tanto assim é que durante 90 minutos massacra o poderoso AC Milan nas Antas. Fernando Gomes ainda marca um golo (bem anulado, por mão), José Alberto Costa tem uma grande oportunidade, Duda ameaça em dois livres. Nada feito. A noite é toda de um gigante de 182 centímetros chamado Enrico Albertosi. O homem defende tudo. 0-0 nas Antas para um Milan que, meses antes, interrompe um ciclo de dez anos sem o título italiano. Além de Albertosi, destaque para um menino de 19 anos, defesa central: Franco Baresi.

ONZE DO MILAN: Albertosi; Collovati, Morini, Barsei, Bigon, Maldera, Buriani, De Vecchi, Novellino, Chiodi e Antonelli. Suplentes utilizados: Carotti e Galluzzo.

VÍDEO:

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Papin

3. A poção mágica do gaulês Jean-Pierre Papin

FC Porto-AC Milan, 0-1

O super-Milan dos anos 90 vive dias de esplendor, quando visita as Antas a 3 de março de 1993. A constelação de estrelas tem internacionais italianos (Baresi, Maldini, Albertini, Costacurta, Simone), holandeses (Gullit), croatas (Boban) e franceses (Papin). Os títulos europeus de 1989 e 1990 ajudam a explicar o poderio rossoneri. O FC Porto ainda incomoda a baliza de Sebastiano Rossi, mas o herói da noite chama-se Jean-Pierre Papin, autor do golo da vitória. E que golo!

ONZE DO MILAN: Rossi; Tassotti, Baresi, Costacurta, Maldini, Boban, Albertini, Gullit, Lentini, Simone e Papin. Suplentes utilizados: Cudicini (GR) e Evani.

4
AC Milan 1994

4. Regresso ao local do crime para preparar o título europeu

FC Porto-AC Milan, 0-0

Poucas semanas antes de se sagrar campeão da Europa, o Milan sofre no Estádio das Antas. 13 de abril de 1994, Bobby Robson solta três diabos (Domingos, Drulovic e Timofte) e obriga Sebastiano Rossi a ser o melhor em campo. Vivem-se os dias de elogio e apologia ao catenaccio e ao futebol mordaz e cruel dos italianos. Defendem bem e ganham quase sempre. O FC Porto empata a zero bolas, o mesmo resultado de 1979.

ONZE DO MILAN: Rossi; Tassotti, Costacurta, Baresi, Maldini, Desailly, Albertini, Boban, Carbone, Massaro e Savicevic. Suplentes utilizados: Panucci

VÍDEO:

5
Rússia-Coreia do Sul (EPA)

5. Isaías, o amaldiçoado

Benfica-AC Milan, 0-0

A primeira visita do AC Milan à Luz realiza-se a 15 de março de 1995. Todos os que seguem em Portugal sabem de cor e salteado os nomes dos craques que compõem o plantel campeão europeu. Fabio Capello é o monstro dos bancos, criador de uma equipa aparentemente inexpugnável. E mesmo nos momentos em que sofre, aguenta. Na Luz, há uma jogada que se eterniza na memória coletiva: perto do fim, Isaías remata para golo e a bola bate no poste direito, no poste esquerdo e sai. Só pode ser maldição.

ONZE DO MILAN: Rossi; Panucci, Baresi, Galli, Maldini, Desailly, Boban, Eranio, Donadoni, Savicevic e Simone. Suplentes utilizados: Costacurta e Stroppa

VÍDEO:

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George Weah

6. A noite em que Weah agride Jorge Costa

FC Porto-AC Milan, 1-1

Quarto ano seguido do AC Milan em Portugal, terceira visita às Antas nos anos 90. 20 de novembro de 1996, mais um jogo cheio de nervos e um duelo a fazer faísca entre Jorge Costa e George Weah. No San Siro, o FC Porto vence por 3-2 e o liberiano acaba o jogo com a mão magoada, por culpa de uma pisadela do central português. A vingança é servida em jeito de cabeçada no túnel de acesso aos balneários, já depois do jogo. Jorge Costa vai à sala de imprensa ainda ensanguentado e sente-se mal em frente às câmaras. O pior lado do futebol na última década do século passado. 1-1, golos de Edgar Davids e Edmilson.

ONZE DO MILAN: Rossi; Panucci, Baresi, Costacurta, Maldini, Desailly, Davids, Boban, Eranio, R. Baggio e Weah. Suplentes utilizados: Ambrosini, Dugarry e Simone.

VÍDEO (imagens RTP):

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Rui Costa (Reuters)

7. Rui Costa festeja em Alvalade aos 90+4

Sporting-AC Milan, 1-1

Numa rara passagem pela Taça UEFA, o Milan chega a Alvalade a 5 de dezembro de 2001 e consegue um empate quase milagroso. Marius Niculae dá a vantagem aos leões ainda cedo, com um extraordinário pontapé de pé esquerdo, e o golo dos italianos aparece só quatro minutos depois dos 90. Javi Moreno, um espanhol que poucas marcas deixa nos rossoneri, recebe na área, roda e remata. Rui Costa, o número dez, é substituído aos 70 minutos e festeja já no banco de suplentes.

ONZE DO MILAN: Abbiati; Helveg, Contra, Costacurta, Maldini, Roque Júnior, Kaladze, Gattuso, Donati, Rui Costa e Shevchenko. Suplentes utilizados: Laursen e Javi Moreno.

VÍDEO:

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Pirlo (Reuters)

8. Pirlo, o desmancha-prazeres

Benfica-AC Milan, 1-1

Meses depois de ser campeão europeu, numa final ganha ao Liverpool, o AC Milan entra no Estádio da Luz e joga contra um Benfica que está obrigado a ganhar para seguir em frente. A pressão, o respeito excessivo, enfim, a certeza de que do outro lado está um monstro, deixam o Benfica estático e aos 15 minutos surge logo o golo de Andrea Pirlo, num bom remate. As águias ainda empatam por Maxi Pereira, chegam a encostar o Milan às cordas, mas chegam ao fim e são eliminadas neste 28 de novembro de 2007.

«O Milan sofreu e nós fizemos o Milan sofrer. Fizemos um grande jogo e merecíamos mais. Criámos uma série de ocasiões de golo, mas não conseguimos chegar à vitória. Entrámos demasiado nervosos e respeitosos. Depois do nosso golo, a equipa soltou-se, fez uma segunda parte maravilhosa e acabou em cima do Milan. Foi uma grande oportunidade de vencer o Campeão da Europa», resume Rui Costa, que trocara um ano antes o San Siro pela Luz.

ONZE DO MILAN: Dida; Bonera, Nesta, Kaladze, Serginho, Gattuso, Pirlo, Brocchi, Kaká, Seedorf e Gilardino. Suplentes utilizados: Maldini, Oddo e Gourcuff

VÍDEO: