Aos 35 anos, Pedro Mendes confessa ao Maisfutebol não estar ainda preparado para colocar um ponto final na carreira de futebolista, mas já prepara o futuro como treinador.

Internacional português, cresceu em Massamá com o sonho de ser goleador, até que um treinador viu nele qualidades para se tornar num defesa-central de qualidade.

De Bruno Alves a Fabio Cannavaro, passando por Pepe e Sergio Ramos, Pedro procurou inspirar-se na excelência para, também ele, a tocar.

E a crença era tanta que nunca imaginou ser outra coisa que não futebolista. Com uma certeza: «Acho que iria ser bem-sucedido em qualquer coisa.»

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Está de férias ou já prepara a nova época?

Já estou a preparar é o futuro. Vou começar a tirar o curso de treinador UEFA B, no Luso [no distrito de Aveiro]. Não é uma nova etapa, porque ainda não me sinto preparado para terminar a carreira, mas já estou a preparar o futuro. Enquanto o corpo permitir e a mente deixar, continuarei a jogar. A paixão é tão grande que não me consigo ver a terminar, a menos que o futebol assim o indique e não tenha propostas. Mas não consigo prever isso para já.

Por falar nisso, já sabe como vai ser a próxima temporada?

Ainda não está definido. Estamos em conversações com o Feirense para a renovação, mas estão estagnadas.

Pelo que sei, é um homem dedicado ao seu físico. De onde vem essa preocupação?

Desde jovem que nos incutiram, na formação do Sporting, a trabalhar no ginásio. Desde os sub-15 que fazíamos isso. A partir daí o bichinho entrou e tomei-lhe o gosto. Mas em aspetos alimentares só comecei a ter alguma consciência mais tarde. Quando fui para Parma, a minha ceia era cereais com leite e o meu empresário dizia-me: «Pedro, o que estás a fazer? Isso está cheio de açúcar». Ele começou a incutir-me o bichinho de estar mais preocupado com os valores nutricionais [dos alimentos]. A partir dos 30 [anos] ainda mais, na altura em que me lesionei, porque o corpo muda e toda a grama conta. O corpo absorve de outra forma, o metabolismo desacelera e qualquer coisa que se coma a mais reflete-se no peso e na massa gorda.

E o gosto pelo futebol, vem de onde?

Lembro-me de, quando viemos para Portugal de vez, o meu pai ter ido para os veteranos do Real Massamá. O meu irmão também jogava no Real Massamá e sempre que ia ver os jogos do meu pai, aos sábados à tarde, eu levava uma bola e aquecia com a equipa. Nessa equipa estava o treinador dos escolinhas [do Real Massamá], que viu que eu tinha aptidão para aquilo. Ele propôs ao meu pai levar-me aos treinos de captação e assim foi. Fui como ponta de lança, mas acabei por ir para central. Hoje, agradeço ao mister Nuno, que foi quem descobriu a minha verdadeira posição. Normalmente, todas as crianças querem fazer golos e driblar, e eu não fugia à regra. Disse que era avançado mas, como a bola não chegava à frente, fui para trás, para onde ela estava. Fiz um ou dois carrinhos e levei a bola para a frente. O treinador parou o treino e disse-me: «Tu não és ponta de lança, és é central!». No início, fiquei um bocado triste, mas o que eu queria era jogar. A paixão era tanta que se ele me dissesse que era guarda-redes, eu aceitava ir para a baliza. Mas sempre houve esse bichinho. Éramos três homens em casa e sempre que íamos à praia levávamos uma bola. Também jogava em casa e na rua com o meu irmão. Ainda bem que sou dessa geração pré-internet e gadgets. Jogava com mais velhos e isso fez com que me desenvolvesse mais.

Tinha ídolos na altura?

Nessa altura não tinha muita consciência do que era o futebol profissional.

E durante a carreira, quem mais o surpreendeu?

Foi por etapas. Numa dada altura, e apesar de estar na formação do Sporting, adorava a forma como o Bruno Alves [FC Porto] jogava. Era a agressividade que ele tinha, às vezes até demais, mas eu revia-me muito nisso. Quem me conhece desde a formação sabe que, nessa altura, eu era um bocado inconsciente, às vezes até demais, nas entradas que fazia. Mas gostava do Bruno Alves porque cabeceava, era agressivo, batia livres, era técnico, tinha um poder de impulsão incrível e era agressivo. Mais para a frente, Fabio Cannavaro e, depois, Pepe e Sergio Ramos foram os que mais me impressionaram.

Formou-se entre o Real Massamá e o Sporting. Nessa altura já lhe diziam que ia dar jogador?

Tive essa perceção por mim, porque era uma coisa com que sonhava. Ainda hoje, em conversas de reflexão com a minha esposa, digo-lhe que se começar a meter uma cruz nos sonhos que tinha em pequenino, realizei-os todos. Já tinha isso intrínseco em mim. Dizia para mim próprio: «Eu vou ser, eu vou conseguir, eu vou chegar lá». Quando um objetivo era atingido, acrescentava outro. E fazia por isso. As pessoas mais próximas diziam-me que ia dar jogador, que tinha mentalidade para isso.

E se não desse, tinha algum plano B para a carreira?

Acho que, devido à forma de estar na vida, se não desse jogador, daria noutra coisa qualquer. Sou muito meticuloso, organizado, profissional. Quero fazer sempre o melhor possível. Se eu apresentar um pequeno-almoço à minha esposa, quero que vá bem empratado. Mesmo se trabalhasse numa loja de roupa, iria dobrá-la da melhor forma possível. Acho que iria ser bem-sucedido em qualquer coisa.