Foram evidentes as pretensões de Fernando Santos quando foi anunciada a equipa com Derlei a entrar de início para formar uma linha ofensiva com Nuno Gomes e Simão no apoio directo a Miccoli, enquanto Karagounis recuava para jogar com Petit. Daúto Faquirá respondia com um meio-campo de combate, com Luís Loureiro, Tiago Gomes e Marco Paulo, reforçada com Daniel nas costas, deixando apenas Moses e Dário com a baliza de Moretto no horizonte. O aguardado vendaval encarnado começou com tendência a cair sobre a esquerda, onde Simão assumia a batuta com rápidas combinações com Léo, mas não foram precisos esperar muitos minutos para perceber que o Benfica não ia ter vida fácil na Reboleira.

O Benfica jogava rápido, mas com pouca cabeça, exibindo potência até à entrada da área, mas muito pouca energia no seu interior, onde Paulo Lopes, em noite inspirada, bem secundado por Amoreirinha e Fonte, teve sempre a última palavra. Simão criou o primeiro desequilíbrio quando deixou a esquerda para fazer uma excelente abertura ao centro, soltando Nuno Gomes na área, mas Fonte, decidido a mostrar-se a Fernando Santos, anulou o lance de forma imperial. O Benfica atacava em bloco, mas apenas Simão, na esquerda, ao centro ou na direita, conseguia escapar ao acerto dos da casa. No entanto, desta vez, os cruzamentos do capitão pouca mossa fizeram, com Paulo Lopes a anular todas as bolas de todas as formas e feitios: a soco, à palmada ou mesmo a pontapé.

O objectivo de conseguir uma vantagem cedo que permitisse poupar Simão, em risco de falhar o clássico, começava a ficar cada vez mais longe, com os minutos a correrem e o Benfica a revelar pouca imaginação. Até final da primeira parte, apenas uma nota de destaque para Miccoli que, com duas arrancadas, proporcionou mais dois bons momentos a Paulo Lopes. De Nuno Gomes pouco se viu e de Derlei muito menos. Não surpreendeu por isso que o brasileiro tivesse sido o primeiro sacrificado quando, com poucos minutos da segunda parte, Fernando Santos decidiu mexer na equipa para apostar em João Coimbra.

Os primeiros minutos deixaram antever um Estrela mais audaz, numa comparação com um primeiro tempo em que nunca assustou Moretto. Logo no primeiro lance, Tiago Gomes cruzou da direita, Léo cortou de forma incompleta, com a bola a subir na vertical e a ficar à mercê de uma tentativa de pontapé de bicicleta de Luís Loureiro que, apesar do pouco primor técnico, conseguiu levar a bola a roçar na trave. Refeito do susto, o Benfica voltou à carga, agora com maior profundidade mas, mais uma vez, a depender das iniciativas do seu capitão. Miccoli, num remate contra Fonte, quase conseguiu o primeiro golo, mas a melhor oportunidade foi desperdiçada por Nuno Gomes que, com a baliza à sua disposição, atirou ao lado.

Pelo meio, mais um susto para Moretto na sequência de um remate inofensivo de Moses. Anderson tentou entregar a bola ao brasileiro, mas o passe saiu-lhe feito chapéu, com Moretto a salvar a pontapé quase sobre a linha fatal. O Benfica começava a esmorecer quando surgiu o momento do jogo. Num livre, a trinta metros da baliza de Paulo Lopes, Petit atirou a tal «bomba» que ainda bateu na cabeça de Daniel e deixou o guarda-redes do Estrela prostrado, de joelhos, a ver a bola entrar junto ao poste. As bancadas explodiram em festa, a gritar «campeões, campeões». Miccoli e Nuno Gomes tiveram depois oportunidades para matar o jogo, mas Fernando Santos não esperou mais e tirou mesmo Simão quando faltavam apenas dois minutos para o final.