Quando terminou o percurso nas camadas jovens esteve um ano sem competir. O que se passou?

Joguei nove anos na formação do Leixões, depois de fazer duas épocas nas escolinhas do Boavista. Tinha o sonho de transitar para o plantel sénior, mas tive vários problemas físicos no meu último ano de júnior. Ainda fiz a pré-época com o Vitor Oliveira (1996/97), treinei dois dias e a lesão muscular voltou a aparecer. Na altura de definir o plantel, o treinador decidiu, muito naturalmente, não contar comigo.

Foi nesse instante que decidiu desistir do futebol?

Não, ainda fui treinar ao Pedras Rubras, da terceira divisão. O plantel tinha 26 jogadores e nem sequer fui aceite. Nunca me disseram directamente que não me queriam, mas percebi que ia ter a vida complicada. O Pedras Rubras treinava como qualquer clube profissional e preferi, por isso, dedicar-me a tempo inteiro à minha vida académica.

Nessa altura colocou em causa o seu próprio valor?

Sim, sem dúvida. Criei muitas expectativas nas camadas jovens, até porque o Leixões é um clube forte na formação. De um momento para o outro cheguei à terceira divisão e percebi que não me queriam. Cheguei a casa, olhei-me ao espelho e questionei a minha valia. Foi então que preferi parar, entregar-me à vida académica e jogar pela FEUP na liga universitária.

E como é que consegue regressar ao Leixões, três anos depois?

No final da época em que não competi, recebi um telefonema de um antigo treinador meu. Expliquei-lhe a minha opção e ele desafiou-me a voltar ao futebol. Convidou-me a ir para o Padroense, que na altura estava nos distritais da AF Porto. Os treinos eram ao final da tarde e lá aceitei. O clube subiu à terceira divisão e joguei lá duas temporadas (2007/08 e 2008/09). Destaquei-me o Leixões lembrou-se de mim.

É uma realidade completamente diferente daquela que conhece hoje em dia¿

Na terceira divisão vive-se mais tranquilamente, embora tenhamos de dar tudo nos treinos e nos jogos. A grande diferença é mesmo a remuneração. Trabalha-se como profissional e recebe-se como amador.

E quando surge o convite do Leixões?

Estava há dois dias no Algarve de férias, quando recebi a informação pela boca do presidente do Padroense. Não havia qualquer certeza, ia apenas treinar à experiência na pré-época, mas aceitei. Acabei com as férias e integrei o estágio em Melgaço. Conheci-a muitos jogadores e não estranhei nada.

O José Mota gostou do seu trabalho. Foi ele que o informou da aposta concreta do Leixões em si?

Na terceira semana de treinos, após um jogo com o Beira-Mar, o José Mota chamou-me ao gabinete dele, mandou-me sentar e perguntou-se se queria ser jogador do Leixões. As lágrimas vieram-me aos olhos. Disse-lhe que era o meu sonho.