Maisfutebol

Pelé: 10 histórias portuguesas do Rei

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Pelé com a camisola do Vasco (Foto Vasco.com.br)

Três golos ao Belenenses pelo… Vasco

Combinado Vasco/Santos-Belenenses, 6-1

19 de junho de 1957, Torneio do Morumbi

Estádio do Maracanã

Pelé torcia pelo Vasco da Gama em criança e essa paixão ficou sempre. Mas foi o Santos o clube que agarrou muito cedo o menino que nasceu na cidade mineira de Três Corações e cresceu em Bauru, no interior de São Paulo. Já era jogador do Santos quando em junho de 1957 integrou uma equipa mista do Santos e do Vasco, que reuniu jogadores mais jovens dos dois clubes, quando as equipas principais estavam em digressão pela Europa. Jogava-se o Torneio do Morumbi, que tinha jogos no Rio de Janeiro e em São Paulo e vários clubes estrangeiros convidados, entre eles o Belenenses. A 19 de junho, foi com a camisola do Vasco que o «garoto» Pelé, de 16 anos, se estreou no Maracanã a marcar três golos ao Belenenses e a fazer mais duas assistências – ou três, segundo contava a crónica do jornal Globo, que soava a profecia. «O elemento destacado no encontro foi o atacante Pelé, uma extraordinária vocação de craque de futebol. Não só pelos gols que conquistou como pela maneira hábil de passar e driblar, Pelé demonstrou que não demorará a merecer um lugar na seleção nacional.» O combinado Vasco/Santos venceu por 6-1, Matateu marcou o golo de honra do Belenenses e estiveram no estádio pouco mais de 13 mil adeptos. O torneio não despertou grande interesse e nem chegou ao fim, mas a estrela de Pelé começara a brilhar. Um mês mais tarde, a 19 de julho, foi já com a camisola do Santos que Pelé defrontou pela primeira vez o Benfica. Num particular na Vila Belmiro, marcou um golo nessa vitória por 3-2. Os outros dois golos do Santos foram marcados por Tite, enquanto Cavém e José Águas assinaram os golos do Benfica.

 

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A primeira vez em Alvalade

Sporting-Santos, 2-2

19 junho 1959, Particular

Estádio de Alvalade

Pelé tinha 18 anos e já era campeão do mundo quando jogou pela primeira vez em Portugal. O palco foi o Estádio José de Alvalade, onde estiveram mais de 35 mil adeptos para ver o fenómeno brasileiro, então com 18 anos. O Santos estava a meio de uma longa digressão pela Europa e dois dias antes tinha realizado um jogo histórico frente ao Real Madrid de Gento, Puskas e Di Stéfano, o único confronto que faria frente a esses gigantes. Pelé bisou no Bernabéu, mas o campeão europeu Real Madrid venceu por 5-3. Em Alvalade, o Sporting puxou dos galões e arrancou um empate, chegando ao 2-0 com golos de Morais e do avançado brasileiro Faustino Pinto. O Santos reduziu num golo de Osvaldinho e a cinco minutos do fim apareceu Pelé, para fazer o 2-2. «Fomos para ver Pelé e vimos Faustino» era o título da crónica do Diário de Lisboa, onde se comentava também a hipótese de Pelé vir a transferir-se para o Real Madrid, que era notícia por essa altura. Nunca aconteceu.

 

 

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Mundial 1958: o Brasil festeja o primeiro título Mundial (foto Atlântico Press/Press Association)

Quando o Brasil goleou o Sporting

Sporting-Brasil, 0-4

16 maio 1960, Particular

Estádio de Alvalade

Em maio de 1960, Pelé voltou a Portugal e a Alvalade, agora com a camisola do Brasil, mas de novo para defrontar o Sporting, num jogo que voltou a atrair uma multidão ao estádio. Era um Brasil de luxo, o campeão do mundo no seu esplendor, com Pelé, Garrincha, Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos ou Pepe. Não brilhou Pelé, mas brilhou Garrincha, que marcou o último golo da vitória dos campeões do mundo por 4-0, sem apelo nem agravo. Mais um jogo com resultado feliz para a dupla que nunca perdeu um jogo: juntos, Pelé e Garrincha fizeram 40 jogos pelo Brasil, venceram 36 e empataram quatro.

4
Eusébio e Pelé

Eusébio apresenta-se a Pelé em Paris

Santos-Benfica, 6-3

15 junho 1961, Torneio de Paris

Parque dos Príncipes

Jogava-se a final do Torneio de Paris e frente a frente estavam o Santos e o Benfica, 15 dias depois de se ter sagrado campeão europeu na final com o Barcelona. Um vendaval de golos do Santos surpreendeu as águias, que já perdiam por 4-0 aos 35 minutos. Foi então que Bela Guttmann lançou Eusébio, o miúdo de 19 anos que tinha chegado meses antes e só tinha até então dois jogos oficiais pelo Benfica. O Santos ainda chegou ao 5-0, mas depois Eusébio abriu o livro, com um hat-trick em pouco mais de quinze minutos. Começava aí a lenda do Pantera Negra, a par da de Pelé, que marcou o 6-3 final, o segundo que apontou nesse jogo.

 

 

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Pelé - Santos-Benfica 1964 (Foto Twitter Pelé)

«O melhor Pelé de sempre» na Luz

Benfica-Santos, 2-5

11 outubro 1962, Taça Intercontinental

Estádio da Luz


«Se calhar foi o melhor Pelé de sempre. Ele estava imparável. Marcou três golos e em dois entrou a driblar com a maior facilidade do mundo pelo meio da defesa. Num dos lances, ele até fintou um polícia que estava sossegadinho atrás da baliza.» As palavras são de Pepe, antigo companheiro de equipa de Pelé, a recordar ao Maisfutebol aquele que é um dos jogos para a lenda do Rei. Era a final da Taça Intercontinental e na primeira mão, no Maracanã, Pelé já tinha definido o rumo da decisão, com um bis na vitória do Santos por 3-2. Mas guardou o melhor para a Luz.

Marcou os dois primeiros golos e ainda apontaria um terceiro, fez o que quis com a bola. «O Pelé chateou-se e foi uma chatice. Teve uma atuação fabulosa, marcou três golos e confirmou que era, de facto, o Rei, o melhor do mundo», recordou também ao Maisfutebol António Simões, que estava em campo naquela noite.

Quem viu nunca mais esqueceu. Quando chegou ao Brasil para treinar o Santos no início de 2020, Jesualdo Ferreira também recordou aquele jogo. «Eu ainda vos vi jogar, era um menino. Deram cinco ao Benfica do Coluna, Eusébio, Costa Pereira, Simões, José Augusto. O Pelé fazia tabela no pé do Humberto Fernandes», disse Jesualdo. Simões recorda que esse era um dos dons singulares de Pelé, usar um adversário para «tabelar». «Vi todos os outros grandes jogadores a fazerem o que Pelé fez, o Pelé a fazer tudo o que os outros fizeram, mas não vi ninguém fazer o que ele fez, fazer tabela com o adversário, a coisa mais estranha, até parece bizarra», disse agora o antigo internacional português à Lusa.

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Pelé «no bolso de Vicente» na primeira vitória sobre o Brasil

Portugal-Brasil, 1-0

21 abril 1963, Particular

Estádio Nacional

No ano anterior, Portugal tinha visitado o Brasil, para dois confrontos que serviram à seleção canarinha de preparação para o Mundial 1962. O Brasil venceu ambos, o primeiro por 2-1, em São Paulo, e o segundo decidido num golo de Pelé, 1-0 no Maracanã. Agora era como bicampeão do mundo que o Brasil retribuía a visita, num jogo que motivou enorme expectativa e garantiu uma enchente do Jamor. E Portugal conseguiu mesmo a primeira vitória de sempre sobre o Brasil. O jogo decidiu-se num golo de José Augusto e boa parte dos elogios foram para Vicente, pela impecável marcação do jogador do Belenenses a Pelé. «Onde está Pelé? No bolso de Vicente», escrevia o jornal A Bola.

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Portugal-Brasil do Mundial 66 (AP)

A única derrota de Pelé no Mundial

Brasil-Portugal, 1-3

19 julho 1966, Campeonato do Mundo

Goodison Park, em Liverpool

A única derrota de Pelé num Mundial aconteceu frente a Portugal. O Mundial 66 está entre as piores recordações do único jogador que foi três vezes campeão do mundo e este foi o jogo que ditou a despedida do Brasil. Pelé chegou a Inglaterra com problemas físicos e saiu lesionado do primeiro jogo frente à Bulgária, depois de ter marcado um golo. Não jogou a segunda partida frente a Hungria e voltou para defrontar Portugal, no jogo em que o Brasil jogava a qualificação. Mas uma enorme exibição da seleção nacional, com um golo de Simões e um bis de Eusébio, eliminou os campeões do mundo. Pelé acabou o jogo incapacitado, depois de uma entrada dura de Morais. Mais uma vez houve elogios para Vicente pela forma como marcou o Rei, mas o antigo internacional, irmão de Matateu, dispensa os louros. «O Otto Glória, que treinava o Belenenses e conhecia o Pelé, disse-me assim: ‘Fica de olho nele, se ele for à casa de banho tu vais com ele.’ Eu tentei, ele fugia pela esquerda, pela direita, pelo meio... Um jogador daqueles não se podia marcar, era difícil, um jogador extraordinário que não tinha um lugar certo para jogar. Marquei-o e não me saí mal. Não sei como o fiz, mas fiz. E nós ganhámos por 3-1», disse Vicente ao Diário de Notícias.

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Reencontros com o Benfica nas Américas

É longa a história entre o Benfica e o Santos de Pelé. Foram ao todo sete encontros e só no último o Benfica evitou uma derrota. Logo depois do Mundial 66, em agosto, um encontro em Nova Iorque acabou com vitória do Santos por 4-0. Pelé estava de volta e marcou um golo. Em agosto de 1968 defrontaram-se na Bombonera, em Buenos Aires, num torneio pentagonal. O Santos venceu por 4-2, Pelé ficou em branco e o homem do jogo foi Toninho Guerreiro, que assinou um póquer. Toni e Jorge Calado fizeram os golos do Benfica. Quinze dias mais tarde voltaram a defrontar-se em Nova Iorque e dessa vez acabou num empate, 3-3. Humberto Coelho estava em campo e recordou agora à Lusa esses dois confrontos, nos quais Pelé ficou em branco. «Joguei contra ele em Buenos Aires, num torneio, e em Nova Iorque, num particular. Marquei-o nas duas vezes, no primeiro não fez nenhum golo, e, no segundo, empatámos a três golos, num jogo espetacular», recordou o antigo defesa: «Foi difícil para mim, como era para todos os defesas. É claro que já o conhecia de ver jogar, nomeadamente no Mundial de 1966, e era muito complicado de marcar.»

9
Pelé

O «soccer» entre velhos conhecidos

Aos 34 anos, Pelé deixou o Santos, mas prolongou o estatuto de estrela planetária rumando aos Estados Unidos, para ajudar a promover o «soccer» no país. Jogou três épocas no New York Cosmos e voltou a cruzar-se com velhos rivais: Eusébio e também António Simões, que nesse ano de 1975 também tinham optado por uma aventura americana e jogavam nos Boston Minutemen. Simões recordou assim ao Maisfutebol o reencontro com o Rei na terra do soccer: «Recebemos o Cosmos, onde estava o Pelé. Demos 5-0. A meio do jogo falei com ele: Pelé, com esta equipa você está lixado. Eles não jogam nada. Respondeu-me logo, de braços caídos. Baixinho, eu estou a dar uma bola e eles devolvem uma bala. Não dá para jogar.»

10
O Rei Pelé e o King Eusébio em Alvalade, em 2002

Eusébio, amizade eterna

Foram rivais desde sempre, mas construíram uma cumplicidade que se prolongou no tempo. No início, era com Pelé que comparavam Eusébio. Era um elogio ao talento do Pantera Negra, mas ele não gostava da comparação. «Eusébio é Eusébio, Pelé é Pelé», dizia. Muitos anos mais tarde, Pelé contava que a amizade tinha nascido no Mundial 66 e sorria quando lhe diziam que também chamavam rei a Eusébio. Ao longo dos anos, apareceram juntos em inúmeras iniciativas e encontraram-se pela última vez poucos meses antes da morte de Eusébio, quando Brasil e Portugal se defrontaram nos Estados Unidos, em setembro de 2013, num particular que o escrete venceu por 3-1. Quando Eusébio morreu, Pelé chamou-lhe irmão.

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