Depois de seis jogos no mês de agosto, os últimos cinco em apenas quinze dias, Marco Silva fez descansar alguns jogadores, mas a sensacional equipa de amarelo manteve a mesma dinâmica, com Carlitos, Evandro e João Pedro Galvão com o pé no acelerador no apoio a Luís Leal e os laterais a subirem para formarem uma segunda linha de tampão com Diogo Amado e Filipe Gonçalves (Gonçalo foi um dos poupados). A Académica, por seu lado, deixou claro que aprendeu a lição depois da goleada consentida diante do Sporting. Mais do que as mudanças de jogadores, que foram cinco, a equipa de Sérgio Conceição entrou em campo com uma nova atitude, com uma grande solidariedade a defender e com transições lentas, mas equilibradas.

Nos primeiros minutos assistiu-se à habitual correia dos «amarelos», com um Carlitos a todo o gás a aparecer nos dois flancos, a provocar desequilíbrios. Luís Leal deu o primeiro sinal, aos 3 minutos, com um remate de difícil defesa para Ricardo. O Estoril atacava em ondas sucessivas e os estudantes estavam totalmente concentrados em defender a sua baliza, com evidentes dificuldades em sair a jogar. Mas, aos 16 minutos, num lance genial entre Marinho e Cleyton a Académica abriu o marcador com o primeiro golo na atual edição da Liga. Marinho quebrou a consistência da defesa canarinha com uma bola por entre as pernas de Yohan Tavares e Marinho correspondeu, com uma grande receção e um remate certeiro.

O Estoril não acusou o toque e continuou a carregar e chegou a gritar-se golo nas bancadas depois de um rápido contra-ataque de Luís Leal e um remate de João Pedro Galvão que iludiu os adeptos, mas a verdade é que a Académica parecia cada vez mais confiante e consistente, conseguindo defender cada vez mais à frente, tirando fulgor aos canarinhos. A festa seguia animada nas bancadas, mas no relvado o esforço e suor tomavam conta dos sorrisos iniciais.

Ainda mais amarelo

Sérgio Conceição trocou Abdi por Diogo Valente, mas manteve a estrutura intacta. O jogo recomeçou como tinha acabado, com um Estoril senhor da bola, mas sem conseguir chegar ao objetivo final. Os adeptos voltaram a levantar-se com um remate de Galvão, mas Evandro chegou atrasado para corrigir a trajetória da bola. Babanco e Carlitos mantinha a ala esquerda em chamas, mas o resto da equipa continuava atada, com destaque para a marcação cerrada de Bruno China a Evandro a toda a largura do campo. O Estoril tinha marcado de rajada frente ao Nacional e Arouca, mas esta noite os minutos passavam e os canarinhos pareciam cada vez mais longe da baliza de Ricardo.

Seguiu-se a dança das alterações, com Sérgio Conceição a lançar Ivanildo e Marco Silva a apostar em Sebá. Voltou-se a gritar golo com um remate de Carlitos à barra e o Estoril voltou a crescer com Sebá também a ficar muito perto da festa. A Académica voltava a cerrar fileiras e só saía a espaços, com destaque para uma cabeçada de Manoel e pouco mais.

Os amarelos continuavam a mandar no jogo e o empate acabou por chegar, a quinze minutos do final, num primeiro remate de Sebá, completado com uma recarga de Luís Leal. A festa ficou ainda mais animada nas bancadas que exigiam o segundo golo. Marco Silva correspondeu lançando Bruno Lopes, completando a evolução para um 4x4x2. Os canarinhos deram tudo por tudo até final, mas desta vez não houve reviravolta. Ainda assim, a festa foi bonita e o esforço dos jogadores mereceu o aplauso dos adeptos. Continua-se a sorrir na Amoreira.