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São doze jogos e sete golos, cinco deles na Liga, fazendo de Evandro o segundo melhor marcador da competição, atrás de Fredy Montero e ao lado de Jackson Martínez.

O médio brasileiro apontou ainda o primeiro golo do Estoril nas competições europeias de futebol. De penalty, derrotou o Hapoel Ramat Gan em Israel. Depois, abriu caminho para a vitória frente ao Pashing (primeiro golo europeu na Amoreira). Um verdadeiro pé-quente.

O leitor mais atento estranhará este registo. Não se lembrará de um Evandro goleador na época passada. E tem razão. Contratado ao Estrela Vermelha no início da temporada 2011/12, o jogador de 27 anos marcou apenas três golos em trinta e quatro jogos.

Num Estoril orfão de Steven Vitória, Jefferson, Carlos Eduardo ou Licá, Marco Silva agradece o crescimento de Evandro Goebel. Frente ao F.C. Porto, anulou a primeira desvantagem na conversão de um castigo máximo. O ponto mais alto de uma exibição sem falhas, com criatividade e frieza perante um adversário de respeito.

Resistir à saudade

Nascido a 23 de agosto de 1986 em Blumenau (Santa Catarina), o médio ofensivo vai cumprindo o seu sonho: ser jogador profissional. Filho de Osmair Goebel, antigo avançado, Evandro quis seguir as pisadas do pai e resistir à saudade. A todo o custo.

Para seguir o seu caminho, o jovem teria de sair de casa. «E se eu dia eu tiver saudades, não me vás buscar, pai. Quero muito ser jogador profissional», atirou Evandro, com 14 anos.

Meses depois, o adolescente chega aos escalões de formação do Atlético Paranaense. Em 2003, depois de pensar o jogo da seleção brasileira de sub-17 no Campeonato Sul-Americano, o médio surge na lista de Marcos Paquetá para o Mundial da categoria mas acaba por ver o seu nome riscado.

Dois anos mais tarde, Evandro Goebel chega mesmo a um Mundial, neste caso de sub-20. Renê Weber entrega-lhe a desejada camisola 10, o jogador participa em seis encontros, cinco deles como titular, mas o Brasil perdeu nas meias-finais com a Argentina de Leo Messi (2-1).

Campeão estadual pelo Atlético Paranaense em 2005 e Atlético Mineiro em 2010, o médio ofensivo também representou Goiás, Palmeiras e Vitória sem a exuberância demonstrada nas camadas jovens.

A Sérvia de Djokovic

No início de 2011, Evandro recebe um convite do Estrela Vermelha e aventura-se num país que lhe era estranho. Novak Djokovic era o maior cartão de visita. «Sempre que via um jogo de ténis, ouvia Novak Djokovic, Sérvia.»

Com a camisola do gigante sérvio, o médio ofensivo recupera fulgor e marca cinco golos em nove jogos, até final da temporada. Em 2011/12, mantém o rendimento alto, com oito golos no campeonato sérvio. Para além disso, marca na final da Taça da Sérvia, no 2-0 frente ao Borac Cacak.

No final da época, por intermédio da empresa Traffic, ruma a Portugal para representar o Estoril. Evandro Goebel conquista o seu espaço sem o registo goleador das temporadas anteriores. Ultrapassado o período de adaptação, renova contrato até 2015 e arranca para um campeonato sensacional.

Os números comprovam: estatuto reforçado para Evandro. Frio como é seu timbre, chegou aos sete golos em doze jogos, provocando um amargo de boca ao F.C. Porto. Ao bater Helton, apontou o 100º golo desta edição da Liga. Fica para a história deste fã de Ronaldinho Gaúcho.