O sobrenome de Afonso é herdado do pai, que o herdou do seu avô. Sousa é nome com tradição no futebol português. António Sousa, o avô, e Ricardo Sousa, o pai, são antigos jogadores, agora treinadores. Afonso é o mais recente membro desta família de futebolistas a mostrar-se ao futebol português.

No meio da história que o envolve no futebol e da qual já começou a fazer parte, o jovem Afonso afirma-se na primeira pessoa. Ao lado do sobrenome, a sua afirmação no futebol de formação nacional já se faz no nome próprio; no nome próprio de um jovem cujo talento faz par com a maturidade de quem sabe que o seu valor individual é o seu melhor cartão de visita.

Basta falar com ele para ele nos mostrar isso mesmo. À pergunta sobre como se caracteriza como futebolista responde com a sua atitude: «Sinto-me um jogador que trabalha sempre no máximo, até ao último minuto. Isso é o mais importante.» E é assim que já demonstra o carácter formado.

«Não cheguei a lado algum»

«Desde pequeno, tive sempre o sonho de vir para o Porto. Está a tornar-se realidade, mas ainda não cheguei a nenhum lado», adverte em conversa com o Maisfutebol. Afonso Sousa é jovem como tantos outros da sua idade que despontam para o futebol dos mais velhos. Mas não é feito só do talento próprio da idade: «Com 15 anos não podemos achar que chegámos a algum lado. Sou um jogador que sabe que tem qualidades. Mas ainda não cheguei a lado algum.»

A repetição vinca a mentalidade. O seu pai, Ricardo Sousa, conta que Afonso «já se apercebeu de que só dois ou três é que conseguem» vingar no futebol do presente. «Ele sabe pela minha voz e pela do meu pai que cada vez é mais difícil» ter sucesso no futebol e que, junto à sua «humildade», Afonso «já tem a sorte de estar no sítio certo» para continuar o seu caminho.

Aos 5 anos de idade, Afonso Sousa começou a jogar no Beira Mar – «as brincadeiras dele eram sempre com a bola, não eram com carros ou outras coisas», conta ao Maisfutebol Ricardo Sousa – e aos 9 anos foi para o FC Porto para os sub-10. É Afonso quem nos revela o seu percurso: «Fui observado pelos três grandes e optei pelo FC Porto, que é o clube do meu coração.»

É Afonso quem no revela que, nessa altura, como chegava a casa muito tarde e era muito novo, acabou por voltar para Aveiro e a jogar no Beira Mar e no Gafanha. Aos 13 anos já tinha idade para estar interno na academia portista e assim para lá voltou, onde está atualmente. Agora, Afonso não esconde que o objetivo almejado num prazo mais longo «é chegar à equipa A do Porto».

«A camisola do Porto pesou»

Mas o guia mental continua lá. «Cada dia é um dia se continuarmos a trabalhar», frisa o jovem de 15 anos com base na sua já assimilada experiência: «Passei para uma exigência muito grande no Porto.» «No Beira Mar, estava muito à vontade. Depois, no Porto, a pressão da camisola pesou muito», admite Afonso, com essa «pressão» já ultrapassada: «Agora, já me adaptei mais.»

O avô, António Sousa, afirma que Afonso «tem uma série de predicados que podem fazer dele alguém no futebol». «Tecnicamente parece bom e tem demonstrado atitude», pois, a «raça» que exibe, diz António Sousa ao Maisfutebol, ajudará «a melhorar». Ricardo Sousa diz que o filho «tem um pouco de ambos». «O meu pai tinha a entrega em campo, eu era mais tecnicista», recorda para complementar a sua análise: «O Afonso dá uma intensidade ao jogo fenomenal e tem também uma técnica apurada.»

«Ele sabe encontrar uma posição que se adeque mais a ele. É um jogador muito lúcido, consegue ver o espaço em que pode jogar», diz Ricardo sobre o filho que considera ter «uma maturidade acima da média». «Consegue estar bem em termos táticos e consegue gerir os ritmos do jogo», aponta o pai de Afonso destacando que o FC Porto «é o sítio certo» para o jovem médio estar.

O avô corrobora a análise: «Pela juventude, ainda é muito cedo para perspetivar. Mas, pelos passos que tem dado, tem evoluído de forma boa e positiva, como é o caso de estar nos sub-17 do FC Porto. Isso abre-lhe fortes perspetivas para evoluir.»

«Tenho de ser pelo que sou»

Filho e neto de dois nomes bem conhecidos do futebol português ao longo dos últimos 35 anos, Afonso Sousa também sabe o que é lidar com o sobrenome que acompanha o nome próprio. As referências são invetiváveis, como ele próprio sabe. «Por um lado é bom, por outro não é», diz, mas não se ficando pela constatação. Afonso volta a dar um passo à frente no que respeita ao caráter: «Eu tenho de ser o Afonso e não tenho de ser comparado. Eu tenho de ser o que sou e pelo que sou.»

Esta forma de ser é a forma de ser de quem se formou assim. Afonso diz-nos que «ser independente» desde bastante novo, «fazer as coisas numa cidade sozinho», como «ir para a escola a pé, preparar as coisas» para o dia a dia o ajudaram tornar-se «mais maduro», refere mesmo «mais adulto». Mas, ainda, em tempo de lembrar os ídolos que todos os jovens sempre têm. O seu, pois claro, também morou no Dragão: «O meu ídolo desde pequeno sempre foi o Deco. Todos os médios queriam ser o Deco...»

*Imagem de capa do artigo cedida pela FPF