Gonçalo Paciência já passou por grandes palcos. Foi campeão pelo FC Porto, jogou em dois dos principais campeonatos do mundo e até venceu uma Liga Europa. Chegou mesmo a ser convocado para a Seleção Nacional e, em dois jogos, marcou um golo.
Uma série de circunstâncias na carreira, como o próprio admite, contribuíram para que não chegasse ao patamar que muitos lhe apontavam. As lesões sempre impediram que desse o clique, até ao momento em que se quis desamarrar de toda essa pressão e optou por explorar campeonatos alternativos - como Brasil e Japão - para ter novas experiências de vida.
Depois de um ano em que se sentiu colocado de parte e de alguns meses sem jogar, foi de forma surpreendente que regressou a Portugal, em janeiro, pela porta do Santa Clara. Em entrevista ao Maisfutebol, Gonçalo Paciência confessa que se voltou a sentir jogador nos Açores, explica qual é o papel que tem no balneário e recorda, com especial destaque, o golo marcado em Alvalade, com um gesto técnico na sua zona favorita: o «quadradinho».
Nesta conversa, o avançado de 31 anos reflete ainda sobre o estado do futebol português, deixa elogios à evolução do FC Porto com André Villas-Boas, explica por que nunca se fixou num só clube e recorda quando vestiu as cores de Portugal.
LEIA MAIS
PARTE I: «Santa Clara deu-me a mão. Voltei a sentir que é possível sonhar com algo mais»
PARTE II: «Queria ir para ali e para acolá. Não tive a paciência que tenho no nome»
PARTE IV: Paciência: «Sempre sonhei ser o ponta de lança da Seleção»
Maisfutebol: Terminou o campeonato a ver o jogo da bancada, mas num sítio muito especial, o Dragão.
Gonçalo Paciência: Foi um momento difícil porque eu queria muito jogar, queria muito voltar ao Dragão. Nunca marquei ao FC Porto. Faltava-me marcar a um grande, ficou a faltar marcar ao FC Porto. Pode ser que seja para o ano. Fica para o ano. Mas claro que me custou, ainda tentei [jogar], mas não valia a pena o risco, até porque já estava o campeonato feito para os dois lados. Mas claro que foi especial estar outra vez naquela casa, com as pessoas que eu conheço, a malta que trabalhou comigo durante vários anos. É sempre especial e fui bem recebido também pelo André Villas-Boas e por toda a estrutura.
O FC Porto está diferente, mostrou que está vivo de novo e, com este título, ainda vai crescer muito mais, porque quem lá está tem muita competência. O FC Porto voltou ao caminho do sucesso. O André [Villas-Boas] tem um grande dedo nisso, depois de tantos anos com o presidente Pinto da Costa, que não é fácil de substituir. Alguém tinha de o fazer e ter essa coragem não é fácil também.
Nota-se até no estádio que muita coisa mudou nos últimos dois anos.
A imagem que passa para fora é que este é um FC Porto diferente, é um FC Porto vivo. Ainda que nas competições europeias não tenha tido grande sucesso, parece que é um FC Porto mais internacional, que se está a tornar ainda maior. É importante ter essa sensação e mesmo os próprios rivais têm essa noção e a prova disso é que eles também estão a reforçar-se ainda mais e estão a ir atrás deste FC Porto. Quem sai a lucrar com isso é o futebol português, porque a imagem que está a vender ainda é melhor. E as equipas pequenas vão atrás, é um efeito dominó. É bom para todos.
Surpreendeu muito o impacto que Farioli teve, até pela forma como uma equipa grande como o FC Porto jogava, em que os 11 jogadores estavam dispostos a defender…
Historicamente, por aquilo que me foi passado durante alguns anos, muitas vezes o FC Porto ganhou assim. No tempo do meu pai, muitas vezes dizia-se que o FC Porto não era melhor do que os outros, mas em termos de intensidade, de luta e de entrega, sobressaía-se. Este ano foi um pouco isso. Eu cresci no FC Porto com o Paulinho Santos, com o Folha, com o Domingos, o meu pai, Jorge Costa… pessoas com quem também, mais tarde, acabei por crescer na formação e as histórias que contavam, porque eu não vi, era muito novo, eram de um FC Porto assim. O FC Porto, este ano, com uma imagem mais moderna, conseguiu isso, conseguiu ser um FC Porto de entrega, um FC Porto de luta, um FC Porto de intensidade. Claramente foi um justo vencedor, mas no próximo ano poderá ser diferente.
A sua revista digital