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Japão: o guia

1
Seleção do Japão (Franck Robichon/EPA)

O PLANO

Há quatro anos a primeira missão de Hajime Moriyasu foi a de construir uma seleção em redor da nova geração. Dos habituais titulares no Mundial 2018, nenhum tinha menos de 25 anos. O então selecionador, Akira Nishino, decidiu apostar em jogadores mais experientes e foi bem-sucedido ao chegar aos ‘oitavos’, mas isto significava que a regeneração teria de estar concluída antes de 2022.

Moriyasu promoveu rapidamente Takehiro Tomiyasu, de apenas 20 anos, a uma posição importante, e reformou gradualmente a equipa. Só dois titulares de 2018 – Yoshida e Sakai – mantiveram o lugar. As mudanças têm sido tão suaves e graduais que a maioria dos japoneses, por engano, queixam-se que o selecionador escolhe sempre os mesmos jogadores.

Parte desta falsa ideia vem do respeito com que o selecionador sempre tratou os veteranos que perderam a titularidade. Moryiasu é cuidadoso com as palavras e prefere sempre falar em «fusão de gerações», ao invés de uma transição. Quatro dos que restam de 2018 - Eiji Kawashima, Yuto Nagatomo, Genki Haraguchi e Gaku Shibasaki – têm tido papéis importantes, sem levantar ondas, desde que perderam a titularidade.

O quadro geral da equipa parece bem, mas uma questão é o eixo do ataque. Nos dois amigáveis de setembro foram testados Daizen Maeda e Kyogo Furuhashi, ambos do Celtic, mas nenhum provou ser suficientemente clínico. Isto levou a rumores de que Yuya Osako recuperará a titularidade, ele que foi titular no Mundial 2018 e tem-se mostrado em boa forma no regresso à J-League.

2
Hajime Moriyasu (AP)

O SELECIONADOR: HAJIME MORIYASU

Antigo médio defensivo que representou o Japão, assumiu o comando do seu antigo clube, Sanfrecce Hiroshima, oito anos após pendurar as chuteiras. O seu primeiro trabalho como treinador foi um sucesso, já que venceu a J-League logo na sua primeira época, e três vezes no total do seu reinado. Também ficou em 3.º lugar no Mundial de Clubes de 2015. É conhecido pelo seu estilo cuidadoso e cauteloso.

Moriyasu foi fortemente criticado depois da derrota frente a Espanha, e acabou em 4.º lugar nos Jogos Olímpicos do ano passado, nos quais o Japão esperaria ganhar a medalha de ouro. Mas o presidente da federação, Kozo Tashima, enfatizou a sua confiança no treinador.

3
Junya Ito (AP)

ESTRELA: JUNYA ITO

Não será, porventura, conhecido internacionalmente, e nem era conhecido no Japão até bem recentemente. Hoje não há, contudo, nenhum adepto que não esteja a par da sua velocidade explosiva. Um extremo de imensa qualidade individual, convocado por Moriyasu logo para o primeiro jogo. Alguns críticos dizem que Ito é a tática de Moriyasu, mas isto também só mostra a presença fulcral do jogador de 29 anos na seleção.

4
Hisemasa Morita (AP)

HERÓI DISCRETO: HIDEMASA MORITA

O jogador de 27 anos não oferece extravagância. É um jogador genuinamente trabalhador, com perfeito sentido posicional, na defesa e ataque. Muitos jogadores desta categoria não são grandes passadores, mas Morita é excelente no passe e qualidade técnica. A sua importância foi sublinhada na ausência dos amigáveis de junho, nos quais as miseráveis exibições do Japão foram muito abaixo do esperado.

5
Genéricas Maisfutebol

ONZE PROVÁVEL

4x2x3x1

Schmidt - Sakai, Yoshida, Tomiyasu, Nakayama - Endo, Morita – Junya Ito, Kamada, Kubo – Maeda.

6
Estádio Lusail

POSIÇÃO SOBRE O QATAR

Não houve posição pública ou qualquer movimento. O historial do desporto no Japão em ser apanhado em assuntos políticos faz com que a maior parte dos atletas estejam relutantes em passar a sua mensagem em qualquer plataforma. Há quatro anos também nenhum jogador ou representante falou do regime autoritário de Vladimir Putin e dos direitos humanos na Rússia.

7
Bélgica-Japão

HINO NACIONAL

Kimigayo – literalmente, «O Reino da Sua Imperial Majestade» – tem uma das histórias mais incomuns de qualquer hino no mundo, mas é difícil resumir. As letras aparecem primeiramente como um poema publicado no Kokin Wakashū (Coleção de Poemas Japoneses dos Tempos Antigos e Modernos), no século X. O poema original nunca quis glorificar o imperador, mas uma dupla interpretação da palavra «kimi» – que pode quer significar «meu senhor», ou simplesmente «tu», em qualquer situação social – levou a que fosse entendido como uma celebração do reino imperial. Foi o irlandês John William Fenton que compôs a música original, fazendo Kimigayo de hino nacional a partir de 1870. Dos hinos tocados no Mundial, será, quase de certeza, o mais curto.

8
Nagatomo (Reuters)

LENDA DE CULTO: YUTO NAGATOMO

Só pode ser Nagatomo. Um lateral implacável que declarava publicamente: «Quanto mais me criticam, mais forte me torno». Nagatomo fez 36 anos, mas continua a ser o jogador mais enérgico por aqui. Verdadeiro à sua palavra, foi criticado pela má forma no passado, mas recupera sempre com grandes exibições e assim tem sido desde que se estreou pelo Japão, há 15 anos.

 

Textos de Akihiko Kawabata, jornalista freelancer que escreve para o Footballista.

 

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