Aritz Aduriz, avançado do Athletic Bilbao, anunciou esta quarta-feira o final da carreira, aos 39 anos, com uma emocionante carta de despedida em que, basicamente, diz adeus aos sonhos. A começar pela final da Taça do Rei, que o clube basco deveria disputar este ano com a Real Sociedad, mas não só. É mesmo um adeus definitivo do melhor marcador do Athletic no século XXI, imposto por motivos de saúde. Nos próximos dias Aduriz, por recomendação médica, vai colocar uma prótese na anca.

A pandemia da covid-19 já tinha adiado o sonho de jogar a Taça do Rei, mas o veredicto dos médicos, agora conhecido, antecipou mesmo o final da carreira, numa altura em que Aduriz, com 172 golos, já era o sexto melhor marcador do clube basco, apenas atrás de nomes históricos como Zarra (335 golos), Bata (208), Dani (199), Gorostiza (196) e Iraragorri (179).

«Chegou o momento. Muitas vezes disse que o futebol deixa-te antes de tu o deixares a ele. Ontem mesmo os médicos recomendaram-me uma intervenção cirúrgica, quanto mais cedo melhor, para colocar uma prótese no lugar da minha anca de forma a que, pelo menos, possa viver com maior normalidade o dia a dia. Lamentavelmente, o meu corpo disse basta. Já não posso ajudar os meus companheiros como gostaria e como eles merecem», escreveu Aduriz nas redes socias.

Um ruir de sonhos que chega numa altura em que o mundo está de pernas para o ar. «Infelizmente estamos a viver situações muito mais graves e dolorosas; a pandemia que ainda sofremos deixou-nos danos irreparáveis e temos de continuar a combate-la entre todos. Portanto, não se preocupem comigo, isto é só uma brincadeira», acrescentou o avançado.

O depoimento de Aduriz vem acompanhado com uma fotografia de infância, com uma bola na mão. «Esqueçamos os finais sonhados porque vamos ter tempo para nos despedirmos. Sim, chegou a hora de dizer adeus e assim acaba esta caminhada, inolvidável e maravilhosa, do princípio ao fim», escreveu ainda o avançado.

O experiente avançado estava na sua terceira passagem pelo Athletic onde terminou a formação e onde se estreou como sénior, pela mão de Jupp Heynckes, em 2002. Pelo meio, representou o Burgos, Valladolid, Maiorca e Valencia, mas nas últimas oito temporadas jogou sempre no clube de Bilbao onde sonhava ganhar a Taça do Rei.