«Olhando para trás, considero que o Valência errou ao afastar Quique Flores. Foi um erro da direcção e meu, claro, também tenho de assumir parte da responsabilidade. O Quique tinha garantido o apuramento para a Liga dos Campeões mas os dirigentes não suportaram a pressão dos adeptos», começa por recordar Miguel Angel Ruiz, em conversa com o Maisfutebol.

Miguel Angel Ruiz não foi responsável pela escolha de Quique Flores para o Valência. O treinador espanhol começou por trabalhar com Amadeo Carboni, mas incompatibilizou-se com o antigo jogador. Carboni viria a abandonar o clube, face a este cenário, mas os adeptos não perdoaram Quique. «Ele tinha cumprido o objectivo, mas terminou a época com muitos problemas, nomeadamente com Carboni. O Carboni acabou por sair, mas o público não perdoou isso a Quique e assobiava sempre a equipa. Acabou por ser natural. Depois de dois ou três resultados negativos, foi despedido», recorda o sucessor de Amadeo Carboni como director-desportivo do Valência.

Ronald Koeman, outro treinador com ligações ao Benfica, foi o escolhido para suceder a Quique Flores, mas o Valência caiu na classificação. «Por isso mesmo, digo que foi um erro. O Valência não melhorou e lamento, porque o Quique Flores é dos melhores treinadores que já conheci na minha carreira», refere Ruiz.

«O Quique estuda muito os rivais e utiliza muito as tecnologias para preparar os jogos. Faz um óptimo trabalho, tal como o seu adjunto, Fran Escribá. Sei que o Benfica vem de duas derrotas consecutivas em casa, está atrás de F.C. Porto e Sporting e isso não chega para um clube com a sua dimensão, mas penso que devem dar tempo ao Quique Flores, se calhar como o Valência devia ter feito», remata o antigo director-desportivo do clube espanhol. Actualmente, Miguel Angel Ruiz é comentador televisivo no país vizinho.