«Não gosto da palavra renovação, pois parece que os velhos vão para o lixo e os novos vão tomar conta disto. (…) Tanto faz ter 17 anos ou 35. Se tiver valor, vem.» [Fernando Santos, em 2015]

 

E no terceiro dia da operação Euro – ou, se preferirem, no Dia -20 antes da estreia portuguesa diante da Islândia – a Seleção deu as boas-vindas ao seu benjamim: aos 18 anos e 9 meses, Renato Sanches não é apenas o mais novo dos convocados de Fernando Santos. Será, também, o mais novo de sempre a representar Portugal na fase final de uma grande competição.

Depois dos quatro dias de repouso a que teve direito na sequência da final da Taça da Liga, o médio do Benfica eleva para 16 o número de jogadores às ordens de Fernando Santos. De fora, continuam Danilo, Rafa e Vieirinha (os próximos a chegar), e ainda Nani, Bruno Alves, Pepe e Cristiano Ronaldo, que já não integram o grupo antes do particular de domingo, com a Noruega, no Dragão.

A chegada de Renato Sanches ajuda a fazer baixar a média de idade de um grupo que o selecionador definiu como uma mistura entre experiência e irreverência. E assim será, de facto, mas de uma forma pouco habitual: para além de contar com dez estreantes em fases finais, o que caracteriza o lote de 23 escolhidos por Fernando Santos é a propensão para os extremos – tem oito jogadores com 24 anos ou menos e nove acima dos 30. Sobra apenas uma minoria de seis naquela faixa que, tradicionalmente, se considera a ideal para os futebolistas, entre os 25 e os 30.

João Mário com pés e cabeça

E se o jovem Renato foi um dos nomes mais falados neste final da temporada – por força da convocatória, e também da transferência-relâmpago para Munique – foi outro jovem protagonista – por sinal, um dos oito internacionais batizados por Fernando Santos neste grupo* (* Anthony Lopes, Danilo Pereira, Renato Sanches, Cédric, Adrien, João Mário, José Fonte e Raphael Guerreiro) - a ocupar a ribalta na habitual conferência de imprensa.

João Mário, claramente um dos melhores jogadores nesta edição da Liga, foi capaz de separar as águas entre a agitação de mercado e a expetativa por participar na primeira fase final de uma grande competição sénior: «Trocaria isso tudo pela possibilidade de Portugal vencer», frisou em alusão ao interesse de alguns dos grandes clubes da Europa na sua contratação.

Assumindo com humildade a sua relativa inexperiência (oito internacionalizações), João Mário reconheceu que nestes primeiros dias vai estar «muito focado em compreender melhor o que o mister pedir». Em sintonia com a ambição de Fernando Santos, João Mário falou na perspetiva de um título inédito como «um sonho possível» e, a propósito, não deixou de admitir que a participação nos Jogos Olímpicos do Rio é um outro sonho, não esquecido, embora dependente da decisão do seu clube.

E equilibrado, como é seu hábito, João Mário distribuiu jogo – isto é, elogios e incentivos – à esquerda e à direita, indo dos mais novatos, como Renato Sanches («uma mais valia»), ao mais experiente, Cristiano Ronaldo: «Acima de tudo sem lesões, e se puder ganhar a Liga dos Campeões melhor ainda».

O sempre difícil primeiro teste

Nesta quarta-eira veio também a confirmação de que, depois do susto no treino anterior, Cristiano Ronaldo está a postos para a final da Champions. Uma decisão que como se sabe, é apenas no sábado, o que deixa Cristiano, Pepe, e também os «turcos» Bruno Alves e Nani fora das opções de Fernando Santos para o primeiro dos três jogos de preparação que Portugal vai cumprir até 8 de junho.

Com a Noruega, no Dragão, serão apenas 19 nomes às ordens do selecionador, para um primeiro teste que, já muitas vezes, em outras campanhas deixa um sabor a deceção junto dos adeptos – a verdade é que, para além das baixas importantes de três ou quatro prováveis titulares, os níveis de rendimento após uma semana de preparação ainda estarão longe dos expectáveis quando se aproximar a competição a doer. Basta pensar que nas últimas três fases finais, o primeiro particular da seleção portuguesa se saldou pelo mesmo resultado: 0-0 com Cabo Verde (2010), Macedónia (2012) e Grécia (2014).

Isso mesmo foi demonstrado por um dos adversários de Portugal, a Hungria, que na sexta-feira não foi além de um apático 0-0 com a Costa do Marfim. E, nesta quarta, a prova voltou a ser dada, com a Roménia a concluir com um empate um ensaio pouco entusiasmante diante da RD Congo (1-1). Nos próximos dias, mais finalistas do Europeu deverão enfrentar um problema semelhante. Fique com a lista dos próximos jogos particulares de seleções que vão estar presentes em França.

Sexta-feira

Eslováquia-Geórgia

Rep. Checa-Malta

Croácia-Moldova

Inglaterra-Austrália

Irlanda-Holanda

Irlanda do Norte-Bielorrússia

 

Sábado

Suíça-Bélgica

 

Domingo

Albânia-Qatar

Alemanha-Eslováquia

Espanha-Bósnia Herzegovina

Roménia-Ucrânia

Turquia-Montenegro

Itália-Escócia

Portugal-Noruega