A noite era de consagração do Barcelona campeão e de adeus ao génio de Xavi Hernández, após 17 anos de carreira.

Mas a festa maior acabou por ser do Deportivo: garantiu a permanência com um golo histórico de Diogo Salomão, o número 17 da equipa da Corunha.

A lutar pela permanência, aos 75 minutos, o Depor perdia por 2-1 e estava com um pé na segunda divisão. Até que o jogador português marcou o golo do empate num pontapé, em jeito de surpresa, sem hipótese de defesa.
 

Depois de um ano complicado com vários meses de ausência, devido a lesão, o extremo emprestado pelo Sporting ao clube espanhol, e agora herói na Corunha, falou ao  Maisfutebol.

Deu ao Deportivo a permanência na Liga espanhola, após um ano com várias lesões. Qual foi a sensação que teve ao marcar o golo do último sábado?
Nem sei dizer. Aquilo que senti foi indescritível. Um misto de sensações. Foi um ano muito complicado por todos os percalços que houve. Foi sair duma e meter-me noutra. Por isso, o golo… foi um remate certeiro, que me deu uma alegria pessoal enorme e uma felicidade coletiva por todos os adeptos, companheiros e equipa técnica que mereciam a permanência. Soube bem. Fizemos um grande esforço ao longo da temporada e isso foi premiado. Na última oportunidade, mas foi.

Pensou em alguma coisa quando a bola, na recarga, foi na sua direção?
Não, nem deu para isso. Aquilo foi uma oportunidade. A única que me surgiu durante todo o jogo e saiu-me bem. Deu para fechar a época em grande, depois de tudo o que me aconteceu, e, o mais importante, dar a permanência ao clube.

Além da manutenção, o golo foi marcado ao campeão Barcelona em pleno Camp Nou…
Foi incrível, sim. Por tudo! Mais ainda pelo ambiente que estava, da festa de campeões e da despedida do Xavi, com o estádio cheio. Nunca irei esquecer este jogo, nem este golo. Marcarão, sem dúvida, a minha carreira.

Foi o golo mais importante até agora?
Sim. Tecnicamente não foi o mais bonito, mas foi aquele que alegrou a toda uma região e a um clube.

O mais bonito foi aquele ao serviço do Sporting frente ao Sp. Braga?
O de calcanhar? Sim. Talvez. Pela dificuldade. Foi um gesto técnico, acrobático. Talvez tenha sido, sim, o mais bonito que fiz até agora. Mas se tivesse de destacar os golos da minha carreira, até este momento, seriam estes dois por razões diferentes.



Com o Depor tem vividos emoções distintas: uma descida, duas subidas e uma permanência. Como descreve o momento em que se sentenciou a descida em 2012/2013?
Frustrante. Aconteceu no último jogo do campeonato, em nossa casa, frente à Real Sociedad. Só dependíamos de nós e perdemos. A sensação é muito frustrante. Ver uma época, o trabalho de tantos meses, ser deitado por «água abaixo» é horrível. Não conseguimos sequer empatar, perdemos por 1-0 e foi uma sensação de frustração enorme. Lembro-me que as lágrimas me vieram aos olhos imediatamente.

Este ano a sensação foi diferente…
Totalmente. Foi de alívio e de satisfação. Não cheguei a chorar, mas a emoção foi muito grande e a importância deste empate foi enorme.

Que balanço faz destes quatro anos ao serviço do Depor?
Em suma, um percurso interessante. Cheio de bons e maus momentos. Desfrutei ao máximo do melhor, dos jogos e dos golos; e aprendi com o pior, porque isso serviu para me fazer mais forte. Até agora, foi o clube onde ganhei mais experiência e onde aprendi mais.

Os adeptos gostam muito de si. Isso ajuda?
Claro. Sinto o carinho deles e de toda a estrutura do clube desde que cheguei. Há uma forte ligação entre mim e eles. Como costumo dizer, o Depor é a minha segunda casa.

Sendo assim: Deportivo ou Sporting?
São clubes diferentes. O Sporting foi o clube que me lançou no mundo profissional. Estava no Real Massamá e saí da Segunda B, porque o Sporting me foi buscar. Por isso, vou sempre agradecer-lhe e ter um carinho especial pelo clube. Em 2010/2011 as coisas correram bem e fui muito bem tratado. O Depor tem-me marcado por tudo o que já se passou em quatro épocas.

Há o sentimento de que o Sporting nunca apostou realmente em si?
Não. Não sei até que ponto o Sporting não apostou em mim. Cheguei a Alvalade com poucas expetativas, porque vinha de uma equipa pequena e esse percurso é raro. Fiz 17 jogos como titular, alguns interessantes, na Liga e na Liga Europa. Foi um ano positivo para mim. Admito que fiquei surpreendido por depois terem decidido emprestar-me, mas não sei até que ponto não apostaram em mim.


E o futuro passa por onde? Qual é o seu desejo?
Ainda não sei. Tenho mais um ano de contrato com o Sporting e, por isso, é o clube onde estou focado. O Depor é sempre uma opção interessante, mas se o Sporting achar que posso ajudar, na próxima época, ficarei muito feliz .