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Suíça: o guia

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Suíça festeja um dos golos ante a República Checa, na Liga das Nações

O PLANO

A seleção suíça – chamada 'Nati' no país – tem gradualmente diminuído a diferença para os melhores do mundo, na última década. Alguns dos jogadores mais importantes, como Granit Xhaka, Ricardo Rodriguez e Haris Seferovic, foram campeões do mundo sub-17 em 2009, e agora formam a espinha dorsal da seleção, junto de jogadores que chegaram à final do Euro sub-21, em 2011, como Yann Sommer e Xherdan Shaqiri.

Têm sido bastante consistentes na qualificação para os torneios, falhando apenas o Euro 2012, nos últimos 16 anos. De facto, têm começado a qualificar-se para as fases a eliminar de forma regular, chegando aos 'oitavos' nos últimos três torneios, antes de chegarem um passo mais adiante, aos quartos de final, no Euro 2021. Recuperaram de um 3-1 frente à França, batendo os campeões mundiais nos penáltis, para chegar aos 'quartos', nos quais também levaram a Espanha aos penáltis, acabando por perder aí.

Contudo, mostrou o quão próxima a seleção se tornou dos melhores.

Há individualidades fortes como Xhaka, Shaqiri, Sommer, Manuel Akanji ou Breel Embolo, mas o sucesso dos helvéticos nos últimos anos deve-se ao coletivo. «Não temos Ronaldos e Messis na equipa, só funcionamos quando trabalhamos juntos», diz o capitão Xhaka. «Jogar contra nós é muito desconfortável.»

Durante a era de Vladimir Petkovic – entre 2014 e 2021 –, a Suíça jogou um futebol dominante, baseado na posse, e Murat Yakin, que assumiu no ano passado, fez apenas pequenos ajustes no ataque. A equipa tenta agora ser mais imprevisível e, por vezes, adota um estilo mais direto. Ficaram à frente da Itália na qualificação para o Mundial, com alguma sorte, e tem estado na divisão principal da Liga das Nações desde a sua criação, em 2018. Vão para o Mundial cheios de confiança, embora algumas lesões persistentes - como as dos guarda-redes Sommer e Jonas Omlin, assim como do defesa Nico Elvedi e do avançado Ruben Vargas - sejam preocupações.

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Suíça-Portugal (MICHAEL BUHOLZER/EPA)

O SELECIONADOR: MURAT YAKIN

Houve algumas dúvidas quando o antigo internacional suíço, Murat Yakin, assumiu a tarefa de substituir Petkovic, em agosto de 2021. Na altura Yakin treinava o FC Schaffhausen, na segunda divisão suíça. Mas tem bom pedigree como treinador, com o seu maior sucesso a surgir na sua passagem pelo Basileia, emblema pelo qual venceu o título suíço em 2013 e 2014, bem como uma presença nas meias-finais da Liga Europa, após vitórias frente a equipas como o Zenit e o Tottenham. É considerado um treinador inteligente, com muito conhecimento tático, e a sua postura charmosa é popular na Suíça. Como jogador representou clubes como o Grasshoppers, Estugarda, Fenerbahçe, Kaiserslautern e Basileia, mas há quem pense que devia ter alcançado mais, devido ao seu talento natural.

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Granit Xhaka no França-Suíça (EPA)

ESTRELA: GRANIT XHAKA

É o indiscutível líder da equipa, e continuou a sê-lo apesar das discordâncias com o treinador, Murat Yakin, na primavera. O capitão da 'Nati' falhou os decisivos jogos de qualificação, há um ano, mas provou na Liga das Nações que é indispensável. O jogador de 30 anos estará, provavelmente, a jogar o melhor futebol da sua carreira, e certamente o melhor desde que se juntou ao Arsenal, via Borussia Mönchengladbach, em 2016. Outro ponto positivo é a sua influência crescente a avançar terreno, nos Gunners, algo que os adeptos suíços vão querer continuar a ver no Qatar.

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Remo Freuler (Getty)

HERÓI DISCRETO: REMO FREULER

É justo dizer que, provavelmente, Remo Freuler é o jogador mais viável do plantel. O jogador de sonho de qualquer treinador. O médio do Nottingham Forest parece que nunca para de correr, e ganha muitos duelos, fechando o espaço em frente ao adversário. Não conseguiu afirmar-se plenamente na Liga suíça, e surpreendeu muitos quando se mudou para a Atalanta, em 2016, mas cresceu e tornou-se vital para a equipa de Bérgamo, que continuou a desafiar as expectativas e qualificou-se várias vezes para a Liga dos Campeões. Mudou-se para o Forest no verão e ajuda com golos importantes na seleção, como aquele que apontou à Rep. Checa na Liga dos Nações, o seu quinto golo em 48 internacionalizações.

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Genéricas Maisfutebol

ONZE PROVÁVEL

4x2x3x1

Sommer - Widmer, Akanji, Elvedi, Rodriguez - Freuler, Xhaka - Shaqiri, Sow, Okafor - Embolo.

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Estádio Lusail

POSIÇÃO SOBRE O QATAR

A federação suíça deixou clara a sua posição, lançando um comunicado antes sequer da qualificação começar: «Decidimos em favor do diálogo e contra um boicote. Queremos ser ativos na questão dos direitos humanos. Não escolhemos os anfitriões e queremos usar o tempo antes, durante e depois do Mundial para fazer campanha em prol respeito pelos direitos humanos dos trabalhadores no Qatar, quando o país está sob atenção». O presidente da federação é também cofundador do Grupo de Trabalho da UEFA para os Direitos Humanos, que fez visitas frequentes ao Qatar para inspecionar a situação. Silvan Widmer, defesa e capitão do Mainz, disse o seguinte: «Devemos confiar nessas pessoas para fazer a diferença. Pensamos sobre essas situações. Para mim o futebol está na vanguarda, mas isso não significa que nos esquecemos dos outros problemas.»

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Suíça-Espanha (fotos (Anton Vaganov/AP)

HINO NACIONAL

Denominado «O Salmo Suíço», foi composto em 1841 por Alberich Zwyssig, um monge do mosteiro de Wettingen, com letras escritas por Leonard Widmer um ano antes, mas algo modificadas. Existem versões em quatro línguas diferentes: alemão, francês, italiano e romanche. Uma versão portuguesa do primeiro verso será algo do género: «Quando você vem ao amanhecer, vejo-o no mar de raios, você, grande, glorioso! Quando a neve fica vermelha; rezem, suíços livres, rezem!»

O hino nem sempre foi popular, mas agora pode ser ouvido em muitos eventos desportivos. Nem todos os jogadores cantam, tendo em conta que muitos têm origens migrantes, mas todos colocam a mão no coração durante o hino, como sinal de respeito e solidariedade pelo seu país.

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Stéphane Chapuisat (direita) e Alexi Lalas (esquerda) no Mundial 1994 [AP]

LENDA DE CULTO: JOSEF 'SEPPE' HÜGI E STÉPHANE CHAPUISAT

Foi o herói suíço no Mundial 1954, marcando seis golos e terminando na segunda posição da Bota de Ouro (atrás do húngaro Sandor Kocsis, que marcou uns impressionantes onze golos). Três dos golos de Hügi foram apontados nos ‘quartos’, frente à Áustria, jogo que a Suíça perdeu por 7-5. Se estivermos a pensar em alguém mais recente, a escolha recai em Stéphane Chapuisat: o avançado da parte francesa da Suíça que teve uma carreira de grande sucesso no Borussia Dortmund, ganhando dois títulos germânicos e a Liga dos Campeões em 1997. Infelizmente raramente replicava a forma do clube na seleção, mas está entre os marcadores da magnífica vitória frente à Roménia, por 4-1, no Mundial 1994.

 

Textos de Christian Finkbeiner, que escreve para o Blick.

 

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