Foi com o conhecimento das vitórias dos rivais em Guimarães e Matosinhos que o Benfica encarou o Estrela, e a pressão de vencer revelou-se um adversário que os encarnados dispensavam, mas em momento algum do jogo conseguiram disfarçar, mesmo frente a uma equipa que não recebe há sete meses e não treinou durante uma semana.

Quique Flores recuperou parte do onze que venceu o Sporting na final da Taça da Liga, com três reajustes, todos forçados, devido a lesão: Luisão por Jorge Ribeiro, com David Luiz a regressar ao eixo e Sidnei a continuar no banco; Reyes por Yebda (Amorim e Aimar ocuparam as laterais); e, na frente, Suazo por Cardozo, ao lado de Nuno Gomes. Já Lázaro apostou praticamente na mesma equipa que empatou 2-2 com o Sp. Braga, com a excepção de Vidigal render Tengarrinha (lesionado) na defesa.

O Benfica sabia que o Estrela nada tinha a perder, o que não acontecia consigo, depois de na ronda anterior ter perdido terreno na frente, face à derrota na Luz ante o V. Guimarães. Na Reboleira só Sporting e F.C. Porto tinham conseguido até à data levar a melhor sobre o anfitrião e a perspectiva de o mesmo suceder este domingo ganhou forma aos cinco minutos, quando o árbitro assinalou a primeira grande penalidade.

Hugo Miguel entendeu que Ney Santos derrubou Nuno Gomes na pequena área e Cardozo encarregou-se de inaugurar o marcador, regressando aos golos na Liga depois do derby de Alvalade (19ª jornada). O lateral esquerdo, efectivamente, fez falta sobre o avançado, mas fora da área.

O Estrela não se resignou, como acontece com os salários, e continuou à procura de melhor sorte, sobretudo pelos pés de Jardel e Silvestre Varela, mas quis o destino, ou melhor o árbitro, voltar a chamar a si a atenção, desta feita com o benefício da dúvida presente. Vidigal cortou indevidamente a bola jogada por Nuno Gomes, apesar de estar em posição difícil de avaliar. O segundo penalty foi, assim, assinalado, aos 15 minutos, para mais um remate bem sucedido do internacional paraguaio, o melhor marcador do Benfica, o terceiro melhor da prova, em igualdade com Liedson e Lucho, todos com nove golos.

Mas não ficaria por aqui. Aos 29 minutos foi a vez de o Estrela reduzir, também na conversão de uma grande penalidade, que de facto existiu, mas não de Yebda sobre Nuno André Coelho (a falta que foi assinalada) e sim de David Luiz, que cortou um canto de Jardel com a mão e que o árbitro assinalou apenas novo canto.

Até ao intervalo, só Nuno Gomes e Cardozo foram capazes de intimidar o colectivo da casa, curiosamente, mais determinado e coerente na construção de jogo. As substituições na segunda parte refrescaram o... Estrela, sobretudo a entrada de Celestino, que obrigou Quim (de volta ao campeonato) a aplicar-se na recta final.

O Estrela não perdia em casa desde 17 de Dezembro, aquando da recepção ao F.C. Porto, a contar para a 9ª jornada (em atraso), depois de no mesmo mês, mas dia 5, ter perdido frente ao Sporting, na 11ª ronda.