Internado nos cuidados intensivos há mais de dois meses, na sequência de uma agressão quando tentava defender o neto, de 16 anos, alvo de insultos enquanto arbitrava uma partida de andebol do escalão de cadetes, Andrés Rico faleceu, na passada segunda-feira, vítima das lesões sofridas nessa ocasião. Tinha 68 anos.

O episódio aconteceu a 15 de dezembro do ano passado, em Espanha. No jogo entre as equipas femininas sub-15 do Sanxenxo e do Rasoeiro, o pai de uma das atletas desta última equipa empurrou Andrés Rico, quando este apenas procurava defender o neto dos insultos de que era alvo enquanto arbitrava o encontro. A vítima caiu desamparada e bateu com a cabeça no solo, ficando em coma desde então.

O agressor foi identificado pelas autoridades locais e está acusado de homicídio involuntário. Para além disso, a Comissão Galega de Controlo contra a Violência deverá condená-lo a uma multa, entre os 60 mil e os 650 mil euros, e à interdição do acesso a qualquer recinto desportivo por um período de cinco anos.

Através das redes sociais, a filha de Andrés Rico, Belén Rico, considera que a atitude do agressor «não tem perdão». «Nunca poderei recuperar o que perdi, o que essa pessoa nos tirou. Do fundo do meu coração, este não é o seu lugar. Vá para longe, para onde nunca mais tenhamos de nos cruzar, para não ter de me lembrar destes meses de angústia e sofrimento contínuos», escreveu.

Na cidade de O Grove, em Pontevedra, milhares de pessoas compareceram junto à Câmara Municipal local para homenagear uma figura reconhecida por todos naquela localidade.

O autarca de O Grove, José Cacabelos, lamentou o falecimento de Andrés Rico, chegando mesmo a questionar: «Em que é que nos estamos a tornar? Estamos a normalizar atos como insultos, agressões ou confrontações. Isto não pode continuar assim».

A federação espanhola de andebol decretou um minuto silêncio em todos os jogos realizados entre os dias 25 de fevereiro e 3 de março, em homenagem a Andrés Rico.