Camiões, muitos camiões, comida plástica e uma fantástica equipa a atuar na NBA. É assim Oklahoma City, resumida nas palavras de Daniel Fernandes, cidadão e internacional português nascido em Edmonton, Canadá, e atualmente a guardar a baliza do Rayo OKC, equipa da NASL, segundo escalão na pirâmide norte-americana.

Em entrevista ao Maisfutebol, a partir dos EUA, Daniel assume a vontade de jogar finalmente na I Liga portuguesa. Aos 33 anos, o jogador chamado por Carlos Queiroz ao Mundial 2010 confessa ter esse sonho por cumprir.

No currículo, o gigante de 1,95 metros conta com passagens por Espanha, Alemanha, Grécia, Roménia e Holanda, além de Canadá e EUA. Ainda vai a tempo de conhecer os principais relvados portugueses?

PARTE I: «O FC Porto foi a melhor experiência da minha carreira»

Daniel Fernandes no estágio para o Mundial de 2010

MF – Aos 33 anos, o que lhe falta conquistar como guarda-redes?

DF - Eu sonho jogar ainda na primeira liga portuguesa. Vou seguindo o campeonato e adoro os guarda-redes que jogam lá. A qualidade é muito elevada. Vejo muitos vídeos da liga. É maravilhoso, é uma das melhores ligas do mundo e tem alguns dos melhores jogadores do planeta.

MF – Mas está feliz em Oklahoma e no Rayo?

DF - Oklahoma é muito diferente. É tudo muito organizado e tem de se viajar imenso para chegar às coisas. E há sempre muitos camiões, grandes camiões em todo o lado [risos].Mas as pessoas são muito queridas. Depois temos a equipa de basquetebol na NBA, a dar muita visibilidade à cidade.

MF – Optou em 2015 pelo futebol nos EUA. Porquê?

DF - Vir para cá foi uma decisão importante e acertada. É importante para mim manter-me ativo e jogar. Tinha de dar continuidade à minha carreira sabendo que ia jogar, por isso vim para aqui. Precisava de jogar.

MF – Nunca se afirmou no Twente. Foi isso que o obrigou a sair da Europa?

DF - Os meus últimos anos tiveram muitos altos e baixos. Tive um grande ano no OFI Creta, com o Ricardo Sá Pinto, e ficamos em sextos no campeonato. Mas andei muito tempo emprestado, o que para um guarda-redes é muito mau. É uma posição que requer estabilidade, uma posição delicada. Então vim para cá, para tentar estabilizar um pouco e dar um rumo à minha carreira.

MF – Há algum guarda-redes que seja o seu ídolo?

DF - O meu ídolo é o Michel Preud’homme. Sempre vi muitos vídeos dele, desde novo. Ele foi incrível, um grande guarda-redes. Nunca o vi ao vivo, mas deve ser uma coisa muito diferente, marcante.

MF – E a Portugal só volta para disputar a I Liga?

DF - Adorava voltar ao Porto em breve. Aliás, vou voltar, mas em férias. Tenho saudades da comida, das pessoas, da cidade. Vocês têm a melhor comida do mundo [risos]. É uma comida limpa, saudável e deliciosa. Tem muita variedade, muito peixe. A comida cá nos EUA é plástica, é falsa. Não é comida verdadeira. Eles devem injetar alguma coisa na comida [risos].

PERCURSO DE DANIEL FERNANDES:

. 2003 a 2008: PAOK Salónica (Grécia)

. 2008/2009: Bochum (Alemanha)

. 2009/2010: Iraklis (Grécia)

. 2010/2011: Panathinaikos e Panserraikos (Grécia)

. 2011/2012: CFR Cluj (Roménia)

. 2012/2013: Twente (Holanda)

. 2013/2014: OFI Creta (Grécia)

. 2014/2015: Panthrakikos (Grécia)

. 2015: San Antonio Scorpions (EUA)

. 2016: Rayo OKC (EUA)